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Cultura

Wagner Moura celebra o cinema brasileiro em talk show americano

Legenda Em sua participação no programa, parte da agitada campanha de divulgação de O Agente Secreto, o ator falou sobre política e o momento do cinema brasileiro Foto: Reprodução/Late Night with Seth Meyers

Em entrevista ao Late Night with Seth Meyers, ator comenta política, relembra a ditadura, destaca o momento do audiovisual nacional e narra, com humor, como soube da vitória em Cannes

Wagner Moura foi convidado do talk show americano Late Night with Seth Meyers, exibido pela NBC na madrugada desta terça-feira (6). Em sua participação no programa, parte da agitada campanha de divulgação de O Agente Secreto, o ator falou sobre política e o momento do cinema brasileiro – e também revelou a situação inusitada em que se encontrava quando ficou sabendo da vitória no Festival de Cannes.

O apresentador Seth Meyers comentou sobre a dupla derrota de Moura no Critics’ Choice Awards no dia anterior – ele concorria nas categorias de Melhor Ator em Filme e Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada por Ladrões de Drogas -, mas celebrou a vitória de O Agente Secreto como Melhor Filme de Língua Estrangeira.

“Você ganhou um e perdeu dois. Nada mal, porque eu tinha uma única indicação e perdi. Eu daria qualquer coisa para ter a sua vida, irmão”, brincou o americano.

Meyers lembrou o público da carreira internacional de Moura, destacando a série Narcos e o filme Guerra Civil. O ator comentou sobre a forte ligação que sente com ambas as obras por conta do aspecto político.

“O Agente Secreto resultou de uma perplexidade compartilhada entre mim e o diretor [Kleber Mendonça Filho] sobre o que estava acontecendo no Brasil do século 21, quando um presidente estava resgatando valores da ditadura”, disse.

Questionado se tinha memórias da ditadura militar no País, já que o regime acabou quando Moura ainda era criança, o ator refletiu sobre o sentimento de “viver em um País cheio de contradições”.

“A ditadura acabou em 1985, mas os ecos do regime ainda estão lá O Brasil é muito complexo/é provavelmente o país com a Constituição mais moderna do mundo, mas, por outro lado, foi o último do Ocidente a abolir a escravidão. Colonialismo, imperialismo, violência e golpes de Estado ainda estão presentes na vida do País”, avaliou.

Meyers também parabenizou Moura pela indicação ao Globo de Ouro. “Deve ser muito especial fazer esse filme tão pessoal, e ter essa recepção nos Estados Unidos”, disse o apresentador.

“Sim, é muito importante para nós brasileiros. Porque, naquele período, entre 2018 e 2022, quando o Brasil passou por um momento fascista, eles atacaram universidades, jornalistas e artistas – transformados em ‘inimigos do povo’”, respondeu Wagner.

“É lindo ver os brasileiros torcendo para um filme brasileiro – desde o ano passado, quando Ainda Estou Aqui ganhou um Oscar – e se sentindo representados por esses artistas. Estou feliz pela nossa cultura”, completou.

Moura finalizou a entrevista explicando o motivo de não estar presente para receber o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, no ano passado. Na ocasião, ele estava na Inglaterra, gravando cenas extras de um filme em seu dia de folga.
Quando soube da vitória, filmava uma cena inusitada: “Eu estava com um saco plástico na minha mão, recolhendo um cocô de cachorro, e pensando: ‘Eu acabei de vencer Melhor Ator em Cannes!'”

Indicação de Fernanda Torres ao Oscar está entre mais inspiradoras do século 21, diz ‘Variety’

A Variety, revista norte-americana especializada na cobertura de cinema, elegeu a indicação de Fernanda Torres ao Oscar de Melhor Atriz em 2025 como um dos momentos mais inspiradores da história da premiação no século 21.

Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro em 2025
Reprodução

O texto, publicado na segunda-feira (5), elegeu as 26 indicações mais inspiradoras e impressionantes do século atual. A atuação da atriz brasileira em Ainda Estou Aqui, filme de Walter Salles, ficou em terceiro lugar.

Acima de Fernanda, somente as vitórias de Lupita Nyong’o por 12 Anos de Escravidão e Denzel Washington por Dia de Treinamento. “Uma indicação que rompeu barreiras, uma atuação que definiu uma carreira e a personificação da sobrevivência de uma mulher (e de um País)”, escreveu o jornalista Clayton Davis.

“O trabalho de Fernanda Torres no drama brasileiro de Walter Salles mostra que grandes atuações se constroem cena a cena, até que o luto se transforme em resistência”, continuou Davis.
“Fernanda representa tudo aquilo que o Oscar afirma valorizar, mas raramente recompensa: excelência internacional, coragem política e contenção em vez de exibicionismo”, finalizou.

Apesar da importância da indicação da atriz brasileira ao Oscar, Fernanda Torres não foi a vencedora de sua categoria. A norte-americana Mikey Madison acabou vencendo o prêmio de Melhor Atriz por seu papel em Anora – longa que também venceu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Edição e Melhor  Roteiro Original.

Ainda Estou Aqui, no entanto, faturou o Oscar de Melhor Filme Internacional, marcando a primeira vez que um longa brasileiro venceu na categoria. Agora, o Brasil sonha com novas indicações para O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho estrelado por Wagner Moura.

 

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