Tribuna Ribeirão
Economia

RP lança alternativa à reforma da Previdência

ALFREDO RISK

Com objetivo de debater o projeto de reforma da Previ­dência – que está em discussão no Congresso Nacional – e seu impacto no futuro do país, con­siderando o desenvolvimento da sociedade e da economia, será realizado neste sábado, 11 de maio, em Ribeirão Preto, o Seminário Estadual Contra a Reforma da Previdência. No encontro, será apresentada uma proposta alternativa à atual do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Durante o evento, será lançada a “Carta de Ribeirão Preto”, que propõe a reforma tributária solidária. O objetivo é corrigir as distorções do sis­tema tributário brasileiro, que tem caráter regressivo (quem tem mais paga menos) e dis­torções causadas pela incidên­cia maior de impostos sobre o consumo e menor sobre renda e propriedade.

A iniciativa é um preceden­te singular no debate tributário, pois esta posição, lançada em Ribeirão Preto na presença de técnicos da Receita Federal, parlamentares, centrais sindi­cais, partidos políticos, entida­des e movimento populares, circulará pelo País, na defesa de uma análise profunda do siste­ma tributário como um todo, com ênfase na redução das desigualdades e no desenvolvi­mento econômico.

Desta forma, a “Carta de Ri­beirão Preto” pretende nortear de forma significativa o resgate do sistema de tributação como instrumento de justiça fiscal, apoio ao desenvolvimento eco­nômico, suporte do Estado So­cial e esteio do equilíbrio fede­rativo. “A atual proposta retira a previdência social dos direitos constitucionais, transformando -a num produto de aquisição in­dividual e compulsória junto ao sistema financeiro”, afirma Fran­cisco César de Oliveira Santos, auditor fiscal da Receita Federal.

Ele defende uma alternativa à proposta da reforma governis­ta. “É isso que significa o sistema de capitalização defendido pelo Ministro da Economia, onde cada um passará a ser respon­sável por sua aposentadoria. O desmonte do Estado de bem-es­tar vem como uma avalanche”, diz. Objeto de amplo estudo realizado por especialistas, a re­forma tributária solidária é uma alternativa que mantém os direi­tos da população de menor po­der aquisitivo.

O projeto estrutura um diagnóstico e visa, ainda, o combate à sonegação fiscal, além de barrar as desigualda­des e garantir o crescimento do país. A proposta dialoga não só com justiça tributária, mas atende também a necessidade de uma arrecadação que valo­rize o desenvolvimento e cres­cimento econômico. “O atual sistema tem sido desigual e injusto para a população mais pobre, que paga mais impostos. A Reforma Tributária Solidária é uma resposta ao atual sistema contributivo e trará justiça en­tre classes”, afirma Santos.

Para Paulo Gil Introíni, pre­sidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), a mera sim­plificação do sistema tributário pode significar apenas uma ma­quiagem do problema maior. “Quando falamos em simplifi­cação, o que se busca na verda­de é uma forma de concentrar ainda mais os tributos sobre os bens e serviços”, diz.

“Então, é preciso deixar isso bem claro. A palavra simplifica­ção carrega um conteúdo posi­tivo, se esconde que se está que­rendo transferir o ônus de pagar os tributos dos grandes grupos econômicos, das pessoas físicas mais ricas, para os mais pobres”, emenda, alertando para outro problema que não pode ser des­considerado no debate sobre a unificação tributária.

“Ao unificar impostos de várias esferas e contribuições sociais, por exemplo, PIS e Co­fins, essa proposta vai afetar o financiamento da seguridade social. A nossa seguridade so­cial, como previsto nos artigos 194 e 195 da nossa Constitui­ção, tem fontes vinculadas. Esses recursos são considera­dos um patrimônio dos traba­lhadores e são protegidos pela Constituição”, destaca.

Seminário
O Seminário Estadual Con­tra a Reforma da Previdência é realizado pelo Sindicato Nacio­nal dos Auditores Fiscais – De­legacia Ribeirão Preto (Sindi­fisco) e pelo, Comitê Regional de Ribeirão Preto, e apoio da Associação Nacional dos Audi­tores Fiscais da Receita Federal (Anfip) e contará com a parti­cipação de palestrantes que são referência no campo da econo­mia no Brasil.

Os envolvidos farão uma reflexão sobre as possibilida­des de modelo previdenciário a serem adotadas pensando nos impactos que serão deixa­dos para as próximas gerações. Diversas entidades representa­tivas do setor privado, institui­ções de Estado e lideranças de segmentos sociais farão parte deste debate.

Estão na programação, nomes como o presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Charles Alcântara, o presidente da ANFIP, Floriano Martins de Sá Neto, o deputado federal e in­tegrante da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência, Paulo Teixeira (PT), e a deputa­da estadual Márcia Lia (PT).

Também vão participar a presidente da Apeoesp, depu­tada estadual Professora Bebel, o economista do Departamen­to Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ricardo de Melo Tamashiro, a integrante da coordenação nacional do Mo­vimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Kelli Mafort e o professor e soció­logo, Djalma Nery – represen­tante do Psol, entre outros.

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