Tribuna Ribeirão
DestaqueJustiça

Justiça barra volta de atividades do comércio em Ribeirão

ALFREDO RISK/ ARQUIVO

A juíza Lucilene Aparecida Canella de Melo, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, acatou nesta terça-fei­ra, 28 de abril, os argumentos apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e sus­pendeu os efeitos do decreto nº 100, que autoriza a volta de al­gumas atividades do comércio e da prestação de serviços na cidade, como clínicas odonto­lógicas e de estética, salões de beleza (cabeleireiros), barbe­arias, clínicas de podologia e lojas de tecido e aviamento.

A magistrada concedeu liminar em ação civil pública impetrada pelo promotor da Saúde Pública de Ribeirão Pre­to, Sebastião Sérgio da Silveira. O decreto do prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) de segun­da-feira (27), quando o tucano anunciou um cronograma de retomada gradual das ativida­des econômicas na cidade.

O promotor diz que não participou das discussões, não foi consultado e não concorda com a liberação de algumas atividades, como sa­lões de cabeleireiros, barbea­rias e clínicas de estética. Na semana passada, o Tribuna já havia divulgado que a Pro­motoria de Saúde Pública era contrária à flexibilização. Sil­veira havia recomendado que a prefeitura de Ribeirão Preto deixasse de adotar qualquer medida de relaxamento das regras de isolamento social determinadas nos decretos estadual e municipal que tra­tam da quarentena.

Na recomendação, o repre­sentante do MPE considera que eventuais medidas libe­ratórias dos municípios, sem respaldo em estudos técnicos e fora dos limites impostos pela legislação estadual, podem ti­pificar ato de improbidade ad­ministrativa. Em sua decisão, a juíza Lucilene Aparecida Ca­nella de Melo argumenta que os baixos índices de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais de Ribeirão Preto e de pacien­tes com síndrome respiratória aguda grave (Srag), conforme citados no decreto, são resulta­dos das medidas de isolamento social adotadas anteriormente.

“A previsão de pico da epidemia em Ribeirão Preto não se concretizou até o mo­mento, muito provavelmente por conta dos resultados po­sitivos do isolamento social imposto pelo decreto de ca­lamidade pública”, diz, ressal­tando que o interior paulista, conforme apontam estudos do Comitê de Contingencia­mento do Coronavírus do Estado, está entre duas a três semanas atrás do pico regis­trado na capital, o que torna prudente a manutenção do distanciamento social.

“Existe uma sensação no interior de que ele é protegido [contra o coronavírus], como se algo que acontece aqui na capital não fosse acontecer no interior. E isso de fato não é real”, afirmou nesta terça-feira (28) o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, Carlos Fortaleza, também integrante do Centro de Contingência.

Em coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta terça-fei­ra (28), o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência, alertou para a difusão da pandemia para o interior e ressaltou a importân­cia das medidas de contenção adotadas pelo governo, como a quarentena. “A pandemia no interior está atrasada em rela­ção ao município de São Pau­lo e à área metropolitana em mais ou menos duas sema­nas. Por quê? Por conta das medidas de isolamento social que foram adotadas precoce­mente no Estado de São Pau­lo. Isso fez com que houvesse uma contenção”, disse.

Por meio de nota, a prefei­tura informa que “as adequa­ções às medidas de quarentena publicadas no decreto nº 100, de 28 de abril, foram ampara­das em deliberações do Comitê Técnico de Contingenciamen­to da Covid-19 e do Grupo de Transição e Retomada Pós­-Covid, considerando, ainda, as deliberações externadas pelo Comitê Administrativo Extraordinário Estadual Co­vid- 19, bem como os Boletins Epidemiológicos de autoria da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde”.

Ressalta que, “de fato, segundo dados fornecidos pela Secretaria Municipal da Saúde, a curva de casos para covid-10, em Ribeirão Pre­to, tem permanecido estável. O boletim desta terça-feira, dia 28, apresenta 270 casos confirmados e sete óbitos, ou seja, uma morte para cada 100 mil habitantes, indicando taxa de letalidade de 2,7%. A adequação para abertura de alguns estabelecimentos es­pecíficos esteve condicionada à adoção de rígidas medidas sanitárias, para evitar a pro­pagação da doença, tais como o uso de máscaras, observân­cia de uma pessoa para cada 10 metros quadrados de área de atendimento e distancia­mento de dois metros entre as pessoas”, informa.

“No caso dos salões de cabeleireiros e similares, so­mente foi autorizado o aten­dimento com hora marcada, sem espera e com total assep­sia do local entre os clientes. Porém, diante da decisão ju­dicial que deferiu a liminar requerida pelo Ministério Público, a partir de agora, a prefeitura deve seguir in­tegralmente as medidas de quarentena estabelecidas em decreto do governo do Esta­do de São Paulo.”

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

VÍDEO – Encontrado idoso que desapareceu na Santa Casa

Luque

Idoso desaparece dentro da Santa Casa de RP

Luque

Motociclista fica gravemente ferido após acidente na zona Sul

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade