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Liminar barra aulas presenciais

FERNANDO GONZAGA/ARQUIVO CCS

O juiz João Baptista Cilli Fi­lho, da 4ª Vara do Trabalho de Ribeirão Preto, concedeu limi­nar nesta quinta-feira, 25 de fe­vereiro, e suspendeu o retorno das aulas presenciais na rede municipal de ensino. A volta dos alunos previsto às escolas está marcada para a próxima segunda-feira, 1º de março.

A liminar atende a uma ação civil coletiva impetrada pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis (SS­M-RPGP), contrário à volta de parte dos 46.228 alunos matriculados este ano em 110 escolas vinculadas à Secretaria Municipal de Educação.

O sindicato justifica a ini­ciativa citando a pandemia de coronavírus na cidade e o fato de a prefeitura de Ribeirão Preto ter, segundo a entidade, deter­minado o retorno sem garantir condições de segurança sanitá­ria eficazes para os professores, servidores e estudantes.

Na decisão liminar, o juiz determina também a suspen­são do início das aulas nas unidades sob a gestão de Or­ganizações da Sociedade Civil (OSC). A cidade tem 22 esco­las conveniadas. O sindicato argumenta que é difícil falar em ambiente escolar seguro para o retorno presencial das aulas sem a testagem e a vaci­nação em massa.

Essas duas ações sanitárias estão longe de serem alcança­das neste momento. Em sua decisão, o magistrado enten­de que o requerente, ou seja, o Sindicato dos Servidores, demonstrou que as medidas eficazes não foram, ainda, pro­videnciadas pelo município.

Entre elas, cita o forneci­mento de máscaras de quali­dade que realmente protejam e em quantidade suficiente diante do número de profis­sionais da rede, além da ne­cessidade de troca do equipa­mento durante o trabalho. Na ação, o sindicato aponta, por exemplo, um déficit de 1.820 equipamentos de proteção facial em apenas dois dias de aulas presenciais.

Isso considerando as com­pras anunciadas pelo muni­cípio em comparação com o número de trabalhadores das escolas. Na ação, o SSM-RPGP cita também reportagem do Tribuna publicada em 28 de ja­neiro. A matéria revela que das 110 escolas municipais, 66 con­tam com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Segundo a entidade sindi­cal, esta situação ameaçaria a segurança dos alunos, profes­sores e servidores. Porém, a falta de AVCB não é um fato novo e nem recente. Já faz anos que as unidades escolares do município não contam com o alvará dos bombeiros, assim como outros prédios públicos, inclusive a Câmara de Verea­dores.

Na decisão, o juiz João Baptista Cilli Filho determina que a prefeitura comprove a adoção de todos os protoco­los sanitários exigidos através de laudos subscritos por três médicos infectologistas. Para elaboração dos documentos, os profissionais eles terão de visitar todas as escolas que se­rão utilizadas, certificando que todas estão adequadas para o retorno das aulas presenciais com segurança.

Os peritos terão de cons­tatar e aprovar, ainda, que professores e sefrvidores destes estabelecimentos edu­cacionais receberão equipa­mentos de proteção adequa­dos como máscaras, luvas, cobertura facial e de pés e ál­cool gel. O descumprimento da decisão liminar resultará em crime de desobediência pelo prefeito Duarte Noguei­ra (PSDB) e a aplicação da multa de R$100 mil por dia de descumprimento.

A Secretaria Municipal da Educação afirmou por nota que ainda não foi notificada da decisão. Na semana passada, em visita à Câmara, o secretá­rio Felipe Elias Miguel afirmou que os cerca de três mil pro­fessores da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto serão testados para o coronavirus a partir do retorno das aulas pre­senciais. Os servidores tam­bém passarão pela testagem.

Sobre a inclusão dos pro­fissionais da educação na lista de prioritários da vacinação, o prefeito Duarte Noguei­ra (PSDB) apresentou a de­manda para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na sexta-feira (19), em reunião virtual da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Ribeirão Preto, segundo a secretaria, tem cerca de 300 servidores com mais de 60 anos.

Uma pesquisa que está sendo realizada pela Secre­taria Municipal da Educação revela que 76,2% dos pais ou responsáveis pelos alunos matriculados na rede munici­pal de ensino concordam com o retorno as aulas presenciais em 1º de março. O resultado é parcial, já que o levantamento não foi concluído.

Até agora, 6.639 pesso­as participaram do levanta­mento. Deste total, 5.056, ou 76,2%, são a favor do retorno das aulas presenciais. Já 1.583, número que corresponde a 23,8% do universo pesquisa­do, são contrários. De acordo com o levantamento parcial, 2.234 pessoas com filhos na educação infantil do municí­pio participaram da pesquisa.

Deste total, 1.872 são fa­voráveis ao retorno, número equivalente a 83,8%, enquan­to 362 são contra – ou seja, 16,2%. Já no ensino funda­mental, são 4.405 partici­pantes até agora, sendo que 3.184 querem que os filhos retornem presencialmente às escolas, 72,3% dos pais e res­ponsáveis. Outros 1.221 pre­ferem as aulas virtuais, 27,7% deste total.

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