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Butanvac é segura e tem imunogenicidade potente

Ensaios clínicos de fase 1 realizados na Tailândia de­monstraram que a Butanvac, nova candidata à vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan, é segura e tem imunogenicidade potente. Os resultados foram descritos em artigo publicado no último dia 22 de setembro na platafor­ma de preprints MedRxiv.

Participaram pesquisadores da Universidade Mahidol, de Bangkok (Tailândia), da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, de Nova York (EUA), e da Uni­versidade do Texas, em Austin (EUA). Chamada internacio­nalmente de NDV-HXP-S, a Butanvac está sendo testado também no Vietnã, além de Tailândia e Brasil.

De acordo com o estudo tailandês, randomizado e con­trolado por placebo, todas as formulações da candidata à vacina foram bem toleradas nos 210 voluntários. Ao todo, 82 homens e 128 mulheres en­tre 18 e 59 anos tomaram duas doses com intervalo de 28 dias. Houve efeitos adversos em menos de um terço dos par­ticipantes. Os sintomas mais frequentes foram dor e sensibi­lidade (mais comuns nos que receberam a maior dosagem), fadiga, cefaleia e mialgia.

Para o médico sanitaris­ta e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, o número de participantes para a fase 1 não só é adequado, como o sucesso da Butanvac na fase 1 era espe­rado. Isso porque, explica, “os estudos pré-clínicos indicam como caminharão os testes em fase 1 e 2”, o que acaba evitan­do grandes surpresas.

“O problema poderá ocor­rer na fase 3”, relata Vecina, dando destaque para a etapa que indica a eficácia da vaci­na contra a covid-19. Tradi­cionalmente, a fase 1 de um ensaio clínico atesta apenas a segurança de uma vacina e sua seleção de dose, ou seja, qual a dosagem que desperta a me­lhor resposta no organismo.

Com base nos resultados do estudo, as formulações de 3 μg e 3 μg mais adjuvante fo­ram selecionadas para serem avaliadas na próxima etapa do ensaio clínico, a fase 2. “Mos­tramos que a vacina candida­ta NDV-HXP-S inativada tem um perfil de segurança aceitá­vel e é altamente imunogênica. Esta vacina pode ser produzi­da a baixo custo em qualquer instalação projetada para a produção de vacina inativada do vírus da influenza”, dizem os autores no artigo.

No Brasil, os ensaios clí­nicos da Butanvac também já estão em andamento. A etapa A da fase 1 está sendo realizada em Ribeirão Preto, Guaxupé (MG), São Sebastião do Paraí­so (MG) e Itamogi (MG). Para participar, é preciso ter mais de 18 anos, nunca ter tido co­vid-19, não ter sido vacinado contra o Sars-CoV-2, não ser alérgico a ovos e frango e não estar grávida ou ser lactante.

Na etapa B, poderão par­ticipar inclusive pessoas vaci­nadas ou que já tenham sido infectadas pelo coronavírus, informou o Instituto Butantan. Nesta fase, os trabalhos estão sendo coordenados pelo He­mocentro de Ribeirão Preto com 418 voluntários “paulistas e mineiros”

Sobre a Butanvac
A tecnologia da Butanvac utiliza o vírus da doença de Newcastle, uma enfermidade de aves, geneticamente modi­ficado. O vetor viral contém a proteína Spike do coronaví­rus de forma íntegra. O de­senvolvimento complemen­tar da vacina será todo feito com tecnologia do Butantan, sem a necessidade de impor­tação do Insumo Farmacêuti­co Ativo (IFA).

Incluindo a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação dos ovos, conservação, purifica­ção, inativação do vírus, esca­lonamento de doses e outras etapas. A técnica, segundo o Butantan, é barata, sendo uma de suas especialidades: o ins­tituto produz anualmente 80 milhões de vacinas da gripe usando ovos.

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