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RP pode cobrar IPTU de aeroporto

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O consórcio Voa-SP, for­mado pelas empresas Voa NW e Voa SE e que venceu o leilão para administrar o Aeroporto Estadual Doutor Leite Lopes, em Ribeirão Preto, pelos pró­ximos 30 anos, pode ter de pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do local a partir de 2022.

O requerimento determi­nando que o aeroporto co­mece a pagar o tributo mu­nicipal foi feito ao Executivo pelo presidente da Câmara de Vereadores, Alessandro Ma­raca (MDB). Segundo o par­lamentar, com a concessão nada mais justo que o con­sórcio pague o IPTU. Admi­nistrado pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) o Leite Lopes tem isenção do imposto.

Com a concessão, a Agên­cia de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) será a reguladora do setor. O reque­rimento de Maraca foi proto­colado nesta terça-feira, 9 de novembro, e o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) tem 15 dias para responder. Como o aero­porto passará para a iniciativa privada, especialistas ouvidos pelo Tribuna afirmam que o pagamento do imposto deverá ser cobrado pelo município.

Ressaltam que a isenção dependeria de nova lei muni­cipal específica. Outras cida­des, como Campinas, cobram IPTU dos aeroportos que são geridos pela iniciativa privada com base em decisão da Justiça para áreas concedidas a em­presas privadas que obtêm lu­cro. Em 2018, o Supremo Tri­bunal Federal (STF) concluiu dois julgamentos sobre o caso. Um deles discutia o recolhi­mento do tributo da Petrobas sobre um espaço arrendado da União no Porto de Santos.

O Supremo entendeu que não fazia sentido estender a imunidade recíproca de tribu­tação entre entes federados às empresas de direito privado, como a Petrobras, que usam o espaço para fins comerciais. O STF concluiu que uma conces­sionária de veículos instalada no Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, também de­veria pagar IPTU. Ambas as decisões foram de repercussão geral e, desde então, valem para todos os casos semelhantes.

No sábado, 6 de novem­bro, a Artesp homologou o resultado do leilão dos aero­portos administrados pelo Daesp, realizado em 15 de ju­lho segundo o Diário Oficial do Estado (DOE). De acordo com o edital, os consórcios vencedores estão sendo con­vocados para assinar os con­tratos em até 30 dias, prorro­gáveis a critério da agência.

O grupo Voa SP é formado pelas empresas Terracom Con­cessões e Participações Ltda, Nova Ubatuba Empreendimen­tos e Participações Ltda, MPE Engenharia e Serviços S/A e Estrutural Concessões de Rodo­vias Ltda. Na última sexta-feira (5), por meio de nota, a Artesp anunciou ao Tribuna que o con­sórcio só assumirá o Leite Lopes no início do ano que vem.

Os investimentos terão início logo após a conclusão do plano de transição opera­cional. O leilão do Leite Lopes foi realizado em 15 de julho, na sede da B3, na Bolsa de Va­lores do Brasil, em São Paulo. O aeroporto local é classifica­do pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), como sendo da categoria 4C.

Este tipo de aeroporto permite a operação de aerona­ves dos modelos Airbus A320, A321 e Boeing 737-800, que são os mais utilizados em voos den­tro da América do Sul. As obras no Leite Lopes contemplarão a ampliação do terminal de pas­sageiros, que passará de 500 passageiros por hora durante o horário de pico para 785.

O projeto prevê ainda a expansão em dois mil metros quadrados da área útil. A am­pliação permitirá movimentar mais de dois milhões de usuá­rios ao ano. Cerca de R$ 37,7 milhões serão investidos nos primeiros quatro anos de con­cessão, segundo a Artesp.

Para o primeiro ano, as principais intervenções pre­vistas estão concentradas em melhorias nas pistas de pouso e decolagem dos aeroportos, especialmente para recapea­mento, iluminação e repintura, assegurando padrões de segu­rança aos usuários dos aero­portos. Estes serviços envol­vem a pista principal, área de taxiamento e pátio, adequação de segurança, Papi (sistema de aproximação visual) e sinaliza­ções horizontais e verticais.

O Leite Lopes é um dos 22 aeroportos regionais que eram administrados pelo Daesp – autarquia vinculada à Secreta­ria de Logística e Transportes. O leilão dos aeródromos foi dividido em dois blocos – No­roeste e Sudeste. Ribeirão Pre­to estava no Grupo Sudeste, composto por mais dez uni­dades: Bauru-Arealva, Marília, Araraquara, São Carlos, Soro­caba, Franca, Guaratinguetá, Avaré-Arandu, Registro e São Manuel. O consórcio vai pagar R$ 14.737.486,00 para assumir a gestão do Leite Lopes e dos outros aeródromos.

A concessão do Aeropor­to Leite Lopes deverá resultar em investimento total de R$ 130.282.812,00. O edital para concessão dos onze aeroportos do Grupo Sudeste prevê um total de R$ 266.579.190,00. Ou seja, 48,9% dos recursos serão aplicados no de Ribeirão Preto. O terminal de passageiros, por exemplo, deverá receber em um prazo de 20 anos um total de R$ 88.130.434,00. O investi­mento foi dividido em biênios.

Outros setores do Leite Lopes também receberão in­vestimentos. Entre as obras previstas estão o recapeamen­to, iluminação e repintura da pista de pouso, no valor de R$ 20.276,645,00, estacionamento de veículos (R$ 8.810.986,00) e medidas contra o ruído aero­náutico (R$ 3.217.625,00).

A concessão à gestão da ini­ciativa privada prevê a prestação dos serviços públicos de opera­ção, manutenção, exploração e ampliação da infraestrutura aeroportuária estadual. O con­trato prevê modelo de remune­ração tarifária e não tarifária.

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