Tribuna Ribeirão
DestaquePolítica

Grupo notifica Prefeitura que não tem dinheiro para restaurar Hotel

Notificações extrajudiciais do proprietário do antigo Hotel Brasil foram enviadas para o prefeito Duarte Nogueira e também para o presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) de Ribeirão Preto

O Grupo M. Marcondes Participações S.A, proprietário do antigo Hotel Brasil, localizado na esquina da avenida Jerônimo Gonçalves com a rua General Osório, na região da baixada da cidade, notificou extrajudicialmente o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) e o presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) de Ribeirão Preto, Lucas Gabriel Pereira.

Nos documentos, a quais o Tribuna teve acesso, a diretora presidente, Silvia de Toledo Julião Marcondes, afirma que o Grupo não tem capacidade financeira para custear as obras de restauro e reparação do imóvel tombado como patrimônio histórico e cultural.

O Grupo M. Marcondes é proprietário do Drogão Super uma rede composta por 55 drogarias espalhadas por todo interior de São Paulo, em cidades como Franca, Campinas, Araraquara, além de Ribeirão Preto e no Estado de Minas Gerais.

Na notificação, ela argumenta que no caso dos imóveis tombados na cidade, quando os proprietários não tiverem condições de arcar com o restauro – e quando ele for essencial -, as obras deverão ser custeadas pela prefeitura.

Cita que esta obrigatoriedade foi estabelecida pela Lei Complementar Municipal 2.799 de 2016. A lei que dispõe sobre o Sistema Municipal de Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto foi aprovada pelos vereadores e sancionada – em 14 de dezembro de 2016 – pela então prefeita interina Gláucia Berenice (na época no PSDB).

A vereadora assumiu o cargo após afastamento pela Justiça – na Operação Sevandija – da prefeita Dárcy Vera e a renúncia em assumir o cargo pelo então vice-prefeito Marinho Sampaio (MDB). Glaucia era presidente da Câmara e com a renúncia do vice, a primeira na linha sucessória a assumir a prefeitura.

A notificação cita ainda o 19 do Decreto Lei Federal número 25 de 1937. O referido artigo diz que “o proprietário de coisa tombada, que não dispuser de recursos para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, levará ao conhecimento do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a necessidade das mencionadas obras. Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandará executá-las, a expensas da União”, diz. Como o Hotel Brasil é um patrimônio histórico municipal a reforma seria de responsabilidade da prefeitura, no caso da aplicação desta lei.

A notificação para o Conppac foi feita no dia 11 de junho e tem como objetivo evitar que o Grupo continue sendo notificado pelo Colegiado sobre o restauro. Já a mais recente notificação da prefeitura foi realizada no dia 17 de abril.

Nela o grupo afirma que apesar de ter comprovado legalmente para a administração municipal a insuficiência financeira para realizar as obras, o município ajuizou uma Ação contra o Grupo na 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto. Na ação a prefeitura quer que a Justiça obrigue os proprietários a fazerem o restauro. Outras duas notificações já haviam sido enviadas para o governo municipal.

Desde o ano passado a Vara da Fazenda Pública e Autarquias Estaduais da Comarca de Juiz de Fora, Minas Gerais, já tentou leiloar o Hotel – por quatro vezes – para o pagamento de dívidas tributárias do Grupo Maurício Marcondes e da DrogaVida. O empresário faleceu em 2016.

O Hotel faz parte de um lote de cinco imóveis do grupo que tem sido colocado em leilão, mas sem sucesso. Quatro imóveis ficam na região central da cidade e um deles na Avenida Nove de Julho, na zona Sul.

Construído em 1921, o antigo Hotel Brasil está desativado e abandonado há 30 anos. Foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) em agosto de 1991. Conhecido por ter hospedado autoridades políticas e times de futebol como o Boca Juniors e River Plate, da Argentina, e Vasco da Gama entre os anos 1930 e 1955 – de acordo com informações do Arquivo Histórico Municipal.
Atualmente, a estrutura apresenta portas e janelas quebradas, além do teto danificado. De acordo com advogado Lucas Gabriel Pereira, presidente do Conppac, desde a desativação do hotel foram realizadas várias tentativas para a ocupação do espaço.

Entretanto, nenhuma delas deu resultado. A mais recente, segundo ele, aconteceu em 2010, quando a prefeitura de Ribeirão Preto tentou realizar uma permuta com os proprietários e instalar um centro cultural no local.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Cachaça atravessa cinco séculos como símbolo brasileiro

Redação

Festival Nacional de Teatro reúne espetáculos gratuitos

Redação

Correios enfrentam paralisação nacional

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade