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Piso da Nove de Julho voltar a afundar

Max Gallão Mesquita
Galerias pluviais não foram capazes de dar vazão e escoar todo volume de água da chuva oriundo de ruas acima da via: paralelepípedos afundaram

Por causa das fortes chuvas, o piso de paralelepípedo voltou a ceder ao lado de bueiros, forçando a sinalização do trecho

O motorista que passa pelo cruzamento da avenida Nove de Julho com a rua Marechal Deodoro, no Centro de Ribeirão Preto, precisa ter paciência. Por causa das fortes chuvas, o piso de paralelepípedo voltou a ceder ao lado de bueiros, forçando a sinalização do trecho.

Três pontos foram sinalizados: dois no cruzamento da pista Centro-avenida Independência e um no sentido contrário (Independência-Centro). Em um dos pontos o paralelepípedo soltou e o piso começou a afundar. Os outros dois ficam próximos a bueiros. 

A prefeitura de Ribeirão Preto instalou cones para sinalizar sinalizou o trecho.  A empresa responsável já foi notificada para executar vistoria na avenida e manutenções no local, segundo nota enviada semana passada ao Tribuna.  Os problemas na Nove de Julho renderam denúncia ao Ministério Púbico de São Paulo (MPSP).

O presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) de Ribeirão Preto, Lucas Gabriel Pereira, protocolou pedido de investigação, com abertura de inquérito civil, por suposta improbidade administrativa cometida na gestão do ex-prefeito Duarte Nogueira (na época no PSDB e hoje no PSD).

A denúncia foi protocolada em 23 de janeiro para a promotora do Patrimônio Histórico, Ana Carla Fróes Ribeiro Tosta, e tem como objeto as obras de reforma e restauração da avenida Nove de Julho, licitada e iniciada na gestão Duarte Nogueira – governou a cidade de 2017 a 2020 e de 2021 a 2024.

Entre o final de dezembro e o início deste ano, as fortes chuvas forte que atingiram a cidade provocaram inundação em parte da avenida. As galerias pluviais não foram capazes de dar vazão e escoar todo volume oriundo de ruas localizadas acima da via, como a João Penteado. 

Já os paralelepípedos de alguns trechos da avenida também estão afundando ou se soltando.  Segundo a administração Ricardo Silva (PSD), a Secretaria Municipal de Obras Públicas já notificou a Construtora Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda. sobre os problemas.

De acordo com pasta, a obra está dentro do prazo de garantia contratual e caso os problemas não sejam solucionados a empresa poderá ser acionada judicialmente. As obras na avenida Nove de Julho começaram em 23 de julho de 2023. Em dezembro do mesmo ano, 40% dos trabalhos deveriam estar concluídos.

Porém, apenas 8% foram realizados pela Construtora Metropolitana, que teve o contrato rescindido unilateralmente péla prefeitura sob o argumento de não cumprimento do cronograma definido em contrato. A empresa Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda. venceu o novo certame lançado pela administração com a proposta no valor global de R$ 32.411.776,19.

A economia foi de 5,63% em relação ao custo estimado inicialmente em edital, de R$ R$ 34.344.037,88, desconto de R$ 1.932.261,69. Porém, o acréscimo chega a R$ 1.279.674,42. Houve aumento de 4,11% em relação aos R$ 31.132.101,77 propostos pela Construtora Metropolitana, que recebeu R$ 2.517.675,94 – o valor remanescente era de R$ 28.614.425,83.

No total, a obra custou R$ 34.929.452,13 aos cofres públicos. A avenida foi liberada ao tráfego no final de março do ano passado. A assessoria do ex-prefeito Duarte Nogueira afirma, em nota, que eventuais problemas estruturais ou vícios construtivos devem ser analisados considerando quem detinha a responsabilidade administrativa no momento da finalização, da aceitação técnica e da liberação da obra.

“As obras na avenida Nove de Julho foram iniciadas durante a administração municipal 2017-2024, com projetos técnicos elaborados por equipes especializadas, devidamente aprovados e acompanhados conforme a legislação vigente. A conclusão da obra ocorreu já sob responsabilidade da atual administração, que assumiu a condução final dos serviços, os ajustes executivos, a fiscalização e a entrega à população”, diz o texto.

Afirma ainda que o projeto original previa a implantação de uma nova galeria de drenagem pluvial interligando a avenida Nove de Julho à Américo Brasiliense. “Contudo, essa interligação não foi executada, mantendo o escoamento das águas em rede antiga e subdimensionada, o que pode comprometer o desempenho hidráulico do sistema”, cita.

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