Valdir Avelino *
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A assembleia geral realizada na sede do nosso sindicato no início desta semana marcou um momento decisivo para os servidores municipais de Ribeirão Preto. Com participação expressiva de trabalhadoras e trabalhadores de múltiplos setores, a categoria aprovou coletivamente a pauta de reivindicações que norteará a Campanha Salarial 2026.
Não foi apenas uma votação formal, mas um ato de decisão democrática, construído com responsabilidade e consciência profunda sobre o que significa lutar pela valorização.
Antes de chegar à assembleia, a nossa diretoria realizou uma série de reuniões setoriais que ouviram os trabalhadores de cada setor. Cada encontro trouxe contribuições valiosas, histórias reais, necessidades concretas que moldaram a pauta final.
A vida tem nos mostrado que os direitos dos servidores públicos não se mantêm por si só. Direitos e anseios precisam de organização constante, de vigilância permanente e de uma estrutura que defenda os interesses da categoria com seriedade. É nesse contexto que o sindicato tem um papel central, como a voz coletiva que transforma servidores em uma força maior e organizada.
Em diversos países, cresce a compreensão de que trabalhadores organizados conseguem melhores condições de trabalho, maior equilíbrio nas negociações e proteção social mais robusta. A precarização das relações de trabalho, a terceirização desenfreada e as tentativas constantes de reduzir direitos conquistados tornaram os sindicatos mais relevantes do que nunca.
Os servidores reivindicam a reposição das perdas salariais acumuladas ao longo dos anos, com revisão anual pelo IPCA e aumento real que garanta poder de compra. Não é privilégio o que se pede aqui, mas justiça básica. A inflação corrói silenciosamente o salário de quem trabalha, e recuperar essas perdas significa reconhecer que o servidor merece manter sua dignidade econômica. Também está na pauta a reivindicação de aumento real de salário.
O reajuste do vale-alimentação e a ampliação do vale nutricional para aposentados e pensionistas vêm ao encontro das necessidades e dos anseios dos nossos aposentados. Esses valores não são caprichos, são necessidades básicas de quem trabalha e constrói diariamente nossa cidade.
Um ponto que merece destaque é a reivindicação de extensão aos servidores do mesmo índice inflacionário concedido aos agentes políticos em anos anteriores. Se os agentes políticos receberam recomposição salarial, por que o servidor efetivo, ativo ou inativo, não merecem o mesmo tratamento? Essa questão toca em um princípio fundamental: a isonomia. Quando a lei reconhece a inflação para alguns, mas nega para outros, cria-se uma injustiça que o sindicato não pode aceitar silenciosamente.
A pauta também aborda a recontagem do período congelado, o cumprimento das promoções previstas no Plano de Cargos, Carreiras e Salários, o preenchimento das vagas em aberto — tudo isso representa anos de trabalho que não foram adequadamente reconhecidos. Há também a valorização especial de quem está próximo da aposentadoria, a correção de cálculos que geraram prejuízos financeiros e o pagamento de licenças-prêmio que ficaram em atraso.
O restabelecimento das onze faltas abonadas é outra reivindicação importante que merece explicação. Essas faltas não são privilégio, mas reconhecimento de que o servidor é um ser humano com necessidades legítimas — consultas médicas, questões familiares, situações imprevistas que a vida coloca. A pauta também defende o pagamento do vale-alimentação nos afastamentos considerados como efetivo exercício, reconhecendo que o servidor continua precisando se alimentar mesmo quando afastado por motivos legítimos.
Há propostas que falam de humanidade, como a instituição da folga no dia do aniversário. Parece simples, mas representa algo profundo: o reconhecimento de que valorizar o servidor passa também por cuidar de sua saúde mental e qualidade de vida.
Outras reivindicações incluem a valorização do adicional de insalubridade para quem trabalha em condições difíceis, a equiparação justa de cargos e a extensão de gratificações que hoje não alcançam todos os servidores.
O sindicato também reafirma sua posição contra a privatização da SAERP e contra a ampliação das terceirizações e da pejotização no serviço público. Essas lutas não são apenas corporativistas — são defesa do direito da população a um serviço público de qualidade. Quando o Município terceiriza, precariza e fragmenta, quem sofre é o cidadão que depende desses serviços. Um servidor estável, bem remunerado e motivado presta melhor atendimento. Isso é interesse público, não interesse corporativo.
Agora começa a etapa de negociação com o Governo Municipal. Será um processo que exigirá firmeza e, acima de tudo, participação contínua da categoria. Quanto mais unidos os servidores estiverem, mais força terá o sindicato na mesa de negociação. A história mostra que administrações municipais respondem quando sentem a pressão organizada de uma categoria mobilizada. Por isso, a luta que se inicia agora depende de cada servidor, de cada servidora que compreende que sua participação não é opcional, mas necessária.
Em tempos em que o mundo redescobre a importância dos sindicatos como instrumentos de equilíbrio nas relações de trabalho, o sindicato dos servidores municipais reafirma seu compromisso inabalável: defender cada servidor e cada servidora com seriedade, responsabilidade e firmeza. Porque não existe cidade forte sem servidor valorizado.
*Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

