Por: Adalberto Luque –
Os sete indiciados pela morte do empresário Nelson Francisco Carreira Filho, de 44 anos, ocorrido em 16 de maio do ano passado, na cidade de Cravinhos. A reportagem apurou que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) teria se posicionado favorável à realização de júri popular para os sete indiciados na investigação concluída pela Polícia Civil.
Desta forma, o também empresário Marlon Couto Paula Júnior, de 27 anos, pode ser julgado à revelia pela morte de Nelson. Ele foi acusado de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e falsidade ideológica. Ele está foragido desde 27 de maio de 2025 e a Polícia Civil suspeita que ele esteja fora do Brasil.
Além dele, se a Justiça acatar, devem ser levados a júri popular os outros envolvidos no homicídio: Tadeu Almeida Silva (gerente de Marlon) – suspeito de ajudar o chefe a enrolar o corpo de Nelson em lonas antes de ser jogado no rio; Marcela Almeida (esposa de Marlon) – suspeita de ir com o marido para São Paulo, no dia seguinte ao desaparecimento, prestar apoio à família da vítima; Felipe Miranda (amigo) – suspeito de ajudar Marlon a jogar o corpo da vítima no rio; Murilo Couto (irmão de Marlon) – indiciado por falsidade ideológica e ocultação de cadáver; Marlon Couto Paula e Lilian Patrícia Paula (pais de Marlon) – indiciados por favorecimento pessoal.

As informações foram levantadas pela reportagem do Tribuna Ribeirão. Todavia, o MP se limitou a informar que o processo está sob segredo de justiça, com informações e documentos de acesso restrito às partes e advogados.
Entenda o caso
Nelson Francisco Carreira Filho, de 44 anos, atuava na venda online de suplementos alimentares. Segundo sua família, ele vinha semanalmente a Cravinhos para reuniões de negócios com Marlon Couto.
Em 16 de maio, desapareceu depois de ir para Cravinhos. Desde então não foi mais visto. Marlon disse que Nelson esteve em sua empresa, mas foi embora com pressa, após receber um telefonema da esposa lembrando que teriam um compromisso em São Paulo.
Seu carro foi fotografado em praças de pedágio e em um radar que flagrou uma infração de trânsito próximo ao apartamento de Nelson. O carro foi abandonado em uma rua na zona Norte, com os vidros traseiros abertos, sem sinal de arrombamento ou violência.
Dias depois, Tadeu admitiu, em depoimento, que ele ouviu o tiro e viu Nelson morto. Por ordem de Marlon, enrolou o corpo em uma lona, ajudou a limpar e depois foi com o carro de Nelson para a Capital, onde o abandonou.
Tadeu disse que os dois teriam desavenças em relação à marca de um produto fabricado por Marlon, mas que usava a marca pertencente a Nelson.
Tadeu foi preso em 29 de maio. Em carta, Marlon admitiu ter matado Nelson porque seria agredido após discussão entre ambos. Depois teria jogado seu corpo no Rio Grande, em Miguelópolis, onde tem um rancho. Ele também disse que Marcela não sabia de nada quando foi com ele para a Capital.
Marcela se apresentou em 4 de junho. Em depoimento confirmou que não sabia, mas foi presa e levada para a Cadeia Pública de São Joaquim da Barra. Tempos depois sua defesa conseguiu que ela respondesse em liberdade.
No curso das investigações, outros suspeitos foram presos, entre eles um amigo e o irmão de Marlon. O Corpo de Bombeiros realizou buscas por vários dias no Rio Grande, no local indicado pelo amigo que ajudou a jogar o corpo de Nelson o Rio Grande. Mas não localizou nada.
A Polícia Civil concluiu que Nelson foi atraído para uma emboscada. A defesa de Marlon chegou a alegar que ele se apresentaria caso se sentisse seguro, mas isso nunca ocorreu.

