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Dívidas afetam 40% dos apostadores

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Quatro em cada dez apostadores, ou 39,7%, se endividaram após o início do relacionamento com sites de jogos e apostas online, as chamadas bets

Segundo o Procon-SP, 62,2% já enfrentaram problemas com a empresa que oferta jogos e apostas; principal é se recusar a pagar o prêmio

Levantamento realizado pela Fundação Procon de São Paulo revela que quatro em cada dez apostadores, ou 39,7%, se endividaram após o início do relacionamento com sites de jogos e apostas online, as chamadas bets. O indicador faz parte da segunda edição da pesquisa comportamental sobre o tema, respondida por 2.724 consumidores entre 4 de dezembro do ano passado e 9 de janeiro.

Como na edição de 2025, entre os apostadores, mantém-se o perfil de geralmente ser: público masculino (61,8%), de até 44 anos (82,5%), com renda de até dois salários mínimos (38,6%). A diferença entre os levantamentos é que houve um aumento no valor das apostas: 30,1%, em média, consome mais de R$ 1.000 por mês.

Outro destaque é sobre o perfil dos apostadores que informam já ter se endividado em razão de jogos e apostas: mulheres (53,9%) de até 30 anos (44,7%) com renda de até dois salários mínimos (46,8%). A diretora adjunta de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, Elaine da Cruz, fala sobre o resultado

“Esse é um dos pontos mais expressivos em comparação com 2025 e reforça a importância de um monitoramento contínuo deste mercado e de indicadores sobre essas relações de consumo para proteger o cidadão”, argumenta Elaine da Cruz.

Também são abordados no relatório o recebimento de ofertas nas redes sociais e/ou celular; o hábito de jogar e/ou apostar; o valor mensal gasto com jogos e apostas; o comprometimento da renda; a influência da publicidade; problemas gerados pelas empresas; e o endividamento ocasionado pelos jogos e apostas online.

O levantamento apontou sinais de alerta no comportamento do público que responder realizar apostas: 56,6% dizem se sentir influenciados por propagandas com celebridades ao realizar apostas.

Outros 62,2% já enfrentaram problemas com a empresa que oferta jogos e apostas. O principal é se recusar a pagar o prêmio. Além disso, 52,4% alegam já ter comprometido boa parte da renda, utilizando dinheiro aplicado ou empréstimo para jogar.

De caráter educativo, o levantamento servirá de base para orientações ao público e para futuras ações do órgão, incluindo iniciativas de fiscalização, prevenção ao endividamento e educação para o consumo responsável. Vale ressaltar que o tema gerou repercussão espontânea, à medida que houve um aumento de cerca de 78% respondentes entre as edições anuais.

Apesar da criação de arcabouço regulatório em 2025, o comparativo entre as pesquisas neste período revela a persistência e aumento em alguns indicadores de risco. Por exemplo, as decisões dos entrevistados em jogar e/ou apostar seguem fortemente influenciadas por publicidades com celebridades – índice que passou de 52% em 2025 para 57% em 2026.

Neste levantamento, também foi questionado se os entrevistados que declararam saber que o Procon-SP atua nesse tipo de demanda conhecem os canais de atendimento do órgão. A grande maioria indicou o atendimento online como principal forma de acesso.

Regras e orientações – A legislação assegura aos apostadores todos os direitos dos consumidores previstos no Código de Defesa do Consumidor; como direito à informação adequada sobre como jogar, as condições e os requisitos para acerto de prognóstico, resgate dos valores, aferição do prêmio; sobre os riscos de perda dos valores das apostas e à ludopatia.

É importante que o consumidor tenha conhecimento de todas as regras como também dos riscos de cada modalidade de jogos e apostas ofertadas e autorizadas a trabalhar no mercado. Uma cartilha sobre o tema foi desenvolvida pelo Procon-SP em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e está disponível em ambos os sites institucionais.

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