As irmãs gêmeas craniópagas – unidas pela cabeça – Heloísa e Helena, nascidas em São José dos Campos em janeiro de 2024 (dois anos e um mês), no Vale do Paraíba (SP), serão submetidas à terceira cirurgia neste sábado, 28 de fevereiro, a partir das sete horas, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP).
A cirurgia deve durar oito horas. Depois dessa intervenção, faltarão duas para a separação total das irmãs. O procedimento atual foi minuciosamente planejado ao longo de mais de um ano, com realização de projeções de realidade virtual e exames de imagem, como tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, além da impressão de vários modelos em 3D.
O objetivo da equipe, composta por mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, é a separação completa ao final de uma série de cinco cirurgias, previstas ao longo de um ano. O caso está sendo conduzido pelas equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital, sob o comando do Professor Jayme Farina Junior.
A primeira cirurgia foi realizada em 23 de agosto, durou oito horas e foi bem-sucedida, atingindo 25% da meta, segundo a equipe médica do Hospital das Clínicas. A segunda ocorreu em 8 de novembro, durou cerca de dez horas e atingiu mais 25%. Nesta operação foram feitas incisões cutâneas no lado oposto aos cortes efetuados em agosto, para ligamento dos vasos sanguíneos.
O cirurgião diz que esta é a etapa mais difícil, que envolve a separação do cérebro. Segundo ele, a cirurgia foi um sucesso e atingiu 50% da meta. A quarta intervenção deve ocorrer no final de março para implantação das bolsas extensoras, reconstrução óssea e proteção do cérebro. Segundo Farina Júnior, o último procedimento deve ser realizado em meados do ano, entre junho e julho, quando Helóisa e Helena serão separadas definitivamente
O neurocirurgião Rubens Machado, que também participou dos dois casos de separação de siamesas anteriores, em 2018 e 2023, diz que as meninas nasceram com os crânios muito encostados, quase colados, o que torna a cirurgia mais delicada. Os pais de Heloísa e Helena, Amarildo Batista da Silva e Claldilene Aparecida dos Santos, estão morando provisoriamente em Ribeirão Preto, onde permanecerão até a separação do total das meninas e também no pós-operatório, no período de reabilitação
Este é o terceiro caso de gêmeas siamesas craniópagas do hospital. A incidência é extremamente rara, representando um caso em cada 2,5 milhões de nascimentos. No Brasil, a primeira separação de siamesas craniópagas, as gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, ocorreu em outubro de 2018. Focam cinco procedimentos cirúrgicos realizados pela equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e HC Criança.
Hoje as meninas estão com nove anos e voltaram para Patacas, distrito de Aquiraz, distante 35 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, onde nasceram, no final de março de 2019. Vivem com os pais Diego Freitas Farias e Débora Freitas.
Nos Estados Unidos, uma cirurgia de separação de siamesas craniópagas custa cerca de R$ 9 milhões. O primeiro do HC de Ribeirão Preto, e também pioneiro no Brasil, caso foi acompanhado pelo médico norte-americano James Goodrich, referência internacional em intervenções com gêmeos siameses e que faleceu e m decorrência de covid-19 em 2020.
O segundo caso foi o das irmãs siamesas craniópagas Allana e Mariah, hoje com cinco anos e oito meses. A cirurgia definitiva ocorreu entre 19 e 20 de agosto de 2023. Elas são de Piquerobi (SP), onde mora com os pais Vinícius e Talita Cestari. No ano passado ainda vinham à cidade para consultas e exames de rotina no HC Criança.
Em 2023, a quarta e última neurocirurgia teve início às sete horas do dia 19 de agosto e durou cerca de 27 horas. Na manhã do dia 20, as meninas foram separadas. Foram inseridas bolsas de silicone abaixo do couro cabeludo das irmãs.
[ATUALIZAÇÃO] Terminou às 15h45, a terceira cirurgia de separação das irmãs siamesas unidas pela cabeça Heloísa e Helena no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão (HCFMRP). As gêmeas já estão acordadas e seguem para cuidados na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HC Criança.
As irmãs unidas pelo crânio foram submetidas à terceira etapa do tratamento cirúrgico para separação, estando programadas ainda mais duas até a separação total. O procedimento de hoje contou com mais de 50 profissionais da saúde e de apoio e durou 7 horas.
O caso está sendo conduzido pelas equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital, sob o comando do Professor Jayme Farina Junior.
A equipe realizará uma entrevista coletiva na próxima quarta-feira, às 9h30, no HC Criança do HCFMRP Campus, para explicar os detalhes da cirurgia e as expectativas para os próximos procedimentos.

