Por: Adalberto Luque
A Polícia Civil deflagrou nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (2/03) a Operação Sangria, ação estratégica voltada à desarticulação de organização criminosa especializada no furto de combustíveis mediante violação de dutos da Transpetro S/A. A ação foi realizada simultaneamente nas cidades de Ribeirão Preto, Jardinópolis, Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira e Conchal, a partir de investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DIG/DEIC) de Ribeirão Preto.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações identificaram um grupo estruturado, com divisão organizada de tarefas e atuação reiterada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Segundo o delegado André Baldochi, responsável pelas investigações, o esquema já teria causado prejuízo superior a R$ 5 milhões à empresa vítima, considerando não apenas o furto de combustível, mas também danos à infraestrutura dutoviária, impactos operacionais e riscos ambientais.

Por determinação do Poder Judiciário, foram expedidos nove mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, além de medidas, como quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático. Dos nove mandados de prisão temporária emitidos, sete foram cumpridos, permanecendo dois investigados foragidos.
Duas das prisões foram realizadas em Ribeirão Preto. Um dos foragidos é de Ribeirão Preto, mas estaria residindo na cidade de Jardinópolis, região metropolitana.

As diligências ocorreram de forma simultânea e coordenada nos municípios de Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira, Conchal, Ribeirão Preto e Jardinópolis. Houve ainda desdobramentos investigativos e apoio operacional nos Estados de Minas Gerais e Goiás, onde também ocorreram furtos, evidenciando, segundo a DIG/DEIC, a amplitude e a complexidade da atuação criminosa.
Entre os mandados de busca cumpridos, dois foram executados em empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto ilícito. Um empresário do setor foi preso na cidade de Campinas, reforçando, de acordo com a Polícia Civil, os indícios de inserção do combustível subtraído na cadeia econômica formal.
Segundo Baldochi, o grupo era bem estruturado e com funções específicas. Havia um deles que era especializado em solda dos registros nos dutos a serem alvo de furto. “Depois de instalado, vem o motorista e abastece o caminhão com a pressão do duto”, explicou.

Um dos presos em Ribeirão Preto foi Wagner de Souza Leite, proprietário de uma empresa especializada no transporte de combustíveis, com sete caminhões em sua frota. Outro foi Calil Fernando Carneiro, que já atuou como motorista e agora era responsável por preparar o duto para o furto. Os defensores dos presos não se manifestaram.
O delegado também revelou que o empresário preso em Campinas foi o comprador do combustível furtado, mas essa negociação teria passado pela empresa sediada em Jardinópolis, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão durante a operação.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em uma empresa de Jardinópolis, instalada no complexo de escritórios da Rede Sol, mas de acordo com a Polícia Civil, a rede não teria ligação com as investigações.
Durante o cumprimento dos mandados de buscas, foram apreendidos mais de uma dezena de aparelhos celulares e equipamentos informáticos, que serão submetidos à análise pericial especializada para aprofundamento das investigações e completa identificação da estrutura do grupo.
Em nota, a Transpetro informou que colabora com as investigações e que desenvolve estratégias para combater a ação criminosa. Uma delas é o telefone 168, que recebe denúncias de possíveis furtos. Também disse que notou aumento no número de casos. Em 2024 foram registrados 17 casos, já em 2025 foram 22 casos. E 70% dos furtos ocorreram no Estado de São Paulo.

