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A luta das mulheres por direitos iguais é uma luta de todos

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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O criacionismo colocou as mulheres em segundo plano em relação aos homens, pois ela teria se originado a partir da costela de um homem.Essa história é alimentada através dos tempos, e o fundamentalismo religioso cuida para manter a mulher na condição de submissão e cativa a vontade dos homens. O dia 08 de março marca o dia internacional da luta das mulheres por direitos iguais, e poderem decidir sobre seus corpos e a sua vida – é uma luta de resistência.As mulheres foram criadas para serem submissas e obedientes aos homens; muitas aceitam estas condições como sendo algo natural e a vontade de Deus, porem há mulheres que não aceitam estás condições; e vão a luta.

São muitos os saudosistas que endeusam o passado, afirmando que havia mais romantismo, mas o romantismo era um engodo, para que as mulheres aceitassem o seu destino servil.Quando eu era criança ouvia uma música, que na semana do dia das mães tocava o tempo todo nas rádios, a música começava falando: ”Ela é a dona de tudo é a rainha do lar… o avental todo sujo de ovo” era o exemplo da mãe dedicada – e isso era o ápice do romântico. Este pseudo romantismo escondia a violência que as mulheres sofriam, que era encarado com naturalidade pela sociedade. Havia um ditado que dizia: “Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, mas na realidade não era briga de marido e mulher, pois só a mulher apanhava, era uma violência gratuita, que expressava a crueldade do homem. Havia uma máxima entre os homens afirmando: “ele não sabe porque batia, mas ela sabia porque estava apanhando” – tempos bons.

A luta secular das mulheres por direitos iguais, produziu alguns bons resultados. O sufrágio universal, que as mulheres brasileiras conquistaram a partir de 1932, foi um marco histórico. Entretanto, a luta por melhores condições de trabalho, salários iguais e o fim da dupla jornada continuam em pauta. A Lei 11340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha,começou a criminalizar a violência contra às mulheres, uma Lei que estava sendo levada em banho-maria, e só saiu do banho e foi Promulgada pela pressão da OEA (Organização dos Estados Americanos), que ameaçou o Brasil com sanções.

Mas a Lei Maria da Penha, não foi aceita por parte do mundo machista, que não admitia ser criminalizado por atos que achavam natural. Em 2007, um juiz de Minas Gerais de nome Edilson Rumbelsperger Rodrigues proferiu uma sentença criticando a Lei Maria da Penha, que considerou uma Lei inconstitucional e injusta e feria a igualdade entre homens e mulheres, que era um conjunto de regras diabólicas – um estado de exceção para os homens. Foi punido pelo CNJ. Mesmo com a Lei Maria da Penha em vigor, a violência contra às mulheres continua.Dizem que o aumento da pena iria inibir os crimes contra as mulheres, entretanto, isso não está acontecendo.

O aumento de pena contra o feminicídio, que é um crime cometido contra as mulheres, pela sua condição de ser mulher, não está surtindo efeito. Em 2025, quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil – temos que dar um basta nesta situação. A obscuridade e o fundamentalismo religioso da Idade Média invadiram o século 21, e não querem permitir que os direitos e a independência das mulheres continuem prosperando. A luta não é só das mulheres é também de homens que sabem o valor das mulheres. Sonhar com um mundo melhor é fundamental e possível, basta permitir que a solidariedade faça parte de nossas vidas.O sofrimento foi impingido pela religião, não é divino, podemos escolher um caminho fraterno, que una os seres humanos e respeite as contradições de homens e mulheres – não viemos ao mundo para sofrer – podemos escolher.

O dia 08 de março, não pode ser um dia só de comemorações, mas de luta para manter as conquistas e derrubar novas barreiras. A submissão e a obediência cega das mulheres não cabem mais nos dias de hoje.

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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