Valdir Avelino *
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Recentemente, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis sediou o 7º Congresso de Mulheres Sindicalistas da Fesspmesp (Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais do Estado de São Paulo). Lideranças e representantes de várias regiões vieram até nossa cidade para um encontro que contou com debates, troca de vivências e muitos planos sobre os caminhos e desafios do movimento sindical feminino.
O congresso não teve aquele clima engessado de evento oficial. Foi algo mais próximo de uma reunião entre pessoas que compartilham os mesmos desafios e querem, juntas, pensar em saídas. As participantes falaram sobre direitos, sobre o que ainda falta no mundo do trabalho e sobre como aumentar a presença das mulheres nas entidades sindicais e nos espaços onde as decisões são tomadas. A programação também incluiu palestras e homenagens, sempre com o mesmo fio condutor: reafirmar o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais justa, com respeito, igualdade e valorização do trabalho.
Para o nosso Sindicato, foi uma honra e uma responsabilidade sediar um encontro tão significativo. Afinal, o mês é marcado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8, e essa data tem um peso que vai muito além da homenagem. O 8 de Março nasceu da luta das trabalhadoras por melhores condições de trabalho, salários dignos, jornadas menores e direito à voz política. Com o tempo, virou símbolo de resistência diante das desigualdades que ainda existem, tanto na sociedade quanto no trabalho. Quando sindicatos e movimentos sociais se mobilizam nesse período, não estão apenas lembrando uma data. Estão reconhecendo uma trajetória construída por gerações de mulheres que se organizaram para conquistar direitos que hoje fazem parte da vida de toda a classe trabalhadora.
Nos serviços públicos, essa história é especialmente forte. As nossas mulheres servidoras garantem, dia após dia, o funcionamento de políticas públicas das quais a população depende para viver com dignidade. E mesmo assim, muitas ainda enfrentam uma realidade desafiadora, com acúmulo de responsabilidades dentro e fora do trabalho.
A organização feminina não é um tema paralelo à pauta sindical. Ela é parte central dela. O congresso, em Ribeirão Preto, mostrou isso de forma concreta. Ao reunir lideranças de cidades diferentes, o encontro abriu espaço para compartilhar o que funciona, discutir o que ainda precisa mudar e renovar o compromisso com a defesa do serviço público e dos direitos das trabalhadoras.
Para a nossa diretoria, também foi um momento de afirmar que as conquistas das mulheres não caíram do céu. Cada avanço veio de organização, de mobilização, de muita persistência diante de portas fechadas. E que essa luta segue atual. Num país com desigualdades tão profundas, defender os direitos das mulheres é defender uma sociedade mais justa para todo mundo. Quando uma trabalhadora tem seus direitos respeitados, quando o assédio é denunciado e punido, quando uma mulher chega a uma função de comando que antes lhe era negada, toda a classe trabalhadora avança junto.
Tenho a certeza de que este encontro renovou a energia de quem está na luta, fortalecendo os vínculos entre as trabalhadoras e mostrando que a organização coletiva ainda é o caminho mais sólido para mudar a realidade. Quando as mulheres se organizam e falam, não falam só por elas. Falam pelas que vieram antes, pelas que estão hoje na linha de frente e pelas que ainda vão chegar.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

