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Deus conduz a história? Cristo príncipe da paz?

Dois mil anos de cristianismo. A sociedade melhorou?

Mário Palumbo *
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“E o Senhor ia adiante deles…” (Ex 13:21)
O povo de Deus no deserto andava
Mas à sua frente Alguém caminhava
O povo de Deus era rico de nada
Só tinha a esperança e o pó da estrada
(Padre Zezinho)

“O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos”. (Mt 13:31,32)

Roma, no auge do Império, tinha uma população de escravos que representava entre 30% a 40% do total.

Na família, o pai tinha autoridade de vida e morte sobre os familiares. Pão e circo matinha a sociedade submissa baseada na luta dos gladiadores. As mortes eram espetáculo macabro de uma fera faminta comer uma pessoa viva.

O Novo Testamento trouxe novidade: somos todos irmãos, “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. ” (Gl 3:28)

A situação da mulher

Ao tempo de Jesus a mulher vivia sob estritas normas patriarcais, como se fosse propriedade do pai ou do marido.

Com seus gestos de acolhimento Cristo valoriza a mulher. Ao poço de Jacó, Cristo suscita a estranheza da samaritana a qual pede água: “Como, tu sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)? Comendo junto aos mestres da lei, deixa que uma mulher abrace seus pés. Era amigo de Marta e Maria em Betânia.

O trabalho
O cristianismo segue a orientação neo-testamentária de que “quem não quiser trabalhar, não coma”. Os mosteiros beneditinos baseados na oração e trabalho trouxeram à Europa riquezas agrícolas e científicas. Estes mesmos mosteiros também auxiliavam nas necessidades básicas do povo. Surgiram universidades, hospitais, além das grandes catedrais que juntamente com a música gregoriana elevam e agasalham camponês e citadino. As obras assistenciais possuem uma longa história de interconexão, fundamentada na doutrina de amor ao próximo e na compaixão exemplificada por Jesus Cristo. Desde os primórdios do cristianismo, lentamente a consciência social se expande em direção à igualdade entre ricos e pobres, homens e mulheres. Até a revolução francesa e o marxismo, apesar dos desvios, surgem da cultura cristã.

O auxílio aos necessitados, enfermos e órfãos, tornam-se, ao longo dos séculos, as maiores redes de caridade. Quanto à ciência, as primeiras universidades foram cristãs.

Hoje, nas ameaças catastróficas da terceira guerra mundial, a única esperança nos vem do Ressuscitado, Jesus Cristo. No deserto desta vida, o Príncipe da paz caminha à frente da humanidade rumo à nova terra e novos céus, onde não há choro, pois Deus estará com eles, e será o seu Deus”. (Ap 21:3)

Contra toda a esperança, somos chamados a construir a paz com Cristo que vive e conduz a história através de cada um de nós.

Senhor Jesus, somos ricos de violência, guerras e ódio. O feminicídio é o espelho do deserto em que caminhamos. A mulher, ápice do amor, é a maior vítima do ódio e da morte. Única certeza que nos consola, é saber que neste caos tenebroso, Você caminha na nossa frente.

* Professor e padre casado

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