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Azarões e equipes tradicionais correm por fora

Alemanha e Bélgica querem quebrar barreira dos grupos em 2026 | Divulgação / Seleção alemã

Por Hugo Luque

 

A terceira edição do guia da Copa do Mundo de 2026 do Tribuna Ribeirão traz seleções que muitos torcedores não dão tanta atenção, mas que podem surpreender nos Estados Unidos, Canadá e México. Seja pelo “peso” da camisa ou pelo histórico recente, o Mundial com 48 seleções promete “zebras”.

Pela tradição no torneio, é claro que a Alemanha está longe de ser uma azarona. Tetracampeã, “Die Mannschaft” busca igualar o Brasil, maior vencedor da Copa, com cinco títulos. Para isso, terá de superar a desconfiança com relação aos escolhidos do técnico Julian Nagelsmann.

Entre os 26 convocados, muitos nomes podem ser desconhecidos do grande público, como o atacante Nadiem Amiri, do Mainz 05, e o meia Jamie Leweling, do Stuttgart. No entanto, rostos bastante conhecidos compõem o grupo: o volante e lateral-direito Joshua Kimmich, o volante Leon Goretzka e o meia-atacante Jamal Musiala, do Bayern de Munique, o zagueiro Antonio Rüdiger, do Real Madrid, o ponta Leroy Sané, do Galatasaray, o meia Florian Wirtz, do Liverpool, e o atacante Kai Havertz, do Arsenal, são alguns deles.

O principal, porém, ocupa a meta. Aos 40 anos, Manuel Neuer deixou a aposentadoria da seleção alemã de lado para defender a equipe. Campeão em 2014, no Brasil, o goleiro do Bayern de Munique disputará seu quinto Mundial.

Vários são os destaques, mas pouco tem sido o futebol apresentado pela Alemanha nas últimas edições de Copa. Depois do título no Maracanã, o time germânico parou na fase de grupos na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, o que jamais havia acontecido. Por isso, a Opta, maior provedora de dados e análises esportivas do planeta, coloca o grupo comandado por Nagelsmann apenas na sétima colocação entre os principais postulantes ao título, com 5,51% de probabilidade de erguer a taça.

Para chegar à América do Norte, os alemães ficaram na primeira posição de um grupo com Eslováquia, Irlanda do Norte e Luxemburgo nas Eliminatórias, e chegaram à rodada final, em novembro, empatados em pontos com os eslovacos, mas golearam e não precisaram da repescagem. Já na última Eurocopa, disputada em 2024, na própria Alemanha, os anfitriões sofreram uma dura e polêmica eliminação nas quartas de final para a campeã Espanha. Também nas quartas caíram na Liga das Nações, diante da Itália.

Neste ano, o país europeu realizou amistosos contra Suíça e Gana – vitórias por 4 a 3 e 2 a 1, respectivamente. Antes da estreia na Copa, terá pela frente a Finlândia, justamente neste domingo (31), às 15h45, e os Estados Unidos, no próximo sábado.

Meio-campista Federico Valverde é o principal nome da Celeste | Divulgação / Real Madrid

Favorita na briga pela liderança do Grupo E, a Alemanha, décima no ranking oficial da Fifa, inicia sua trajetória diante de Curaçao, dia 14, às 14h (de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Estados Unidos. Em seguida, viaja para Toronto, no Canadá, onde enfrenta a Costa do Marfim no dia 20, às 17h, no BMO Field. O último jogo da primeira fase será em 25 de junho, às 17h, contra o Equador, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos.

Se passar na primeira colocação, a seleção alemã terá pela frente o terceiro colocado do Grupo A, B, C, D ou F na segunda fase. Caso fique com a vice-liderança, o duelo será com o segundo do Grupo I (França, Senegal, Iraque ou Noruega). Por fim, caso fique entre os melhores terceiros, enfrenta o líder do Grupo A, B, D, G, K ou L.

Reunificada em 1990, a Alemanha tem um dos retrospectos mais robustos da história do Mundial e é recordista de semifinais com 13, duas a mais que o Brasil. São quatro títulos (1954, 1974, 1990 e 2014), quatro vices (1966, 1982, 1986 e 2002), quatro terceiros lugares (1934, 1970, 2006 e 2010) e um quarto lugar (1958). Prestes a iniciar sua 21ª participação, a 19ª consecutiva, o selecionado germânico soma 112 jogos, 68 vitórias, 21 empates, 23 derrotas, 232 gols feitos e 130 sofridos.

Uruguai

Pequeno no território, mas grande na história do futebol, o Uruguai tenta voltar a fazer frente com as grandes equipes após anos de decepção. Por isso, o time de Marcelo Bielsa entra na categoria de azarões da Copa, com 1,56% de chance de conquistar o tricampeonato, segundo a Opta. A Celeste chega apenas como a 14ª equipe com maior probabilidade de ser campeã, atrás de países como Noruega, Colômbia, Marrocos e Suíça, e ocupa a 17ª posição no ranking da Fifa.

Principais craques da última grande geração uruguaia, quarta colocada em 2010, na África do Sul, e campeã da Copa América de 2011, os atacantes Luis Suárez e Edinson Cavani não jogarão o torneio, pois se aposentaram da seleção. Da leva de talentos de quase duas décadas atrás, restou o experiente goleiro Fernando Muslera, do Estudiantes, que será um dos líderes do plantel. Outros nomes de destaque são o zagueiro José María Giménez, do Atlético de Madrid, o meio-campista Federico Valverde, do Real Madrid, e o atacante Darwin Núñez, do Al-Hilal.

Primeira campeã do mundo, em 1930, a seleção uruguaia oscilou nas últimas participações. Desde o quarto lugar em 2010, a equipe esteve em todas as edições de Copa, mas com altos e baixos. Em 2014, parou nas oitavas de final. Em 2018, foi até as quartas. Já na última edição, em 2022, desapontou e caiu na fase de grupos. Na Copa América mais recente, em 2024, ficou com o terceiro lugar. Já nas Eliminatórias, a Celeste passou na quarta posição, com os mesmos 28 pontos do Brasil, quinto.

Desde então, foram seis amistosos divididos em três períodos: vitórias sobre República Dominicana e Uzbequistão, em outubro, empate com o México e goleada sofrida para os Estados Unidos (5 a 1), em novembro, além de empates com Inglaterra e Argélia, em março. Entre todas as seleções, o Uruguai é o único que, até o momento, não tem outras partidas marcadas antes da Copa.

O país sul-americano está no Grupo H e tem boas chances de classificação. As duas primeiras rodadas serão no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, Estados Unidos, diante da Arábia Saudita, dia 15, às 19h, e contra Cabo Verde, às 19h do dia 21, respectivamente. O fechamento da chave será contra a favorita Espanha, em 26 de junho, às 21h, no Estádio Akron, em Zapopan, México.

Se passar na liderança, a equipe uruguaia fará duelo com o segundo colocado do Grupo J (Argentina, Argélia, Áustria ou Jordânia). Caso avance na vice-liderança, o adversário será o primeiro dessa chave. No cenário de classificação em terceiro, enfrenta o líder do Grupo A, G, I ou L na segunda fase.

O Uruguai chega para sua 15ª participação no maior torneio de futebol do planeta (quinta consecutiva) com um histórico de dois títulos (1930 e 1950) e três quartos lugares (1954, 1970 e 2010). Foram 59 partidas, com 25 vitórias, 13 empates e 21 derrotas, além de 89 gols marcados e 76 cedidos.

Bélgica

É fato que a Bélgica não está no mesmo patamar de Alemanha e Uruguai na história do futebol. No entanto, o país vive o fim do ciclo de alguns dos principais jogadores da nação. Confirmados na lista de 26 convocados do técnico francês Rudi Garcia, o goleiro Thibaut Courtois, do Real Madrid, além do meia Kevin De Bruyne e do atacante Romelu Lukaku, ambos do Napoli, querem finalmente alcançar o nível de expectativa depositado sobre a promissora geração belga.

Primeira colocada no ranking da Fifa em 2015 e de 2018 a 2022, e nona atualmente, a equipe já não ostenta o favoritismo que carregou em outras edições, mas ainda forma um conjunto perigoso. Segunda a Opta, a Bélgica é a décima seleção com mais chances de título neste ano: 2,24%.

Presente em todas as edições do Mundial desde 2014, quando foram eliminados nas quartas de final, os Diabos Vermelhos tiveram o melhor resultado de sua história em 2018, com o terceiro lugar – nas quartas, foram algozes do Brasil. Todavia, em 2022, deram adeus ao sonho logo na fase de grupos.

Na Euro de 2024, a Bélgica também não encantou ao cair nas oitavas de final. Na Liga das Nações, foi mal e teve de vencer a repescagem para não ser rebaixada. Nas Eliminatórias, porém, avançou direto, invicta e na liderança da chave que tinha País de Gales, Macedônia do Norte, Cazaquistão e Liechtenstein.

Foram apenas dois amistosos desde então: goleada por 5 a 2 sobre os Estados Unidos e empate em 1 a 1 com o México, em março. Antes da estreia, os comandados de Rudi Garcia terão pela frente Croácia e Tunísia.

A Bélgica está no Grupo G, um dos mais acessíveis desta Copa. A estreia será no Lumen Field, em Seattle, Estados Unidos, contra o Egito, no dia 15, às 16h. Em 21 de junho, às 16h, o adversário será o Irã, no SoFi Stadium, em Inglewood, também nos Estados Unidos. Na terceira rodada, duela com a Nova Zelândia, no BC Place Stadium, em Vancouver, Canadá, no dia 27, à meia-noite.

Se terminar na primeira posição, a seleção belga encara o terceiro colocado do Grupo A, E, H, I ou J. Caso avance na vice-liderança, terá pela frente o segundo do Grupo D (Estados Unidos, Paraguai, Austrália ou Turquia). Em um cenário de classificação no terceiro posto, a equipe disputará uma vaga nas oitavas de final com o líder do Grupo B ou I.

Está será a 15ª participação da Bélgica na Copa. O país europeu carrega na bagagem um terceiro lugar (2018) e um quarto lugar (1986). O retrospecto é de 51 partidas, 21 vitórias, dez empates e 20 derrotas. São 69 gols a favor e 74 tentos levados.

Para ficar de olho

Outras seleções, assim como a Bélgica, jamais venceram a Copa do Mundo, mas podem complicar a vida dos favoritos e até mesmo buscar um inesperado título. De acordo com a Opta, a principal dessas equipes é a Noruega, dos craques Erling Haaland, do Manchester City, e Martin Ødegaard, capitão do Arsenal, que tem 3,19% de chance de erguer o troféu, embora seja apenas a 31ª colocada no ranking da Fifa. Boa parte da empolgação vem da classificação com 100% de aproveitamento nas Eliminatórias, no grupo da Itália, com direito a vitórias por 3 a 0 e 4 a 1 sobre a “Azzurra”. Prestes a jogar o Mundial pela primeira vez desde 1998, a equipe norueguesa está no Grupo I ao lado de França, Senegal e Iraque.

Os senegaleses, inclusive, prometem representar bem a África. Vencedores da Copa Africana de Nações em campo, em janeiro, Leões de Teranga perderam o troféu por W.O., nos tribunais, para o Marrocos, após os jogadores terem deixado o gramado temporariamente na final em protesto a um pênalti marcado e depois perdido pelos marroquinos. Liderado pelo ponta Sadio Mané, do Al-Nassr, Senegal vai para sua quarta participação no torneio com 0,9% de chance de título, segundo a Opta, e ocupa a 14ª posição no ranking da Fifa.

O Japão é outra surpresa em potencial. Com 1,34% de probabilidade de fazer história, a seleção asiática é a 18ª na classificação da Fifa e tem como principais talentos os meias Takefusa Kubo, da Real Sociedade, e Wataru Endo, do Liverpool. Ágeis, talentosos e bons de improviso, os japoneses fizeram a melhor campanha geral das Eliminatórias da Ásia e derrotaram, nos últimos meses, Brasil e Inglaterra em amistosos. No Grupo F, encaram Holanda, Suécia e Tunísia nesta Copa.

Quem não venceu a Canarinho recentemente, mas também pode ser uma “pedreira”, é o Equador. Segundo colocado nas Eliminatórias Sul-Americanas, o país tem como principais talentos os defensores Willian Pacho, do PSG, e Piero Hincapié, zagueiro e lateral-esquerdo do Arsenal, além dos meias Moisés Caicedo, do Chelsea, e Kendry Páez, jovem promessa do River Plate. Os equatorianos estão no Grupo E, com Alemanha, Curaçao e Costa do Marfim.

Com 1,50%, o 23º colocado no ranking da Fifa tem mais probabilidade de erguer a taça que outra forte equipe: a Turquia, que tem 1,01%. Liderada pelo meia Hakan Çalhanoğlu, da Inter de Milão, a seleção turca volta a disputar uma Copa após 24 anos. Com o meia-atacante Arda Güler, do Real Madrid, como principal talento, o time foi a sensação da última Eurocopa, avançou ao Mundial na repescagem e está no Grupo D, com Estados Unidos, Paraguai e Austrália.

Entre os anfitriões, os estadunidenses são os únicos, de acordo com a Opta, com mais de 1% de chance de título (1,45%). O principal nome da equipe, que conta com o fator casa a seu favor, é o atacante Christian Pulisic, do Milan. O Canadá, por sua vez, vem para a terceira Copa de sua história com o lateral-esquerdo Alphonso Davies, do Bayern de Munique, e o atacante Jonathan David, da Juventus, como principais destaques. Os canadenses têm chances consideráveis de classificação no Grupo B, que tem Bósnia e Herzegovina, Catar e Suíça.

O último dos mandantes na lista, mas melhor colocado no ranking da Fifa (15º, uma posição à frente dos Estados Unidos) é o México, que tem o volante Edson Álvarez, do West Ham, e os atacantes Santiago Giménez, do Milan, e Raúl Jiménez, do Fulham, como grandes esperanças. O goleiro Guillermo Ochoa vive a expectativa de ser chamado, nesta segunda-feira, para seu sexto Mundial. No Grupo A, os mexicanos darão o pontapé inicial do torneio no próximo dia 11, às 16h, no Estádio Azteca, na Cidade do México, contra a África do Sul. A chave ainda tem Coreia do Sul e República Tcheca.

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