Valdir Avelino *
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O Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, foi instituído pela Organização Mundial da Saúde com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a importância de políticas públicas que garantam qualidade de vida, bem-estar e acesso à saúde para todos. Mais do que uma data simbólica, trata-se de um convite à reflexão sobre as condições concretas em que as pessoas vivem — e, sobretudo, trabalham.
Para nós, da direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis, que estamos no dia a dia do serviço público municipal, essa reflexão precisa ir além do discurso. É impossível falar de saúde sem falar de trabalho. É impossível discutir qualidade de vida sem enfrentar as condições reais às quais trabalhadores e trabalhadoras estão submetidos.
O nosso Sindicato tem sido firme em defender que a saúde do trabalhador deve ser compreendida de forma integral. Não se trata apenas da prevenção de acidentes ou do uso de equipamentos de proteção. Trata-se de olhar para o ambiente de trabalho como um todo: sua organização, seu ritmo, suas exigências e seus impactos sobre o corpo e a mente.
No serviço público municipal, convivemos diariamente com jornadas intensas, pressão por resultados, equipes reduzidas e, muitas vezes, falta de estrutura adequada. Esse conjunto de fatores não apenas dificulta o trabalho — ele também adoece.
É por isso que o debate impulsionado pelas comemorações da data ganha ainda mais importância. Não podemos restringir essa campanha a ações pontuais ou simbólicas. Precisamos encará-la como um chamado à mudança estrutural. A saúde do trabalhador não pode ser tratada como um tema secundário, nem como responsabilidade individual. Ela é resultado direto das condições de trabalho e das escolhas feitas pela gestão pública.
O trabalho, como todos nós sabemos, pode e deve ser fonte de realização, de dignidade e de orgulho. É por meio do trabalho que os servidores públicos constroem políticas, garantem direitos e atendem a população. Mas também sabemos que, quando falta estrutura ou reconhecimento verdadeiro e efetivo, o trabalho se transforma em fonte de sofrimento, desgaste e adoecimento — muitas vezes silencioso.
E é justamente esse adoecimento silencioso que mais nos preocupa. Não são apenas os acidentes visíveis que devem nos mobilizar. São também o esgotamento mental, a ansiedade, o estresse contínuo, o assédio moral e a pressão permanente que afetam milhares de trabalhadores e trabalhadoras todos os dias.
Nesse sentido, defender a saúde do trabalhador é também defender o serviço público. Não existe serviço público de qualidade sem servidores valorizados, respeitados e em condições adequadas de trabalho. Cuidar de quem cuida da população é uma responsabilidade coletiva e institucional.
O nosso Sindicato tem atuado de forma permanente nessa defesa. Lutamos por melhores condições de trabalho, pela valorização dos servidores, pelo respeito à dignidade profissional e pela implementação de políticas que garantam ambientes de trabalho saudáveis. O Dia Mundial da Saúde nos lembra que esse debate não pode ser adiado. Seguiremos firmes, organizados e atuantes, defendendo a saúde integral dos servidores municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis. Porque lutar por saúde no trabalho é lutar por dignidade, por respeito e por um serviço público mais forte e mais humano.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

