Tribuna Ribeirão
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Psicologia & Neurociência (2): Parkinson

José Aparecido Da Silva*

 

Abril é o mês dedicado à conscientização acerca da Doença de Parkinson (DP). A campanha visa informar a população sobre os sintomas, tratamentos e a importância do diagnóstico precoce. No dia 4 abril comemorou-se o Dia Nacional do Parkinsoniano. Ontem, dia 11 de abril, foi celebrado o Dia Mundial da Doença de Parkinson, data escolhida em homenagem ao nascimento do médico James Parkinson que pela primeira vez descreveu os sintomas da enfermidade no ano de 1817. Inicialmente James Parkinson a denominou “Paralisia agitante” destacando seus dois componentes mais característicos: a acinesia (paralisia) e o temor (agitação). A Doença de Parkinson é uma condição clínica neurodegenerativa, a segunda com maior prevalência, depois da Doença de Alzheimer (DA), e afeta cerca de 1% da população maior de 60 anos.

A Doença de Parkinson se caracteriza por problemas motores cujas principais manifestações clínicas são a lentidão de movimentos, temor, rigidez e instabilidade postural relacionadas com a perda de mais de 80% dos neurônios dopaminérgicos da parte compacta da substância negra. A enfermidade também apresenta sintomas “não motores), tais como disfunção autonômica, dificuldade de perceber odores, dor, alterações do sono noturno, exceto sono durante o dia, fadiga, deterioração cognitiva, ansiedade e depressão.

Em particular, as alterações cognitivas da Doença de Parkinson variam desde os déficits sutis e focais, demonstrados basicamente mediantes testes neuropsicológicos, até à demência global.  Os declínios cognitivos leves incluem, principalmente, um uso anormal da armazenagem de memória e uma Síndrome Disexecutiva (ou função executiva) secundária à alteração dos circuitos cortiço subcorticais que conectam o córtex pré-frontal dorsal e ventrolateral com o estriado dorsal e a área tegmental ventral mesencéfalica.

No desenvolvimento dos declínios cognitivos moderado e grave que levam à demência se encontram implicados em múltiplas regiões tanto corticais como subcorticais, assim como em diversos sistemas neuroquímicos. Na Doença de Parkinson o declínio cognitivo se manifesta de uma forma muito sutil. O desempenho cognitivo alterado se observa nos testes neuropsicológicos tanto em pacientes não medicados e em estágios, fases, precoces do transtorno.  Podem-se observar alterações em diferentes habilidades cognitivas, tais como na memória, no processamento visuoespacial, na atenção, na formação de conceitos, resolução de problemas, resistência à interferência, alteração precoce na fluência verbal e nas funções executivas.

A Demência irá aparecer na evolução da Doença de Parkinson de maneira inevitável depois de 10-15 anos.  A demência na Doença de Parkinson se origina pela disfunção neuro cortical secundária dos déficits neuroquímicos produzidos pela degeneração dos diferentes núcleos subcorticais e tronco encefálicos. Os declínios cognitivos que se seguem associados à Doença de Parkinson têm uma base cortical (linguagem, memória de reconhecimento) e junto à disfunção disexecutiva progressiva até suas fases iniciais se refletem nos estudos neuropsicológicos.

Em suma, deficiências cognitivas interferem com a independência nas atividades cotidianas, isto é, no mínimo requerendo apoio com as atividades instrumentais complexas, tais como pagar as contas ou manejar os medicamentos.  Importante, os testes neuropsicológicos e os de rastreio cognitivo são ferramentas muito úteis para avaliarem e acompanharem a extensão e o grau do comprometimento cognitivo.

Professor Titular Sênior- USP – RP*

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