Edwaldo Arantes *
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Sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, sua incrível diversidade, formosura e rica história, provocando deslumbramentos.
A cidade foi o espelho político e o centro administrativo tanto do Império, quanto da República, além de ter sido capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir de 1815.
Sempre brotando miscigenação, tradição e uma natureza exuberante, unindo e misturando a convivência cultural, “berço do samba e das lindas canções”, esquinas, morros, vielas, futebol, chopp e botecos.
As opções navegam a cada canto, centros culturais, teatros, museus, parques, jardins, igrejas, morros e praias.
Tudo é uma foto em movimento, não existe nada que os olhos não olhem e o coração não sinta.
No coração de “Copa”, rua Duvivier, uma das maternidades da “Bossa Nova”, famoso e icônico, “Beco das Garrafas”.
A “Princesinha do Mar”, entre dois Fortes, o “Duque de Caxias”, localizado na área de proteção ambiental, cercado pela mata atlântica, no alto do Morro do Leme, de onde contempla-se toda a orla, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, Niterói, entre diversas paisagens maravilhosas.
Na outra ponta, divisa com Ipanema, o “Forte de Copacabana”, local bucólico e intenso, de frente para a Baía, palco da “Revolta dos 18 do Forte”.
No local, degustam-se cafés, petiscos e iguarias de uma filial da charmosa e centenária “Confeitaria Colombo”, nascida na Gonçalves Dias, em 1784, ícone da “Belle Époque” carioca.
Flanando desde cedinho, uma reverência a “Clarice Lispector”, no “Caminho dos Pescadores Ted Boy Marino”, assim nomeado, devido suas cinzas terem sido jogadas ao mar, ela permanece sentada com um livro ao colo e seu cachorro, Ulisses, sua beleza impassível e seus enigmas.
Ary Barroso, de óculos, terno e gravata, seu meio sorriso sério e irônico, em sua eterna mesa, no tradicionalíssimo “La Florentina”.
Drummond, com as pernas cruzadas, de costas para o mar, olhando o nada e, pensando, “Minas não há mais”.
Dorival Caymmi, no Posto 6, o violão em uma mão e na outra, seu braço aberto em saudação aos céus e seu imenso sorriso, de JK.
O Rio e suas estátuas, marcas vivas das existências, Nelson Rodrigues, na Praça Itanhangá, Machado de Assis, Manuel Bandeira e Joaquim Nabuco, na Presidente Wilson, o Padre Antônio Vieira na Rua Marquês de São Vicente, Otto Lara Rezende, no Jardim Botânico, João Ubaldo, na Praça Antero de Quental, Lima Barreto, na Rua do Lavradio, Tom Jobim, no Arpoador, com seu inseparável violão ao ombro, Noel Rosa, na rua São Francisco Xavier, sentado com seus copos e goles, Cartola, no Morro da Mangueira, Luiz Gonzaga, em São Cristóvão, Pixinguinha, na Travessa do Ouvidor, na clássica cena do corpo curvado, embalando seu saxofone e suas notas geniais, Renato Russo, na Estrada do Galeão, Tim Maia, na Praça Castilhos França, Cazuza, na Rua Dias Ferreira e a guerreira, brutalmente assassinada, a mando de déspotas, Marielle Franco, na Praça Mário Lago, em cima do caixote, usado nos discursos, simbolizando a luta e a memória.
A mais importante está localizada no Morro do Corcovado, o Redentor “Braços abertos sobre a Guanabara”.
Rio, um festival de raças, credos, idiomas, o mundo passeando sobre o desenho mágico e eterno da calçada em suas ondas azuis.
A multidão caminhando, trombando, tocando, enroscando, entre acenos, sorrisos e palmas.
Corpos em beijos ardentes nas areias escaldantes, no vai e vem das ondas e no balanço do mar.
Iemanjá, aguardando oferendas, bebidas, doces, perfumes, vestidos, colares, sandálias, palmas, tudo ao encontro do bramir do oceano e da santa espuma das águas, agradecendo a devoção e a crença dos que acreditam.
A apoteose, 31 de dezembro, à meia-noite, o estourar dos fogos, figuras multicores desenhadas no quadro negro com gizes coloridos no Céu, iluminando os olhos e a noite.
“Cidade maravilhosa, onde cada esquina é um pedaço de poesia. Cada pôr do sol é um espetáculo que merece ser aplaudido. O sol se põe e no compasso do samba, se veste de magia. Sem Copacabana, a existência seria incompreensível”.
“Dedico à minha filhota, Marina, que ama o Rio.
* Agente cultural

