Desta vez o bloqueio acontece na pista Bairro-Centro, entre a rua Floriano Peixoto e a avenida Independência, e deve durar 15 dias
A centenária avenida Nove de Julho, um dos cartões postais de Ribeirão Preto e importante corredor que serve de via de ligação entre o Centro e bairros da Zona Sul da cidade, terá nova interdição a partir das oito horas desta quarta-feira, 6 de maio, para obras de reparo e manutenção do pavimento de paralelepípedos.
O bloqueio acontece na pista Bairro-Centro, entre a rua Floriano Peixoto e a avenida Independência, e deve durar 15 dias, mas pode sofrer ajustes conforme o andamento dos serviços. Em meados de março, as obras foram realizadas no sentido inverso (Centro-Bairro).
Como rota alternativa, os motoristas que seguem pela pista Bairro/Centro da Nove de Julho devem virar à direita na Independência, entrar na Bernardino de Campos, virar à esquerda na Olavo Bilac, na Rui Barbosa e na Floriano Peixoto para então acessar a avenida e seguir o trajeto de interesse.
De acordo com a Secretaria Municipal de Obras Públicas, uma equipe técnica da pasta segue acompanhando e fiscalizando a execução dos reparos, a fim de garantir a adequada recuperação do pavimento e a segurança. A RP Mobi orienta os condutores a redobrarem a atenção ao trafegar pela região e a respeitarem a sinalização implantada no local.
A obra é necessária porque trechos da avenida apresentam paralelepípedos soltos, desníveis, falhas no assentamento e ausência de rejunte, situação que compromete a trafegabilidade e aumenta os riscos de acidentes. O problema é ainda mais evidente no cruzamento com a avenida Independência, ponto estratégico de circulação urbana e com grande fluxo de veículos.
Segundo a Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda., construtora responsável pela intervenção, durante o período de bloqueio, o acesso ao trecho entre a Nove de Julho e a Floriano Peixoto permanecerá liberado apenas para moradores e comerciantes da região.
Problemas – Segundo o secretário de Obras Públicas, Walter Telli, a obra na Nove de Julho, que começou em julho de 2023 e terminou em março do ano passado, tem pontos críticos, e o principal deles envolve a preservação do patrimônio histórico. Comerciantes e moradores mais antigos dizem que o vão entre os paralelepípedos não seguem o antigo padrão e são maiores.
Além disso, o rejunte entre as pedras não pode ser impermeável, precisa ser feito com pó de pedra e areia, segundo determinação do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município (Conppac), que tem por base o projeto original. “Quando chove, o pó e a areia vão embora e as pedras soltam”, diz o secretário.
Tudo de novo – Ele também diz que o projeto de drenagem na rua Comandante Marcondes Salgado, elaborado para evitar enchentes na região da avenida Doutor Francisco Junqueira, contém erros e não pode ser concluído porque o governo de São Paulo suspendeu o repasse no valor entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões.
Telli também diz que a região da Nove e Julho tem poucos pontos de captação de águas pluviais, como bocas de lobo e bueiros, os existentes captam um volume baixo de água da chuva, não dando vazão. O secretário diz que a pasta está elaborando um projeto para sanar os problemas e toda a obra da avenida pode ser refeita.
Entre dezembro e fevereiro, alguns pontos próximos a bueiros e galerias de água pluvial também cederam entre a Independência e a Sete de Setembro, afetando cruzamentos da Nove de Julho com a Floriano Peixoto e a Marechal Deodoro.
As obras na avenida Nove de Julho começaram em 23 de julho de 2023. Em dezembro do mesmo ano, 40% dos trabalhos deveriam estar concluídos. Porém, apenas 8% foram realizados pela Construtora Metropolitana, que teve o contrato rescindido unilateralmente péla prefeitura sob o argumento de não cumprimento do cronograma definido em contrato. Recebeu R$ 2.517.675,94 – o valor remanescente era de R$ 28.614.425,83.
A empresa Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda. venceu o novo certame lançado pela administração com a proposta no valor global de R$ 32.411.776,19. No total, a obra custou R$ 34.929.452,13 aos cofres públicos. A avenida foi liberada ao tráfego no final de março do ano passado. Os problemas na Nove de Julho renderam denúncia ao Ministério Púbico de São Paulo (MPSP).

