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Conecta ganha prazo para resolver falhas na iluminação

Alfredo Risk/Arquivo Consórcio disse a promotor que vai sanar falhas e atender demanda da iluminação pública, com instalação de lâmpadas de led, em até 30 dias

O promotor do Patrimônio Público e Social Alexandre Padilha esteve reunido, na tarde desta terça-feira, 5 de maio, com representantes da prefeitura de Ribeirão Preto e do Consórcio Conecta RP para discutir a situação da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública. A empresa se comprometeu a corrigir falhas e atender à demanda em 30 dias, prazo imposto pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP)

O promotor analisa o descumprimento de cláusulas contratuais por parte do consórcio e cobra soluções para as falhas no serviço, que têm gerado muitas reclamações de munícipes – são mais de duas mil queixas, 86% do total de pedidos. Padilha diz que se a empresa não cumpriro novo prazo, a prefeitura deveria rescindir o contrato.

A Conecta alega desfasagem em valores e não recebimento por serviços prestados. A prefeitura tem 40 dias para analisar essa alegação e criou uma comissão para acompanhar o caso.Um dos locais críticos é a avenida Eduardo Andrea Matarazzo, a Via Norte, uma das principais vias de acesso da região Central aos bairros da Zona Norte.

Desde que assumiu os serviços, o Consórcio Conecta já foi notificado doze vezes pela prefeitura de Ribeirão Preto por problemas no cumprimento do contrato, que prevê a modernização da iluminação pública e a troca das antigas lâmpadas pelas de led.

A notificação mais recente foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM), de 7 de abril, pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Zeladoria. A fiscalização constatou que havia poucas equipes terceirizadas realizando o serviço.

Segundo a denúncia, o consórcio estaria utilizando luminárias led em desacordo com normas técnicas, com suposta ausência de certificação de relés fotoeletrônicos – dispositivos automáticos que ligam luzes ao escurecer e as desligam ao amanhecer, utilizando sensores de luminosidade – nas instalações.

Também apontava indícios de problemas na substituição de cabos de alimentação elétrica e a ausência de aterramento adequado das luminárias e que elas estariam sendo instaladas de forma inadequadas, incluindo posicionamento incorreto e desalinhamento de luminárias. Também questionava a qualidade e a durabilidade dos materiais empregados e demora do Consórcio para responder as reclamações da população.

Em novembro do ano passado, o Ministério Público instaurou procedimento administrativo de acompanhamento (PAA) para apurar a execução do contrato assinado entre a prefeitura de Ribeirão Preto e a o Consórcio Conecta RP no âmbito da PPP da Iluminação Pública da cidade.

A manifestação do MP tem por base o relatório final da Comissão Especial de Estudos (CEE) da Iluminação Pública, instaurada na Câmara de vereadores para apurar supostas falhas na execução de cláusulas contratuais. O documento foi entregue ao promotor Alexandre Padilha em 13 de outubro.

Padilha mandou notificar a Secretaria Municipal de Justiça e a empresa Arcadis, que atua como verificadora independente do contrato. Ao Executivo, a Promotoria do Patrimônio Público e Social solicita informações atualizadas, esclarecimentos sobre os atrasos no cumprimento do contrato e sobre os pagamentos realizados à empresa, bem como as medidas adotadas pela prefeitura.

Da Arcadis, o Ministério Público requer relatórios de avaliação de desempenho da concessionária e informações sobre eventuais recomendações de recusa de pagamentos ou aplicação de penalidades. A CEE era formada pelo então presidente Daniel Gobbi (PP), o relator Rangel Scandiuzzi (PSD) e Matheus Moreno (MDB).

O Conecta Ribeirão Preto é um consórcio constituído sob a forma de Sociedade de Propósito Específico (SPE) composto pelas empresas High Trend Brasil Serviços e Participações S.A., Proteres Participações S.A. e Green Luce Soluções Energéticas S.A.

Em 7 de julho de 2023, o Conecta Ribeirão Preto venceu o leilão da parceria público-privada, realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. O grupo deverá investir, nos próximos 13 anos, R$ 100 milhões na manutenção, ampliação e modernização da Iluminação pública da cidade. Para isso, deveria receber R$ 1.034.208,14 por mês via Taxa de Iluminação Pública paga pela população.

Atualmente, recebe da prefeitura pelos serviços de iluminação pública R$ 506 mil por mês, valor que aumentará de acordo com a realização do cronograma dos serviços, até chegar ao teto estabelecido no contrato. O valor mensal da taxa é calculado conforme a classe de consumidor e o consumo de energia elétrica indicado na fatura emitida pela CPFL Paulista.

Como havia atrasado os serviços, não estava recebendo valor integral. Em agosto, setembro outubro, novembro e dezembro do ano passado o valor repassado foi de cerca de R$ 2 milhões. Desde abril do ano passado, os clientes da CPFL Paulista em Ribeirão Preto pagam pelo novo sistema de contribuição da taxa de iluminação pública estabelecido pela lei municipal nº 3.156.

A legislação foi aprovada na Câmara de Vereadores e sancionada pelo então prefeito Duarte Nogueira (PSDB) no começo do ano passado. A legislação alterou o sistema de cobrança da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP), que tinha valor fixo de R$ 11,37 por mês e que passou a ser calculado a partir do consumo de cada imóvel. Os recursos serão utilizados para o pagamento do consórcio vencedor da PPP.

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