Tribuna Ribeirão
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De mãe para futura mamãe

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Em 11 de junho de 1883, Emília Ferreira Penna, mãe de Manoel Penna, que inspirou o nome do nosso grupo local de empresas, escreveu carta para sua irmã Virgília, com conteúdo extremamente atualizado, que reproduzo abaixo, ainda homenageando o Dia das Mães.

“Minha querida Virgília – Podes dar-me os parabéns porque me sinto feliz ! Acabei a criação do meu Sylvio. Como em breve serás também mãe e mãe pela primeira vez, devia-me dar-te aqui alguns conselhos.

Escuta bem : antes dos seis meses não dês nunca a teu filho ou filha leite que não seja o teu. És magra, és fraca ? e eu também não o sou ? e não criei meu filho gordo, corado e lindo ?!

Acostuma-o a passar a noite inteira, desde as oito horas, na sua caminha, sempre no teu quarto, não o deixe dormir com criadas.

Depois dos seis meses, poderá auxiliar a amamentação, espaçando mais as horas de mamar. Aconselha-te com teu médico sobre o que deves dar a teu filho.

Lava-o nas horas certas; durante o primeiro ano, eu prefiro a hora do meio dia.

Enfim, minha querida, não o envolvas em muita lãs, não o tragas sempre no colo e verás que lindeza de criança será a tua!

É ano de privações o de aleitamento; mas, concluída a missão, que alegria e que orgulho para nossa consciência!

Uma cousa que também te aconselho: diverte-te; quero dizer, não te deixes ficar em casa a criar mofo e ferrugem da indolência. Apanha o sol, ar, faz exercícios, come bem que assim o leite que sair do teu seio à boquinha sôfrega da criança será mais abundante, mais sadio, mais puro, mais alegre ( deixa-me dizer assim, visto que da saúde depende a boa alegria !)

Ser mãe não éfácil, desde que a gente o queira ser como deve ser!

Tu verás, minha Virgília, como um filho desperta hinos de glória em nosso coração! Sofre-se muito, muito, muito quando se é mãe; mas, crê-me também se é muito feliz!

Uma doença, um ai, um suspiro mais alto, às vezes só perceptível aos nossos ouvidos, faz-nos estremecer, perder noites, chorar lágrimas quentes; mas um sorriso, um beijo ao despertar, um abraço estreito em que sentimos o nosso pescoço envolvido por dois bracinhos nus, muito redondos e branquinhos é ventura que a miserável língua humana não pode significar e que só o coração entende quando se é mãe.

Aceita um abraço da extremosa irmã Milota.

A carta acima foi tirada do livro escrito por Nice Penna de Barros Cruz quando do centenário de seu pai Manoel Penna e é repassada para seus descendentes mulheres quando engravidam pela primeira vez.

Traz conselhos muito úteis até nossos dias.

* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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