Tribuna Ribeirão
Esportes

Potências europeias buscam conquista rara

Espanha, Inglaterra, Portugal e Holanda conquistaram, juntos, apenas dois Mundiais

Portugal e Espanha decidiram título da Nations League no ano passado - Créditos: Daniela Porcelli/Getty Images

Por Hugo Luque

O guia da Copa do Mundo de 2026 do Tribuna Ribeirão continua com mais quatro seleções que sempre figuram entre as favoritas, mas sofrem para conquistar o tão sonhado troféu. Espanha, Inglaterra, Portugal e Holanda estão entre os dez melhores times do mundo no ranking oficial da Fifa e, mais uma vez, as expectativas são altas sobre essas equipes.

Os espanhóis são o principal conjunto do quarteto e, a princípio, do Mundial como um todo. Maior provedora de dados e análises esportivas do planeta, a Opta coloca a Fúria como a seleção com mais chances de erguer o troféu: 15,99%.

O motivo é o forte elenco. Embora a convocação esteja programada para ser divulgada apenas nesta segunda-feira (25), alguns nomes, caso estejam aptos fisicamente, são certos na lista do técnico Luis de la Fuente: o melhor do mundo de 2024, Rodri, do Manchester City, além de craques do Barcelona como Pedri, Gavi, Dani Olmo e Lamine Yamal. O atacante de 18 anos se recupera de uma lesão no bíceps femoral da perna esquerda e corre contra o tempo para estar à disposição na estreia.

Campeã em 2010, a Espanha vive um período de baixa na Copa. Após conquistar o mundo com a geração liderada por Xavi e Iniesta, o país europeu parou na fase de grupos em 2014, no Brasil, nas oitavas de final na Rússia, em 2018, e também nas oitavas em 2022, no Catar.

Porém, para 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, o momento é o melhor possível. Vencedora da Eurocopa de 2024, a Espanha também chegou à final da Liga das Nações da Uefa, no ano passado. Nas Eliminatórias, garantiu a classificação direta ao torneio de forma invicta, com cinco vitórias e um empate no Grupo E, que ainda tinha Turquia, Geórgia e Bulgária.

Depois da classificação, a Fúria fez dois amistosos: vitória por 3 a 0 sobre a Sérvia e empate sem gols com o Egito, em março. Antes da Copa, os últimos testes, no próximo mês, serão contra Iraque e Peru.

No Grupo H, a Espanha estreia contra Cabo Verde, dia 15, às 13h (de Brasília), em Atlanta, nos Estados Unidos. No dia 21, às 13h, novamente no Mercedes-Benz Stadium, encara a Arábia Saudita. O time fecha a primeira fase contra o Uruguai, às 21h de 26 de junho, no Estádio Akron, em Zapapon, México.

Se passar na liderança, a equipe espanhola terá pela frente o segundo colocado do Grupo J (Argentina, Argélia, Áustria ou Jordânia). Caso avance na vice-liderança, o adversário será o primeiro dessa chave. No cenário de classificação na terceira posição, o duelo da segunda fase será com o líder do Grupo A, G, I ou L.

A Espanha carrega na bagagem um título (2010) e um quarto lugar (1950) em 17 participações – está será a 18ª no geral e a 13ª seguida. O histórico é de 67 jogos, 31 vitórias, 17 empates e 19 derrotas, com 108 gols marcados e 75 gols sofridos.

Inglaterra

Sempre bem cotada para alcançar as fases mais agudas da Copa do Mundo, a Inglaterra é a quarta colocada do ranking da Fifa e terceira principal favorita segundo a Opta, com 10,66% de chances de voltar a levantar a taça. À frente, estão apenas Espanha e França (segunda com 12,7%).

Entre os convocados pelo treinador alemão Thomas Tuchel, destacam-se Harry Kane, do Bayern de Munique, Jude Bellingham, do Real Madrid, além de Declan Rice e Bukayo Saka, campeões ingleses com o Arsenal na última semana e garantidos na final da Liga dos Campeões, no próximo sábado.

Vencedores da edição de 1966, os ingleses sofrem com decepções sequenciais. Desde a queda na lanterna de seu grupo na Copa de 2014, os Três Leões ficaram com um amargo quarto lugar em 2018 e foram eliminados nas quartas de final em 2022.

Campeão da Eurocopa de 2020, o conjunto britânico foi vice na edição de 2024. Nas Eliminatórias, avançou com 100% de aproveitamento em chave com Albânia, Sérvia, Letônia e Andorra. Já na Liga das Nações, a equipe conseguiu o acesso para retornar à elite da competição, que adota formato de divisões.

Nas partidas amistosas de março, a Inglaterra empatou em 1 a 1 com o Uruguai e perdeu por 1 a 0 para o Japão. Antes do Mundial, os comandados de Tuchel farão testes finais contra Nova Zelândia e Costa Rica.

No Grupo L, os ingleses farão toda a primeira fase nos Estados Unidos. A estreia está marcada para o dia 17, às 17h, no AT&T Stadium, em Arlington, contra a perigosa Croácia. Em seguida, o time duela com Gana no Gillette Stadium, em Foxborough, às 17h do dia 23. Por fim, encara o Panamá no dia 27, às 18h, no MetLife Stadium, em East Rutherford.

Se passar na liderança, terá o terceiro colocado do Grupo E, H, I, J ou K na segunda fase. Com o segundo lugar, encara o vice-líder do Grupo K (Portugal, Congo, Uzbequistão ou Colômbia). Caso fique entre os melhores terceiros, o duelo será com o primeiro do Grupo K.

O saldo inglês é de um título (1966) e dois quartos lugares (1990 e 2018) em 17 participações. Em 74 jogos, foram 32 vitórias, 22 empates e 20 derrotas, além de 104 gols feitos e 68 levados.

Portugal

Embora não tenha o amplo favoritismo matemático a seu favor, Portugal conta com a força de vontade de um dos maiores atletas de todos os tempos. Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo vai disputar aquela que pode ser sua última Copa do Mundo – a sexta no total, novo recorde que deve ser dividido com o argentino Lionel Messi e o goleiro Guillermo Ochoa, do México – e quer o inédito troféu para seu país.

O atacante do Al-Nassr, da Arábia Saudita, é o principal nome da seleção que ocupa a quinta posição do ranking da Fifa e tem a quinta maior probabilidade de levar o título segundo a Opta, com 7,02%. Comandada pelo espanhol Roberto Martínez, a equipe, já convocada, tem também outros destaques, como Bruno Fernandes, do Manchester United, Bernardo Silva, do Manchester City, Rafael Leão, do Milan, além de Vitinha, João Neves e Nuno Mendes, titulares do Paris Saint-Germain, finalista da Liga dos Campeões.

Neste ciclo, Portugal sofreu com a perda precoce de um de seus atacantes, Diogo Jota, que morreu em um acidente automobilístico em julho do ano passado, aos 28 anos, quando era jogador do Liverpool. Dentro de campo, os lusitanos avançaram na liderança de seu grupo nas Eliminatórias, que ainda tinha Irlanda, Hungria e Armênia. Na Euro de 2024, o conjunto parou nas quartas de final. Já na Liga das Nações, conquistou o título nos pênaltis contra a Espanha.

Desde que ficou com o quarto lugar na Copa de 2006, o time rubro-verde ficou pelo caminho nas oitavas de final em 2010, na África do Sul, na fase de grupos em 2014, novamente nas oitavas em 2018 e nas quartas de final em 2022, quando perdeu para o surpreendente Marrocos.

Os últimos compromissos amistosos dos portugueses foram o empate sem gols com o México e a vitória por 2 a 0 sobre os Estados Unidos. Antes do Mundial, enfrentarão Chile e Nigéria em duelos preparatórios.

Cabeça de chave do Grupo K, Portugal fará seus três jogos nos Estados Unidos. O time estreia às 14h do dia 17, contra o Congo, em Houston. Em seguida, enfrenta o Uzbequistão às 14h do dia 23, novamente no NRG Stadium. Por fim, joga com a Colômbia no dia 27, às 20h30, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.

Se passarem na ponta, os Lusos enfrentam o terceiro do Grupo D, E, I, J ou L no mata-mata. Com a segunda posição, duelam com o vice-líder do Grupo L (Inglaterra, Croácia, Gana ou Panamá). Por fim, caso avancem no terceiro posto, pegam o líder do Grupo L.

Portugal vai para sua sétima Copa seguida e a nona de sua história. Até aqui, foram conquistados um terceiro lugar (1966) e um quarto lugar (2006) em 35 partidas, com 17 vitórias, seis empates e 12 derrotas, além de 61 gols a favor e 41 sofridos.

Holanda

“Azarona” entre as potências europeias, a Holanda também busca seu primeiro título. Sétima no ranking da Fifa, a Laranja é, de acordo com a Opta, a oitava equipe com mais chances de erguer o troféu: 3,86% de probabilidade.

Embora o técnico Ronald Koeman tenha escolhido divulgar a convocação somente ao longo desta semana, alguns nomes de destaque são presenças quase certas: o zagueiro Virgil Van Dijk e o atacante Cody Gakpo, ambos do Liverpool, além do meia Frenkie De Jong, do Barcelona. No entanto, Memphis Depay, atacante do Corinthians e maior artilheiro da história da seleção, é a grande dúvida. Ele se recupera de uma lesão na coxa e não entra em campo desde 22 de março. Já o meia Xavi Simons, do Tottenham, é baixa certa após sofrer uma grave lesão no joelho.

Semifinalista da última Eurocopa e eliminada nas quartas de final da Liga das Nações, a Holanda passou como líder em seu grupo nas Eliminatórias – ficou à frente de Polônia, Finlândia, Malta e Lituânia. Marcada por ser a seleção com mais finais de Copa sem um título, a Laranja busca se reerguer depois de não disputar a edição de 2018. No retorno, em 2022, no Catar, foi eliminada pela Argentina nas quartas de final, em um duelo histórico e pegado, conhecido como “Batalha de Lusail”, que só terminou na disputa de pênaltis.

Após derrotar a Noruega por 2 a 1 e empatar em 1 a 1 com o Equador, em março, o time europeu terá como últimos adversários antes da Copa as equipes da Argélia e do Uzbequistão. Com todos os jogos nos Estados Unidos, a agenda holandesa na primeira fase tem marcada para 14 de junho, às 17h, a primeira rodada do Grupo F, contra o Japão, no AT&T Stadium, em Dallas. Ainda no Texas, mas em Houston, no NRG Stadium, o conjunto de Koeman enfrenta a Suécia às 14h do dia 20. Por fim, fecha o estágio de pontos corridos contra a Tunísia, dia 25, às 20h, no Arrowhead Stadium, em Kansas City.

A Holanda pode entrar no caminho do Brasil já na segunda fase, pois, se terminar na ponta, enfrenta o segundo colocado do Grupo C (Brasil, Marrocos, Haiti ou Escócia). Se ficar com a vice-liderança, a situação se inverte e a equipe encara o líder da chave brasileira. Por fim, caso avance na terceira posição, o duelo será com o líder do Grupo A, B, D, E ou I.

Jamais campeã, a Holanda foi vice três vezes (1974, 1978 e 2010), terceira colocada em uma oportunidade (2014) e quarta também uma vez (1998). Prestes a iniciar sua 12ª participação, a equipe europeia carrega um retrospecto de 55 jogos, 30 vitórias, 14 empates e 11 derrotas, com 96 gols anotados e 52 tentos cedidos.

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