André Luiz da Silva *
[email protected]
Todos os anos, quando o inverno se aproxima com suas madrugadas geladas, campanhas de arrecadação de agasalhos mobilizam pessoas, empresas e instituições. O mesmo acontece diante de enchentes, incêndios, secas e outras tragédias climáticas que desafiam nossa capacidade de resposta. Nessas ocasiões, vemos o melhor da sociedade emergir: um movimento do bem de mãos que se unem para aliviar a dor de quem mais precisa.
Mas a solidariedade não nasce apenas nos momentos de crise. Ela precisa ser cultivada diariamente, como um valor permanente. E foi exatamente essa reflexão que inspirou centenas de estudantes das redes públicas municipal e estadual de Ribeirão Preto, São Simão e Cravinhos, participantes do Projeto Literatura e Arte 2025-26, promovido pelo Rotary Club de Ribeirão Preto–Jardim Paulista.
Ao ler os textos produzidos pelos jovens e adolescentes, encontrei algo que vai muito além de versos e redações. Encontrei consciência social. Encontrei empatia. Encontrei uma geração que compreende que o frio mais perigoso nem sempre é o da temperatura, mas o da indiferença.
Os alunos transformaram em ilustrações e palavras aquilo que muitos adultos ainda têm dificuldade de perceber: ninguém atravessa sozinho os invernos da vida. Um cobertor, uma refeição, um abraço, uma escuta atenta ou uma simples mão estendida podem representar a diferença entre o desespero e a esperança.
Por isso, meus cumprimentos aos estudantes, que deram voz a sentimentos tão nobres; aos professores, que souberam transformar literatura em formação humana, aos familiares que apoiaram; e ao Rotary Club de Ribeirão Preto–Jardim Paulista, que mais uma vez demonstra que educação, cultura e cidadania caminham juntas.
A cerimônia de premiação ganhou um significado ainda mais especial ao ser realizada na histórica Biblioteca Padre Euclides, que recentemente celebrou seus 123 anos de existência. O espaço homenageia o inesquecível sacerdote que conquistou reconhecimento por sua generosidade, pelo compromisso com os mais necessitados e pela defesa incansável dos pobres e desvalidos. Naquela tarde, o simbolismo foi perfeito: sob o olhar da história, jovens talentos apresentaram suas reflexões sobre solidariedade em um local que preserva a memória de alguém que fez da solidariedade uma missão de vida. Ali, passado e presente deram-se as mãos, projetando um futuro promissor, no qual a educação, a cultura e o compromisso com o próximo continuam sendo caminhos seguros para a construção de uma sociedade mais humana.
Em um mundo frequentemente marcado pela pressa e pelo individualismo, iniciativas como essa nos lembram que a solidariedade continua sendo uma das maiores forças transformadoras da humanidade.
Que o exemplo dessa garotada inspire toda a sociedade. Que empresas, escolas, entidades, igrejas, clubes de serviço e cidadãos encontrem maneiras de participar. Afinal, quando cada um oferece um pouco do seu calor humano, nenhum inverno é forte o bastante para vencer uma comunidade unida.
E talvez essa seja a mais importante lição deixada por nossos estudantes: o bem não é uma tarefa de alguns. É uma responsabilidade de todos.
* Servidor municipal, advogado, escritor e radialista

