Tribuna Ribeirão
Agro

Governo libera R$ 525,1 bi para safra


Marcelo Camargo/Ag.Br.
Solenidade: somado a outros cerca de R$ 85 bilhões destinados à agricultura familiar, o financiamento para o setor agrícola supera os R$ 610 bilhões

Plano Safra 2026/27 vai oferecer um total de R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores

Isadora Duarte (AE)

O Plano Safra 2026/27 vai oferecer na temporada que começa nesta quarta-feira, 1º de julho, um total de R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores, 1,7% a mais do que a oferta de crédito na temporada 2025/26, de R$ 516,2 bilhões.  O governo confirmou os números nesta terça-feira, 30 de junho, durante o início da cerimônia de lançamento e destacou que trata-se de um aumento de R$ 9 bilhões em recursos.

Somado a outros cerca de R$ 85 bilhões destinados à agricultura familiar, o financiamento para o setor agrícola supera os R$ 610 bilhões. A cifra inclui R$ 194 bilhões em recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) originadas de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e da aplicação da poupança rural com direcionamento obrigatório.

O governo considera os recursos de CPRs no cálculo final em virtude da isenção fiscal das LCAs direcionadas para o crédito rural, portanto, possuem renúncia fiscal e subvenção do Executivo. O Plano Safra 2026/27 foi lançado pelo vice-presidente e presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura, André de Paula. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou do evento.

“O Plano Safra 2026/27 reafirma o papel do crédito rural como instrumento estratégico para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a renda no campo, garantir o abastecimento e a segurança alimentar, impulsionar as exportações e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro”, afirma o Ministério da Agricultura, em nota.

Do montante total, serão disponibilizados R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização no Plano Safra 2026/27, 7,2% menos que na temporada passada (R$ 414,7 bilhões). Para as linhas de investimento, serão destinados R$ 140,2 bilhões, 38% mais que os R$ 101,5 bilhões da temporada passada.

O governo cortou as taxas de juros do Plano Safra 2026/27 em quase todas as linhas de crédito da agricultura empresarial entre 0,5 ponto porcentual e 1,5 ponto porcentual, para 8% ao ano a 12,5% ao ano, entre as linhas de custeio e investimento. No Plano Safra anterior, os juros oscilavam de 8,5% a 14%.

A redução de juros era o principal pleito do setor produtivo para o Plano Safra. A diminuição superou a queda da Selic acumulada no período, que saiu de 15% ao ano para 14,25% ao ano em um ano. Uma das principais alterações foi feita no custeio empresarial, cujos juros saíram de 14% ao ano para 12,5% ao ano.

“Um dos principais avanços do Plano Safra 2026/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva”, acrescenta o ministério.

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá R$ 72,6 bilhões em recursos com taxas controladas, 5% mais que os R$ 69,1 bilhões da safra anterior. Os juros dos financiamentos do Pronamp serão de 9% ao ano, um ponto porcentual abaixo dos 10% ao ano da temporada 2025/26. A ampliação de recursos para financiar médios produtores foi uma das prioridades do Ministério da Agricultura no Plano Safra atual.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse n que o governo federal fez um “esforço grande” para conseguir “harmonizar” as necessidades do agronegócio com as possibilidades das contas públicas do governo federal.

“Houve um esforço grande das equipes da Casa Civil, do Planejamento, do Mapa, do MDA para conseguir compilar e fazer essa associação entre os interesses do setor do agronegócio e as contas públicas e as possibilidades, mais um vez, de termos um Plano Safra recorde no país”, afirmou

Durigan também exaltou os resultados recordes de safras agrícolas no Brasil nos últimos anos e disse que o Plano 2026/27, que, segundo ele, será mais um recorde, possibilitará que o setor siga entregando esses resultados, mesmo num cenário de endividamento dos produtores. “Quando olhamos para as últimas safras, percebemos que o nosso agronegócio como um todo tem ido bem e tem nos dado safras recordes consecutivas.”

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