Mário Palumbo *
[email protected]
O pão é constituído pelos grãos do trigo. E o vinho pelas bagas da uva. Os grãos são esmagados, torna-se farinha, é amassado, colocado no forno e torna-se vida e alimento de todos. Assim é a Eucaristia. A semente do trigo e a uva é Jesus esmagado na cruz, colocado no sepulcro, germina ressuscitando com nova vida para congregar em si todos que nele creem.
“Eu sou o pão descido do céu, quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida. Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim ainda que seja morto, vive”.
O pão sustenta nossa vida e o vinho nos dá alegria de viver. Cristo nos mantém vivos com seu alimento e nos dá vida com seu vinho celestial. “E quando amanhecer o dia da eterna e plena visão, ressurgiremos por crer nesta vida escondida no pão”.
Após a refeição com o corpo e sangue de Cristo, o Mestre cinge-se de uma toalha e começa a lavar os pés dos discípulos, inclusive de Judas que o iria trair. A Eucaristia nos leva a imitar em Cristo sendo servos dos nossos irmãos na comunidade, mas quando, como Judas, saímos da comunidade, aí entregamos o Cristo para se comprar o campo do Acéldama, onde entregamos à morte nossa vida.
A Eucaristia não é somente o corpo de Cristo fechado no tabernáculo, ou exposto no ostensório dourado, o corpo de Cristo está também nos corpos jogados nas sarjetas, consumidos pela fome e frio, e sobretudo pela indiferença dos que se dizem cristãos. É o corpo estraçalhado no ventre da mãe que aborta, é o corpo das crianças e mulheres abusadas. Nos corpos dilacerados nos porões das ditaduras. Corpos tombados nos becos das cidades pelas balas do crime organizado e pelas armas do próprio Estado.
O corpo de Cristo não está apenas nas procissões que percorrem as ruas cobertas por tapetes coloridos. O Corpo de Cristo continua presente nos corpos feridos da humanidade.
É difícil crer na Eucaristia: comer a carne e beber o sangue de Jesus, mas ele insiste “quem come minha carne e beber o meu sangue, terá a vida”. Depois dos discursos de Jesus, muitos discípulos deixaram de seguí-lo. Jesus perguntou para os demais “vocês também querem me deixar?”. A resposta foi “e para quem iremos?”.
A crença na Eucaristia é a base da cristandade. Ao longo da história vários padres tiveram suas dúvidas a respeito da presença real de Cristo na Eucaristia. Mais de 150 fatos históricos atestam a presença real de Cristo na Eucaristia quando da hóstia consagrada saíram gotas de sangue que até hoje são guardados em relicários e examinados por vários laboratórios. Mostra-se que é sangue humano extraído de um coração em profundo sofrimento. São Carlo Acutis, jovem de 15 anos, conseguiu coletar a história dos milagres eucarísticos, que nenhuma investigação humana científica consegue explicar.
O cristão que se alimente do pão eucarístico deve tornar-se o novo trigo mastigado a serviço dos irmãos.
* Professor e padre casado

