Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Augusto Pinilla é um poeta, romancista e ensaísta colombiano, nascido em 1946 em Socorro, Santander. Integrante do movimento de poetas colombianos conhecido como Geração Sem Nome, movimento de poetas colombianos que conseguiu reinventar a poesia de um país que, no final da década de 1960, estava imerso em conflitos armados, no boom latino-americano e na publicação de Cem Anos de Solidão (1967), Pinilla também atua na área acadêmica como professor de Literatura desde a década de 1970. Nesta área, o autor publicou diversos livros voltados às áreas de Estética e Literatura, além de assessorar o Ministério da Educação Nacional nas áreas de espanhol e literatura. Segundo ele, “com o tempo, percebi que meus estudos pessoais estavam intimamente ligados ao currículo acadêmico”.
Influenciado pelo estilo do escritor argentino Júlio Cortázar e do cubano José Lezama Lima, Pinilla publicou, em 1999, um livro intitulado “Cortázar y Lezama”, onde, segundo ele, busca apresentar “em forma de ensaio os resultados de considerações sobre diversas circunstâncias e documentos, que exigem uma análise do que uma abordagem da história do reconhecimento mútuo entre os dois autores pode significar para a literatura em língua espanhola”.
Como poeta, Pinilla publicou “Fábrica de sombras” (1987), “El libro del aprecio” (1990), “Y la vida revivirá” (1997), “Los días del paraíso” (2012) e “El anjo en la hoguera” (2013). No gênero romance, publicou “A Casa Infinita” (1979), “A Fênix Dourada” (1982), “O Poeta Imortal” (1995), “O Romance de Cristo” (1999) e “Fausto, o Jovem” (2018). Exercitando-se na elaboração de narrativas curtas, são de sua pena dois livros de contos, “Surviving Tales” (2001) e “The Burning Bush” (2006). Já entre seus ensaios e biografias, destacam-se: “Autores de um autor” (2004), “Jorge Luis Borges; a literatura como terra própria” (2005) e “A era Lezama Lima” (2010).
Dono de um estilo lírico sóbrio, lúcido e intimista, fortemente marcado por sua formação filosófica, Pinilla afasta-se de excessos retóricos ou panfletários, preferindo uma linguagem contida que busca a iluminação interior e o valor estético da palavra. Seus versos frequentemente funcionam como uma memória viva da existência, resgatando instantes cotidianos, imagens domésticas e reflexões sobre a passagem do tempo. Utilizando a palavra escrita como uma ferramenta de descoberta, um meio de encontrar luz, nitidez e calor em meio às incertezas da vida, ”, são seus os seguintes versos no poema “Sem saber seu nome”: Você aparece. É você e é ela. Sua beleza passa despercebida por mim por causa da minha idade na época e quem eu sou agora. Posso dizer a verdade quando te ligo. Lua nova. Ninguém presume um sonho. Você é e você existe. É você e é ela. E ela está comigo, e nós somos um. E você passa por aqui perto de mim e de volta ao nosso tempo. O lugar é o mesmo, exceto Heráclito quem sempre lustra os azulejos. Aquele que está olhando para você é o mesmo, exceto pela diferença entre ela e você em essência e em tempo. Você veio, por acaso, para me contar algo? Que a Terra já girou o suficiente até que recuperem toda a sua juventude? Ou talvez você tenha se lembrado. Essa beleza constrói caminhos na eternidade”.
Professora Universitária*





