Tribuna Ribeirão
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“O Livro dos Labirintos”

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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O carioca Francesco Perrota-Bosch, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, em São Paulo, brinda-nos com excelente livro, cuja abertura feita por Lúcia Koch já nos dá o objetivo  da obra: “Em o Livro dos Labirintos, Francesco Perrota-Bosch nos apresenta ao surgimento do labirinto como elemento narrativo, presente no mito muitos séculos antes de ser oferecido à experiência dos corpos”.

Há muitos anos, na ilha de Creta, floresceu a poderosa civilização minoica, dominando o Mediterrâneo. Diz a lenda, que a rainha Pasífie, encantada por um touro, deixa-se possuir pelo mesmo, daí nascendo o Minotauro,   homem com  cabeça de boi. Para ocultar a aventura da rainha e esconder o estranho rebento, o rei Minos pede a Dédalo, pai da Arquitetura, que construa um edifício de tal maneira que seja muito difícil entrar e impossível de sair, tantos os desvios nos caminhos, nele colocando o rebento. Nascia assim o labirinto.

A cada nove anos, sete moças e sete rapazes de Atenas -então uma cidade-estado pouco poderosa – eram levados a Creta para serem devorados pelo Minotauro. Teseu, filho do rei Egeu de Atenas, insurgiu-se contra este encargo e colocou-se entre os jovens a serem enviados para o próximo sacrifício, pretendendo acabar com o mítico ser.

A deusa do amor, Afrodite, encantada com a coragem do jovem guerreiro,  faz com que a filha do rei Minos, Ariadne,  por ele se apaixone perdidamente.

Para permitir que  Teseu execute sua missão e retorne para sua nova amada, dá-lhe um novelo de lã, instruindo-o a amarrar um fio na entrada do labirinto e leva-lo por toda a extensão do caminho, o que permitirá uma volta segura à entrada. Nasce assim a lenda do Fio de Ariadne.

Teseu chega ao centro do labirinto, mata o Minotauro, libertando todos do perigo que a terrível criatura despertava.

O mito do labirinto, do Minotauro, de Teseu e Ariadne é explorado por vários escritores clássicos. Sempre se buscou restos da existência da obra prima de Dédalo, que dera origem à lenda, mas nunca nada foi encontrado, embora  outros sítios arqueológicos europeus registrem ruínas de várias construções do tipo.

Interessante notar que os labirintos passaram a ser construídos no piso das grandes catedrais do medievo, sem que fossem encontrados documentos que justificassem sua origem.

Então os labirintos perdem seu caráter religioso e passam a ser considerados como obra do amor, ou seja, suas ruas e alamedas entremeadas e ladeadas de árvores altas permitem encontros amorosos furtivos entre os renascentistas.

Vários castelos europeus mantém ainda hoje  vivos os seus labirintos, abertos à visitação pública, como lembrança das lendas e dos mitos que os cercam.”Estar dentro do labirinto”, diz o autor,” é a experiência da desorientação. Quando se está diante de duas ou três alternativas, há duvida de qual será a rota certa para se chegar ao centro ou à saída.É uma contínua sucessão entre o perder-se e o encontrar-se…Hoje,os labirintos passaram a ser vistos dos como uma curiosidade, uma diversão.”

E arremata a obra dizendo que os grandes aeroportos existentes  são os labirintos da atualidade. Quando se viaja de avião, temos de enfrentar o ziguezague das filas até o balcão de check-in. Recebendo o cartão de embarque, temos  de passar por filas de controle demarcadas por cordinhas para chegar ao portão de embarque, onde enfrentaremos novas filas. Chegado ao destino, novos corredores, escadas rolantes, elevadores, com várias rotas alternativas, até o local de busca das bagagens. Depois, continua o labirinto até conseguirmos chegar à saída.

Excelente obra cujo resumo aqui feito não nos dá a real dimensão de seu conteúdo.

* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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