Tribuna Ribeirão
Artigos

O fim da escala 6×1 pode acelerar a automatização nas empresas

Aguinaldo Rodrigues da Silva *

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40horas semanais voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional. A proposta,atualmente em análise no Senado Federal, desperta expectativas entre trabalhadores que buscam maior qualidade de vida, mas também levanta preocupações no setor produtivo quanto aos impactos econômicos e operacionais dessa mudança.

A discussão ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta desafios históricos relacionados à produtividade e à competitividade. Embora a redução da jornada seja adotada em alguns países, sua implementação depende de fatores como eficiência produtiva, capacidade tecnológica e condições econômicas específicas. No caso brasileiro, entidades representativas do setor empresarial alertam que uma alteração dessa magnitude pode produzir efeitos relevantes sobre a organização do mercado de trabalho.

Estudos elaborados por economistas da FecomercioSP apontam que a diminuição da jornada poderá elevar os custos com mão de obra, reduzir a flexibilidade na organização das escalas de trabalho e impactar principalmente micro e pequenas empresas dos setores de comércio e serviços, que possuem menor capacidade financeira para ampliar seus quadros de funcionários. Outro efeito apontado é o possível estímulo à informalidade.

Nesse cenário, uma tendência ganha força: a aceleração dos investimentos em tecnologia e na automatização de processos. Se a redução da jornada vier acompanhada da necessidade de manter os mesmos níveis de produtividade, muitas empresas poderão optar por substituir atividades repetitivas por soluções tecnológicas.

Esse movimento já pode ser observado em diversos segmentos. Operadores de caixa vêm sendo gradualmente substituídos por totens de autoatendimento em supermercados, farmácias, restaurantes e lojas. A mudança não significa necessariamente a eliminação de postos de trabalho, mas uma redistribuição das funções.

Sistemas de gestão (ERP), emissão automática de documentos, plataformas digitais,inteligência artificial e soluções de autoatendimento passam a representar investimentos capazes de compensar parte do aumento dos custos operacionais.

A experiência da pandemia de Covid-19 demonstrou que empresas que já utilizavam ferramentas digitais conseguiram adaptar-se com maior rapidez e menor custo. A mesma lógica pode ser aplicada ao momento atual: antecipar investimentos em transformação digital pode gerar vantagem competitiva.

A automatização também está ao alcance dos pequenos negócios. Ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, aplicativos de automação para WhatsApp e sistemas em nuvem permitem ganhos significativos de produtividade sem grandes investimentos.

Outro aspecto relevante é o fortalecimento das negociações coletivas. O artigo 611 da CLT atribui aos sindicatos papel importante na negociação de jornada, banco de horas,escalas, turnos e intervalos intrajornada.

Mais do que acompanhar a tramitação da proposta, empresas que investirem desde já em inovação, revisão de processos e qualificação da gestão estarão mais preparadas para enfrentar um ambiente de negócios cada vez mais competitivo.

* Presidente do Sindtur e do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Duas festas espanholas

Redacao 5

Juízo

Redacao 5

O herdeiro e o profissional: a falsa rivalidade que destrói o valor das empresas familiares

Redacao 5

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade