Tribuna Ribeirão
Artigos

Duas festas espanholas

Rui Flávio Chúfalo Guião *
[email protected]

Perde-se no tempo da dominação muçulmana na Península Ibérica a fundação da pequena cidade de Buñol ou Bunyol (em valenciano), a  poucos quilômetros de Valência. Simpático vilarejo, com pouco menos de 10.000 habitantes, consolidou-se pela construção de um castelo medieval que até hoje sobrevive, e a cidade é sede de uma das mais tradicionais festas espanholas, La Tomatina.

Ocorre na última quarta-feira de agosto e consiste numa batalha urbana, onde 100 toneladas de tomates inservíveis são arremessados pela multidão, uns contra os outros, numa peleja que dura uma hora.

Ao meio dia, caminhões despejam os tomates, que são pegos pelos mais de 20 mil participantes e depois de devidamente amassados, são arremetidos contra todos. Para

proteção dos combatentes, usam-se óculos de natação, para proteger os olhos e roupas informais, que se tingirão de vermelho.

A festa é uma das mais tradicionais do país e atrai milhares de turistas que participam da guerra ou simplesmente observam as batalhas.

La Tomatina é recente, surgiu em 1945, durante uma apresentação de outra festa popular espanhola, Los Gigantes y Cabezudos. Nesta, bonecos gigantes, como os nossos de Olinda, misturam-se às cabeças avantajadas de outros, todos feitos de papel machê ou de produtos mais modernos. Os bonecos dançam no meio do povo, sob som de músicas típicas.

No ano de 1945, durante Los Gigantes y Cabezudos houve uma briga entre os participantes, que saquearam uma banca de tomates, dando início a uma batalha onde os mesmos tomates eram as armas.

A  “guerra” foi tão apreciada por todos, que se repetiu no ano seguinte e nos demais anos, transformando-se numa das mais expressivas festas populares espanholas.

No rico folclore da Espanha, outra festa também se destaca: é corrida de touros de São Firmino, na cidade de Pamplona, no mês de julho.

Nasceu por acaso, no século XIII, da necessidade que os pastores tinham de levar os animais dos campos para a praça de touros, guiando-os pelas estreitas e sinuosas ruas da cidade.E tornou-se  conhecida internacionalmente depois que Ernest Hemingway descreveu-a em seu livro “O sol também se levanta”, em 1923.

Participando de festas religiosas, os moradores começaram a correr em frente dos bois, desviando-se dos longos chifres dos animais. Nascia assim a “Fiesta de San Fermin”, misto de evento católico e manifestação popular.

Hoje, são duas corridas, nos dia 7 e 14 de julho, quando seis bois furiosos são soltos na rota que conduz os mesmos para a praça de touros,  num trajeto de 850 metros, que é feito entre dois a três minutos.

Às 8 horas, os participantes vestidos de branco e usando um lenço vermelho, oram na estátua de San Fermin, pedindo sua proteção na corrida. Um foguete anuncia que os touros foram soltos e, guiados por outros bois treinados, adentram o caminho, onde os corredores se postam à frente da manada ou ao lado dos bois em disparada, numa corrida desenfreada. Outro foguete anuncia que todos os bois já adentraram a praça de touros.

As corridas exigem grande concentração e alguns participantes sofrem raspões e chifradas dos touros.

Esta festa de San Fermin espelha bem  o relacionamento de amor e apreensão que o povo espanhol tem pelos perigos do enfrentamento com os touros.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

O fim da escala 6×1 pode acelerar a automatização nas empresas

Redacao 5

Juízo

Redacao 5

O herdeiro e o profissional: a falsa rivalidade que destrói o valor das empresas familiares

Redacao 5

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade