Tribuna Ribeirão
Cultura

Câmara aprova repasse 
para reforma do Pedro II

Guilherme Sircili
Câmara de Vereadores aprovou repasse de R$ 600 mil da prefeitura de Ribeirão Preto para a reforma de cadeiras e carpetes do Theatro Pedro II

A Câmara de Vereadores aprovou repasse de R$ 600 mil da prefeitura de Ribeirão Preto para a reforma de cadeiras e carpetes do Theatro Pedro II. O projeto de lei foi aprovado por unanimidade, na sessão desta quarta-feira, 5 de agosto.

A gestão Ricardo Silva (PSD) diz que espaço, inaugurado em 1930, completou 95 anos de história em 8 de outubro de 2025, sendo reconhecido como o terceiro maior teatro de ópera do Brasil, mas a última grande reforma ocorreu em 1995, antes da reinauguração em 19 de junho de 1996.

Afirma que, desde então, diversos elementos de uso contínuo da sala principal como carpetes, cortinas e poltronas vêm recebendo apenas manutenção pontual, evidenciando a necessidade de substituição integral dos objetos, tanto por razões de segurança, conforto e funcionalidade, quanto pela questão preservação patrimonial.

Segundo a proposta, os recursos serão destinados à substituição dos carpetes vermelhos da sala principal, das cortinas de acesso e das espumas e tecidos das 1.588 poltronas, mantendo o padrão original de cores, materiais e características históricas.

As intervenções incluirão tratamento antichamas, emissão de laudos técnicos do Corpo de Bombeiros, bem como a remoção e o descarte ambientalmente adequados, em conformidade com as diretrizes de preservação do patrimônio cultural. A prefeitura ressaltou que as ações não implicam qualquer alteração volumétrica, estrutural ou arquitetônica do imóvel.

“A iniciativa contribuirá diretamente para a preservação de um dos mais importantes patrimônios culturais do interior paulista, assegurando melhores condições de acolhimento ao público e a continuidade das atividades artísticas, educativas e institucionais desenvolvidas pela Fundação Dom Pedro II”, diz parte da justificativa.

A manutenção foi planejada de modo a respeitar o calendário anual de atividades do Theatro Pedro II, garantindo a realização dos eventos programados e a plena continuidade do atendimento ao público. O projeto ainda não tem data para ser votado em plenário.

Inaugurado em 8 de outubro de 1930, com a apresentação do filme “Alvorada do Amor”, o Theatro Pedro II, instalado na rua Álvares Cabral nº 370, no Quarteirão Paulista, no Centro Histórico, é referência histórica e cultural para Ribeirão Preto e região, sendo o terceiro maior teatro de ópera do Brasil.

É patrimônio cultural tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).  Foi construído entre 1928 e 1930 a pedido do advogado João Alves Meira Júnior, um dos fundadores da Cia. Cervejaria Paulista. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Júnior, e a parte estrutural da construção coube à empresa alemã Kemmitz.

Em 15 de julho de 1980, durante a exibição do filme “Os Três Mosqueteiros Trapalhões”, um incêndio destruiu a cobertura, o forro do palco e grande parte do interior, incluindo-se o teto.  A reconstrução só teve início mais de dez anos depois, em 1991, liderada pela construtora Jábali Aude.

A reinauguração aconteceu em 19 de junho 1996, na comemoração do aniversário de 140 anos de Ribeirão Preto, 16  anos após o incêndio. Durante cinco décadas, foi a principal referência cultural da cidade e centro de acontecimentos políticos e sociais, recebendo grandes companhias teatrais e operísticas do exterior.

Na década de 1960, o prédio passou por reforma que o descaracterizou. Vários elementos decorativos foram destruídos, a plateia foi reduzida e placas de madeira encobriram camarotes, frisas e galerias laterais para transformá-lo em cinema. Os sinais da decadência levaram o teatro a mudar de proprietários.

Depois do incêndio, campanhas pedindo a preservação do patrimônio foram realizadas e, no dia 7 de maio de 1982, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Na fase de reforma, a cúpula metálica da plateia principal foi reconstruída pela artista plástica Tomie Ohtake (1913-2015) e a caixa cênica foi rebaixada em seis metros.

Foi criado um subsolo com mais dois níveis: espaços para serviços de apoio artístico, oficina de cenário, carpintaria e almoxarifado técnico. Os ferros retorcidos na cúpula do teatro são uma alusão às chamas do incêndio de 1980, ideia de Tomie Ohtake.

Lustre “Gota D’Água” – Desenhado pela artista Tomie Ohtake, o lustre de cristal “Gota D’Água” é coberto por uma cúpula de gesso estrutural, com a fixação de lâmpadas especiais que fazem suas luzes passar por entre os recortes, criando um efeito escultural único.

Com 1,4 mil quilos, tem 2,7 metros de altura por 2,2 metros de largura e possui mais de 80 lâmpadas. O desenho na cúpula do teatro também é obra da artista nipo-brasileira. Os ferros retorcidos são uma alusão às chamas do incêndio de 1980.

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