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Um modelo que precisamos rejeitar

Valdir Avelino *
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São Paulo sempre foi chamado de locomotiva do Brasil. É o estado mais rico do país, concentra indústrias, grandes empresas, serviços, tecnologia, universidades e uma enorme capacidade de investimento. Por isso, um dado divulgado recentemente chama tanta atenção: a economia paulista cresceu apenas 0,4% em 12 meses, o pior resultado entre os estados acompanhados pelo Banco Central.

Esse resultado não pode ser separado das escolhas feitas pelo atual governo do Estado de São Paulo e seus apoiadores.

Nos últimos anos, privatizar, terceirizar e entregar serviços públicos à iniciativa privada virou política de governo. A Sabesp foi privatizada. Avançaram as concessões de serviços públicos. Na saúde, cresce a participação de organizações privadas enquanto hospitais administrados diretamente pelo Estado convivem com falta de pessoal e dificuldades para manter suas estruturas funcionando.

O argumento utilizado é sempre parecido: o Estado seria caro, pesado e ineficiente e a iniciativa privada faria melhor. Mas o resultado econômico apresentado por São Paulo coloca esse discurso na contramão. Depois de tanto falar em eficiência, modernização e redução do Estado, a maior economia do Brasil aparece com crescimento de apenas 0,4%.

Serviço público não é dinheiro jogado fora. Investimento público também gera emprego, renda e desenvolvimento. O que estamos vendo em São Paulo é uma mudança de direção. Em vez de fortalecer estruturas próprias, realizar concursos, valorizar servidores e manter capacidade de planejamento e investimento, o Estado transfere cada vez mais atividades para empresas, concessionárias e organizações privadas.

Empresa privada tem uma finalidade, só uma: obter resultado econômico. O Estado tem outra obrigação. Precisa olhar também para o interesse coletivo, para regiões menos rentáveis, para a geração de empregos, para a universalização dos serviços e para o desenvolvimento econômico e social. É justamente por isso que o resultado paulista precisa servir de alerta.

Se privatizar, terceirizar e diminuir a presença do Estado fossem receitas automáticas de crescimento, São Paulo deveria estar liderando o país. Não está. Depois de todo o discurso sobre eficiência privada, a maior economia brasileira ficou na última posição entre os estados acompanhados pelo indicador do Banco Central.

E Ribeirão Preto precisa olhar para isso. Nossa cidade não pode querer continuar copiando esse modelo de governar. Quando a atual administração municipal se aproxima de políticas de terceirização de serviços permanentes, redução das estruturas próprias e transferência crescente de responsabilidades do município para terceiros, o problema não é apenas dos servidores públicos. É um problema da cidade.

Ribeirão Preto é uma das maiores economias do interior do país. Precisa de saúde pública forte, educação de qualidade, infraestrutura, planejamento, servidores valorizados e capacidade de investimento. Enfraquecer essas estruturas significa enfraquecer também instrumentos importantes para o desenvolvimento do município.

2026 é ano eleitoral. Quem disputar o voto da sociedade deve dizer de que lado está. Defende concursos e valorização do servidor ou a terceirização permanente? Defende o fortalecimento do serviço público ou sua entrega progressiva à iniciativa privada? Defende um Estado capaz de investir ou um Estado reduzido à função de contratar e fiscalizar empresas?

ão projetos diferentes de Estado e de sociedade. Os trabalhadores, em especial os servidores públicos, devem rejeitar, de forma clara, qualquer candidatura comprometida com a política de privatizações, terceirizações e desmonte do serviço público adotada pelo atual governo estadual, assim como qualquer tentativa de reproduzir esse modelo em Ribeirão Preto.

O servidor público e toda a sociedade precisam conhecer essas posições antes de fazer suas escolhas. O que está em jogo não é apenas o futuro das carreiras públicas, mas o próprio modelo de desenvolvimento de Ribeirão Preto e de São Paulo. O péssimo exemplo do governo estadual deve servir de alerta e representar um caminho do qual nossa cidade precisa se afastar.

* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará Pradópolis

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