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O que Olímpia tem de turismo que Ribeirão Preto não tem – parte I?

Aguinaldo Rodrigues da Silva *

1. Por que uma cidade que já recebe milhões de pessoas ainda não se reconhece como destino turístico?

Há uma pergunta que aparece com frequência nas redes sociais e nas conversas sobre turismo em Ribeirão Preto: afinal, o que Olímpia tem que Ribeirão Preto não tem?

A comparação, à primeira vista, parece simples. Olímpia se consolidou como um dos principais destinos de lazer do interior paulista, especialmente pela força dos parques aquáticos, resorts e da estrutura voltada ao turismo familiar. Ribeirão Preto, por outro lado, é frequentemente percebida como uma cidade de negócios, serviços, saúde, educação e eventos.

Mas será que essa diferença significa que Ribeirão Preto recebe poucos turistas?

Uma análise baseada em dados disponíveis e em observações realizadas junto ao trade turístico indica que a resposta pode ser justamente o contrário. Ribeirão Preto provavelmente recebe um volume expressivo de visitantes, mas grande parte desse fluxo ainda não é reconhecida, mensurada ou convertida em turismo de forma estruturada.

É importante destacar que as estimativas apresentadas não constituem dados oficiais. São aproximações construídas a partir de informações disponíveis e da experiência de profissionais ligados ao setor. Ainda assim, ajudam a provocar uma reflexão necessária sobre a dimensão real do turismo na cidade.

Em 2025, a estimativa trabalhada pelo Observatório do Turismo de Ribeirão Preto aponta para algo próximo de 1,9 milhão a 2 milhões de visitantes externos. Desse universo, aproximadamente 800 mil a900 mil pessoas poderiam ter permanecido pelo menos uma noite na cidade.

O número ganha relevância quando observamos a estrutura existente. Ribeirão Preto possui cerca de5.320 unidades habitacionais e aproximadamente 10.250 leitos distribuídos em 59 hotéis ativos. O levantamento realizado pelo Observatório ouviu 54 desses estabelecimentos. E esses números ainda não incluem pousadas nem imóveis utilizados para aluguel por temporada.

Somente no Airbnb, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, havia aproximadamente 1.815 anúncios ativos na cidade, com ocupação mediana de 44%.

Isso demonstra que Ribeirão Preto possui uma estrutura de hospedagem compatível com uma cidade que recebe um fluxo significativo de pessoas. O problema é que nem todo visitante chega à cidade coma etiqueta de “turista”.

Ribeirão Preto recebe pessoas para negócios, saúde, educação, compras, eventos, gastronomia, cultura e grandes feiras. A Agrishow é um dos exemplos mais evidentes. O mesmo ocorre com eventos culturais, congressos, atividades acadêmicas e o fluxo regional provocado pela rede de saúde e pelos serviços especializados.

2. É justamente aí que está uma das principais diferenças entre Ribeirão Preto e Olímpia.

Olímpia construiu uma identidade turística clara. A cidade se especializou no turismo de lazer e conseguiu transformar parques aquáticos, resorts e entretenimento em uma marca reconhecida nacionalmente. Segundo os dados utilizados na análise, Olímpia pode alcançar cerca de 4,37 milhões de visitantes por ano.

É um resultado expressivo e que merece reconhecimento. Mas a comparação precisa ser feita com cuidado. Enquanto Olímpia concentra grande parte de sua demanda em um produto turístico muito bem definido, Ribeirão Preto possui uma economia e uma estrutura urbana muito mais diversificadas. Aeroporto, rede hoteleira, hospitais de referência, universidades, shopping centers, gastronomia,equipamentos culturais, eventos e serviços formam uma combinação que permite receber diferentes perfis de visitantes.

Continua semana que vem…

* Presidente do Sindtur e do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região

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