Rui Flávio Chúfalo Guião *
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No dia 7 de setembro de 1922, primeiro centenário da nossa Independência, o Prefeito Municipal João Rodrigues Guião, meu avô, inaugurou os dois primeiros quarteirões da avenida então denominada Independência, que depois teve o nome mudado para Nove de Julho, perpetuando a lembrança da Revolução Constitucionalista de 1932. No mesmo ato, instalou nela o simpático Obelisco que hoje se encontra na confluência das Avenidas Nove de Julho e Independência.
A cidade tinha 66 anos de idade e uma população aproximada de 70 mil pessoas, das quais somente 25.000 moravam na zona urbana. Estava no auge do ciclo do café, era centro regional de serviços médicos, ensino e comércio. Suas ruas apresentavam modernos palacetes, de propriedade dos fazendeiros de café, que não só ditavam a política econômica do país, como centralizavam as escolhas políticas a níveis local, estadual e nacional.
Nos anos 1900, as ruas da cidade começaram a ser cobertas por macadame e os paralelepípedos chegaram vinte anos depois. A então já chamada Avenida Nove de Julho foi uma das primeiras a receber o melhoramento.
Embora as estatísticas disponíveis sejam precárias, estima-se que a frota de veículos automotores não atingia cem unidades, pois o transporte era feito majoritariamente por carroças e charretes.
Após esta data, a cidade toda passou a ser calçada com paralelepípedos em seu centro compreendido pelas avenidas Nove de Julho, Independência, Francisco Junqueira e Jerônimo Gonçalves.
Com o crescimento da frota circulante, a antiga forma de pavimentação começou a apresentar muitos problemas, sendo esta substituída nas décadas de 1960 e 1970 pelo asfalto.
No final de 1990, o CONPPAC – Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto – tombou o traçado da avenida, os canteiros centrais com seus desenhos de mosaicos portugueses e o conjunto como um todo,representativo de uma era de nossa cidade. Em decorrência do tombamento, o leito carroçável da avenida não pode ser modificado, observando-se inclusive que os paralelepípedos não poderiam ser rejuntados senão com areia e pó de pedra.
A cidade contava então, com uma frota de 120 mil veículos. Hoje, são cerca de 500 mil veículos que trafegam por nossas ruas.
Não tenho conhecimento para analisar a solução técnica necessária para montar um piso que aguente o intenso tráfego da avenida, o que exigiria alto investimento.
Todo o dinheiro já gasto na avenida mostra que esta solução nunca deu muito certo, o piso necessita de constantes reparos e o leito nunca ficou apto a uma rodagem sem solavancos e barulho.
Tirar o tráfego da avenida é solução que criaria muito mais problema do que o atual. Como antigo morador da cidade e nela nascido, entendo que somente existe uma soluções para o sempre repetido problema: destombar parcialmente a avenida.
Hoje, a avenida Nove de Julho perdeu a sua importância como artéria residencial nobre, substituída por um corredor comercial. Em 1990, quando do tombamento, nem se falava do hoje chamado Boulevard, área comercial do alto da cidade.
A cidade cresceu, a frota explodiu, a avenida deixou de ser um exemplo de via residencial, marco de uma era.
Proposta em estudo estabelece que os dois primeiros quarteirões da avenida, de menor tráfego, permaneçam com os paralelepípedos, asfaltando-se os demais. Solução que, ao meu ver, mataria dois assuntos com uma só cajadada: mantém-se a forma original de parte da avenida, preservando a maneira antiga de pavimentação da cidade e asfalta-se o restante. Obviamente, os canteiros centrais com seu piso seriam mantidos. Esta forma evitará o excessivo custo de manter um tombamento que não mais se justifica.

