Valdir Avelino *
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O Brasil entrou novamente em um período eleitoral e, com ele, volta uma pergunta que não pode ficar em segundo plano: que tipo de desenvolvimento queremos construir? Fala-se em crescimento, juros, inflação, emprego, investimentos e responsabilidade fiscal. Tudo isso importa. Mas o desenvolvimento de verdade precisa chegar aos municípios, porque é nas cidades que a vida acontece e que a população sente, na prática, se a economia está avançando ou não. Crescimento econômico e serviço público caminham juntos: municípios com mais recursos, têm melhores condições de crescer, atender bem a população e transformar desenvolvimento em qualidade de vida.
Uma economia pode crescer nas estatísticas e, ainda assim, produzir pouco bem-estar se esse crescimento não se transformar em educação de qualidade, saúde, assistência social, segurança por meio da Guarda Civil Metropolitana, cultura, esporte, serviços eficientes de água e esgoto, infraestrutura urbana e uma administração pública capaz de planejar, organizar e cuidar das finanças do município. É no município, e por meio de um serviço público forte e valorizado, que a política econômica deixa de ser apenas número e passa a melhorar, de fato, a vida das pessoas.
Qual política econômica interessa, então? Aquela que combine crescimento com capacidade de investimento local, financiamento estável das políticas públicas e fortalecimento da estrutura que entrega serviços à população. O Ipea mostra que os vínculos municipais representam a maior parcela do emprego público brasileiro e que saúde e educação concentram parte expressiva dessa força de trabalho.
Os números ajudam a dimensionar essa realidade. O Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada— mostra, em seu Atlas do Estado Brasileiro, que a expansão do funcionalismo público nas últimas décadas ocorreu principalmente nos municípios. Em 2025, 59% de todos os vínculos públicos brasileiros estavam no nível municipal. O estudo Três décadas de evolução do funcionalismo público no Brasil (1986-2017) já havia identificado essa transformação: a participação municipal no Executivo público passou de 34% para 59% no período analisado, enquanto o número de vínculos municipais saltou de 1,7 milhão para 6,3 milhões. Ao longo dessas décadas, cada vez mais responsabilidades e serviços passaram a ser executados justamente onde a população vive: nos municípios.
O IBGE mostrou que, em 2023, os municípios brasileiros que não são capitais responderam por 71,7% do Produto Interno Bruto nacional; as 27 capitais concentraram os outros 28,3%. Ou seja, a maior parte da riqueza brasileira é produzida fora das capitais, espalhada por cidades de diferentes portes e regiões. Fortalecer os municípios não é uma pauta secundária. Devemos, sim, discutir onde boa parte da economia brasileira acontece. E, se queremos cidades capazes de produzir mais, atrair investimentos, gerar oportunidades e melhorar a vida das pessoas, precisamos garantir que elas também tenham recursos e um serviço público estruturado e valorizado para acompanhar esse desenvolvimento.
Ribeirão Preto é um bom lugar para essa reflexão. Somos uma cidade de forte atividade econômica, serviços diversificados, universidades, hospitais, comércio, tecnologia e capacidade de atração regional. Mas exatamente por essa centralidade, Ribeirão precisa ampliar sua capacidade de oferecer serviços públicos. Desenvolvimento traz empresas e empregos, mas traz também novos bairros, mais circulação e maior demanda por escolas, saúde, fiscalização, transporte, assistência e planejamento urbano.
Não existem duas agendas separadas — de um lado, o desenvolvimento da cidade; de outro, o funcionalismo. As duas coisas caminham juntas. Quando Ribeirão Preto cresce, esse avanço precisa se refletir também na qualidade e na estrutura dos serviços públicos. E, no sentido inverso, quanto mais forte, organizado, eficiente e valorizado for o serviço público, melhores serão as condições para a própria cidade continuar crescendo.
Neste momento em que o Brasil discute seu futuro, suas prioridades e os caminhos de sua economia, o fortalecimento dos municípios e dos serviços públicos precisa ocupar lugar central nessa agenda. Fortalecer a economia dos municípios e fortalecer o serviço público são partes de uma mesma escolha: construir cidades capazes de crescer, avançar e transformar desenvolvimento em bem-estar para toda nossa população.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

