O governo estadual avançou na formação do Comitê Científico de Avaliação de Risco de Extinção das Espécies de Fauna do Estado de São Paulo, que integra o processo de atualização da lista espécies ameaçadas de extinção da fauna paulista – são cerca de quatro mil no total –, conhecida como “lista vermelha”.
Em reunião realizada nesta semana, 16 pesquisadores assumiram funções de coordenação dos grupos de especialistas. Seis deles coordenarão integralmente um dos grupos taxonômicos, enquanto os outros dez atuarão na coordenação de partes desses grupos.
Até o momento, 154 pesquisadores, de 62 instituições, já integram o comitê. As inscrições permanecem abertas até 31 de agosto, permitindo ampliar a participação de especialistas ao longo das próximas semanas.
A formação do comitê começou a ser estruturada no início de agosto, em reunião realizada no Consema, e mobilizou pesquisadores e representantes de instituições de pesquisa, órgãos públicos e organizações voltadas à conservação da biodiversidade.
A iniciativa é coordenada institucionalmente pelo Grupo de Trabalho instituído pela Resolução Semil 05/26, com coordenação executiva do Instituto Ambiental Mater Natura.
Entre as instituições participantes estão USP, Unesp, Unicamp, UFSCar, Unifesp, Instituto Butantan, Museu de Zoologia da USP, ICMBio, Embrapa Florestas, Instituto de Pesquisas Ambientais, Cetesb e Fundação Florestal, além de organizações da sociedade civil e instituições internacionais.
Os especialistas estão sendo organizados em nove grupos: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes de água doce, peixes marinhos, invertebrados terrestres, invertebrados de água doce e invertebrados marinhos.
Os 16 pesquisadores que assumiram funções de coordenação e subcoordenação serão responsáveis por organizar as equipes de cada grupo e conduzir as próximas etapas do trabalho.
Os próximos passos incluem reunião com os coordenadores dos grupos para alinhamento do cronograma de trabalho para o segundo semestre de 2026 e definição dos grupos de espécies que serão avaliados.
Na sequência, os pesquisadores participarão de uma capacitação sobre a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o funcionamento das oficinas de avaliação. Depois dessa preparação, terá início a avaliação do risco de extinção das espécies selecionadas.
O trabalho seguirá os critérios da IUCN, conforme metodologia adotada pelo ICMBio. Os pesquisadores terão como ponto de partida uma base de dados preliminar, formada a partir de registros de ocorrência da fauna paulista reunidos em bases e repositórios oficiais.
Essas informações poderão ser revisadas e complementadas pelos especialistas, contribuindo para a construção de uma base científica mais robusta para as avaliações. O processo conta com investimento de R$ 900 mil do governo de São Paulo.
A avaliação de risco de extinção será feita de forma gradual, em etapas. O cronograma prevê a divulgação de resultados em blocos de 500 espécies entre o fim de 2026 e o início de 2028. A conclusão de todo o processo está prevista para o primeiro semestre de 2028.
A atualização vai incorporar informações científicas produzidas desde a publicação da atual Lista de Fauna Ameaçada de Extinção do Estado, em 2018. O resultado deverá apoiar a definição e o aprimoramento de políticas públicas de conservação da biodiversidade e de ações de gestão ambiental.
Flora – Em julho, o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) em parceria com o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) iniciaram um acordo de cooperação técnica para atualizar a lista das espécies de plantas ameaçadas de extinção do Estado de São Paulo.
A iniciativa passará a adotar a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), alinhando as avaliações paulistas aos padrões nacionais e internacionais. Além de reavaliar as espécies já listadas, o projeto analisará plantas que ainda não foram avaliadas ou que tiveram sua situação revisada há mais de doze anos.
Na primeira etapa, serão avaliadas 405 espécies endêmicas do Estado, com o objetivo de identificar aquelas sob maior risco de desaparecimento e subsidiar ações de conservação.

