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Mulheres buscam mais soluções para dívidas atrasadas

Créditos: Mikhail Nilov

As mulheres estão cada vez mais presentes nas decisões financeiras das famílias brasileiras, uma transformação que também merece atenção em grandes centros do interior paulista, como Ribeirão Preto.

Segundo o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ribeirão Preto tinha 698.642 habitantes. Mais da metade dessa população era formada por mulheres: 366.324, ou 52,4% do total, enquanto os homens somavam 332.318.

Esse cenário ajuda a dimensionar a importância do comportamento financeiro feminino em uma das maiores cidades do interior de São Paulo, especialmente quando o assunto envolve orçamento familiar, crédito, endividamento e inadimplência.

Um levantamento realizado pelo Pagou Fácil, plataforma de negociação de dívidas da Paschoalotto, identificou diferenças importantes na maneira como homens e mulheres procuram informações para lidar com suas finanças.

A pesquisa analisou dados de buscas no Google, Google Notícias e Google Shopping entre julho de 2025 e maio de 2026 envolvendo os termos “inadimplente” e “endividado”.

O resultado mostra uma divisão clara: as mulheres pesquisam proporcionalmente mais sobre inadimplência, enquanto os homens concentram maior interesse no endividamento em si.

No período analisado, as buscas gerais por “endividamento” cresceram 83%, enquanto aquelas relacionadas à “inadimplência” avançaram 22%.

Para Geovanni Borsetto, Superintendente de Marketing & Comunicação do Pagou Fácil, esse comportamento pode ser relacionado à presença feminina na administração financeira das famílias.

“As mulheres, por estarem mais à frente da gestão do orçamento doméstico, tendem a procurar soluções já quando as contas estão atrasadas. Já os homens parecem se preocupar mais cedo, pesquisando sobre o volume geral de compromissos financeiros antes que isso vire de fato uma pendência não paga”, explica.

Uma transformação que acontece em todo o Brasil

Os dados nacionais do Censo 2022 reforçam a dimensão dessa mudança.

No Brasil, 49,1% das pessoas responsáveis pelas unidades domésticas eram mulheres, aproximadamente 36 milhões de pessoas. Em 2010, elas representavam apenas 38,7%.

Em pouco mais de uma década, portanto, a participação feminina na responsabilidade pelos domicílios brasileiros avançou mais de dez pontos percentuais e praticamente se igualou à masculina.

Outro dado chama atenção: 16,5% das unidades domésticas brasileiras tinham uma pessoa responsável sem cônjuge e com filhos, uma configuração que amplia a importância do planejamento financeiro para milhares de famílias.

Em Ribeirão Preto, onde as mulheres representam mais da metade da população, compreender essa transformação também é relevante para empresas, instituições financeiras e organizações que mantêm relacionamento direto com consumidores.

Endividamento não é o mesmo que inadimplência

Geovanni Borsetto, Superintendente de Marketing & Comunicação do Pagou Fácil | Divulgação/Paschoalotto

Embora sejam frequentemente usados como sinônimos, endividamento e inadimplência representam situações diferentes.

Uma pessoa endividada possui compromissos financeiros — financiamentos, empréstimos ou compras parceladas —, mas pode estar mantendo todos os pagamentos em dia.

A inadimplência acontece quando esses compromissos deixam de ser pagos dentro do prazo, podendo gerar juros, multas e restrições ao crédito.

“Essa diferença importa na hora de agir. Quem está apenas endividado, mas em dia, ainda consegue reorganizar o orçamento de forma preventiva. Já quem está inadimplente precisa negociar diretamente com credores para renegociar dívidas, reduzir encargos e recuperar o nome”, afirma Geovanni.

Organização é o primeiro passo

Para o especialista, recuperar o equilíbrio financeiro começa pela organização.

O consumidor deve fazer um diagnóstico completo da própria situação, identificando fontes de renda, despesas fixas e dívidas. A partir desse levantamento, é possível estabelecer prioridades, especialmente para os compromissos com juros mais elevados.

Reduzir gastos não essenciais e evitar assumir novos compromissos enquanto as contas não estiverem equilibradas também são medidas importantes.

Para quem já está inadimplente, a recomendação é procurar bancos, financeiras e demais credores e negociar condições de pagamento compatíveis com a realidade financeira.

“Com planejamento, disciplina e acordos sustentáveis, é possível reorganizar as finanças e retomar o controle do orçamento”, conclui Geovanni.

Manter esse controle de maneira permanente, e não somente nos períodos de dificuldade, ajuda a recuperar o score de crédito e reduz o risco de reincidência na inadimplência.

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