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Já pensou levar um osso para casa?

Alunos de medicina analisam os modelos anatômicos sintéticos que poderão levar para estudar em casa | Divulgação/Nacional Ossos

Imagine entrar em uma biblioteca universitária e, em vez de retirar livros, sair com um crânio, um fêmur ou uma coluna vertebral na mochila. A cena, que parece saída de um filme, passará a fazer parte da rotina dos estudantes de medicina de uma universidade de Jaú, no interior de São Paulo.

Em parceria com uma indústria brasileira que produz modelos anatômicos sintéticos, a instituição implantará uma Biblioteca de Ossos. O espaço permitirá que os alunos retirem temporariamente as peças para estudar em casa, seguindo uma dinâmica semelhante à de uma biblioteca convencional.

Na prática, o projeto busca ampliar o tempo de acesso às peças utilizadas no ensino de anatomia. Em vez de depender exclusivamente dos horários de funcionamento e da disponibilidade do laboratório, os estudantes poderão revisar estruturas anatômicas e treinar o reconhecimento dos ossos também fora da universidade.

A presidente do Centro Acadêmico da instituição de ensino, Letícia Carinhato, afirma que a iniciativa deixará um legado aos estudantes. “Nunca tinha visto algo do tipo em uma universidade. A partir de agora, todos os alunos poderão se beneficiar de tudo que estamos colhendo e ainda iremos colher dessa parceria”, destaca.

Para inaugurar a Biblioteca de Ossos, a Nacional Ossos, sediada em Jaú, doou seis conjuntos completos de sua linha de ortopedia, totalizando 84 peças com dimensões, textura e densidade semelhantes às dos ossos humanos.

O acervo será catalogado e poderá ser retirado pelos estudantes de medicina da Unoeste de Jaú para atividades extraclasse.

Acesso ao ensino anatômico

Atualmente, os alunos precisam agendar horários específicos para utilizar o laboratório de anatomia da universidade. Com o novo sistema, poderão levar os modelos sintéticos para estudar fora do ambiente acadêmico.

As peças funcionam como recursos complementares ao estudo com corpos humanos e permitem a repetição de exercícios de maneira segura, padronizada e sem riscos biológicos.

“O uso de cadáveres nunca vai ser substituído, os modelos vêm agregar e ser um facilitador para o desenvolvimento acadêmico. Acreditamos que essa iniciativa pode inspirar novas possibilidades para o ensino em instituições de diferentes partes do mundo”, afirma Fabiana Franceschi, diretora-executiva da Nacional Ossos.

A Biblioteca de Ossos será implantada em caráter experimental. Durante a fase inicial, a empresa acompanhará o funcionamento da iniciativa e oferecerá suporte técnico e operacional.

Ao final de seis meses, a Unoeste apresentará um relatório com indicadores como frequência de retiradas, procura por cada modelo anatômico, percepção dos estudantes sobre a contribuição para o aprendizado e avaliação da quantidade de peças disponibilizadas.

Os resultados servirão de base para aperfeiçoar o projeto e avaliar sua implantação em outras instituições de ensino no Brasil e no exterior.

Para Amanda Creste Martins da Costa Ribeiro Risso, coordenadora do campus da Unoeste, a Biblioteca de Ossos amplia as possibilidades de formação prática dos estudantes.

“A Unoeste investe continuamente em inovação e em metodologias que ampliem a autonomia dos estudantes, sem abrir mão da excelência acadêmica. A criação da Biblioteca de Ossos fortalece esse compromisso ao oferecer novas possibilidades de aprendizagem prática, contribuindo para uma formação médica cada vez mais sólida, ética e qualificada”, destaca.

Trajetória

A Nacional Ossos foi fundada em 1995, em Jaú, e produz modelos anatômicos sintéticos destinados ao ensino e ao treinamento nas áreas de ortopedia, odontologia e veterinária.

Segundo a empresa, seu catálogo reúne mais de 2.000 modelos, incluindo peças com réplicas de músculos e tendões e recursos de realidade aumentada. Os produtos são comercializados em mais de 50 países.

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