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Pacto pela inteligência turística de Ribeirão Preto

Aguinaldo Rodrigues da Silva *

Ribeirão Preto já demonstrou sua capacidade de receber grandes eventos, movimentar a economia e atrair visitantes de várias regiões do país. O desafio agora é transformar esse fluxo em uma estratégia permanente de desenvolvimento. Para isso, a cidade precisa tratar a informação turística não como dado secundário, mas como ferramenta de planejamento, investimento e tomada de decisão.

É nesse contexto que o Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região – OTURP ganha relevância. Mais do que uma iniciativa vinculada a uma entidade, o Observatório precisa ser reconhecido como uma estrutura permanente de inteligência turística da cidade e da região.

A Pesquisa de Demanda Turística da Agrishow 2026 é um exemplo concreto dessa importância. O levantamento realizado pelo OTURP estimou em R$ 49,6 milhões o impacto econômico direto do turismo relacionado à feira em Ribeirão Preto. Ao mesmo tempo, revelou um dado que merece atenção: 88,7% dos entrevistados não realizaram atividades turísticas na cidade durante sua permanência.

Os números apresentam duas realidades. De um lado, comprovam que os grandes eventos já movimentam valores expressivos e geram impacto em hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços. De outro, revelam uma oportunidade ainda pouco aproveitada. O visitante já está em Ribeirão Preto, já se hospeda, circula e consome parte dos serviços locais. O próximo passo é fazer com que conheça a cidade, visite seus atrativos, permaneça mais tempo e tenha motivos para retornar.

Esse é o papel da inteligência turística: transformar movimento em oportunidade e dados em estratégia. Com indicadores consistentes, é possível entender quem visita a cidade, quanto gasta, quanto tempo permanece, o que procura, quais serviços utiliza e quais experiências ainda podem ser melhor exploradas.

O OTURP já desenvolve pesquisas, indicadores e estudos relacionados à atividade turística, acompanhando dados de demanda, eventos, meios de hospedagem, empregos e outros componentes da economia do setor. O avanço necessário agora é institucionalizar esse trabalho, transformando a produção e o uso das informações em uma política permanente. Isso inclui pesquisas de demanda, levantamento da hotelaria, perfil dos visitantes, impacto econômico dos eventos, indicadores de ocupação e estudos capazes de orientar promoção, investimentos e planejamento.

Se o turismo é reconhecido como política pública e vetor de desenvolvimento econômico, a informação que sustenta essa política também precisa ser tratada como investimento de interesse público. A discussão, portanto, não deve se limitar a quem é o “dono” do Observatório. O debate mais importante é sobre sua governança, autonomia técnica e sustentabilidade institucional.

Os dados produzidos interessam à Prefeitura, ao setor hoteleiro, aos bares e restaurantes, ao comércio, aos organizadores de eventos, às universidades, aos trabalhadores, aos investidores e também aos municípios da região. Trata-se de um patrimônio informacional capaz de apoiar decisões públicas e privadas.

Nesse sentido, Ribeirão Preto poderia avançar para a construção de um “Pacto pela Inteligência Turística de Ribeirão Preto e Região”. A proposta seria estabelecer um compromisso permanente de cooperação entre Prefeitura, Secretaria Municipal de Turismo, iniciativa privada, hotéis, restaurantes, comércio, entidades empresariais, sindicatos, universidades, organizadores de eventos e municípios do entorno.

Esse pacto poderia criar um mecanismo estável de financiamento da inteligência turística, com participação pública e privada, assegurando a continuidade das pesquisas e a atualização dos indicadores. A lógica é simples: quem utiliza e se beneficia dos dados também pode contribuir para que eles sejam produzidos, aperfeiçoados e transformados em ações concretas.

Mais do que manter um Observatório, Ribeirão Preto precisa consolidar uma cultura de decisão baseada em evidências. O turismo não cresce apenas com divulgação ou com grandes eventos. Cresce quando a cidade entende seus visitantes, conhece sua oferta, identifica oportunidades e organiza seus agentes em torno de objetivos comuns.

O pacto, portanto, não seria apenas pela continuidade do OTURP. Seria um pacto por planejamento, competitividade e desenvolvimento regional. Porque uma cidade que conhece seus números consegue planejar melhor o futuro — e, no turismo, informação também é infraestrutura.

* Presidente do SINDTUR e do OTURP

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