Rui Flávio Chúfalo Guião *
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O acadêmico Alberto Cosme Gonçalves, titular da cadeira 27 da Academia Ribeirãopretana de Letras, lançou seu livro “Parábolas de Jesus Cristo”, onde faz um apanhado dos ensinamentos doSenhor revelados através de parábolas, dando a elas sua interpretação e comentário.
Ribeirãopretano, Alberto, além de engenheiro civil , é escritor nato e variado tendo editado livros sobre temas os mais diversos , como “O Mercoágua: O desafio ecológico e as reservas de água do Cone Sul”, o premiado “Delmiro Gouveia, era uma vez no sertão”,”Gotas de Reflexão” e agora nos brinda com mais uma obra cativante.
Logo na abertura da obra, ele alerta: “O meu objetivo foi elaborar um livro para se ter sempre à mão, que em nenhuma circunstância deve ou pretende substituir a leitura da Bíblia Sagrada, qualquer que seja a sua religião Cristã ou edição preferida.”
Depois de alentado estudo sobre os fatos que levaram a história a ser conhecida como antes e depois de Cristo, inclusive considerações históricas sobre os evangelistas, Alberto escolhe cinquenta parábolas bíblicas e faz delas o núcleo de seu livro.
Transcreve o texto e depois comenta, acrescentando circunstância da pregação, bem como faz apreciação do significado do seu conteúdo. Recheia a narrativa com vasta informação de rodapé, onde destaca o momento em que a parábola foi dita, bem como comentários sobre as leis e costumes da época.
As parábolas foram proferidas para uma multidão de pessoas analfabetas e serviram para a transmissão dos fundamentos da religião cristã, mediante exemplos e comparações. Algumas são cristalinas e de fácil entendimento, outras exigem interpretação do seu conteúdo.
Exemplo das primeiras é a parábola do semeador, que recebe o seguinte comentário do autor: “Não foi preciso explicar quem era o semeador, a qualidade da semente, se usou ou não fertilizante, ou seja, apenas comparou a produtividade da colheita obtida nos diferentes tipos de solo com os corações dos ouvintes”.
Uma das parábolas de mais difícil compreensão é a do Administrador Desonesto, que nos conta como um homem tinha um administrador corrupto que aplicava seu dinheiro e, quando a ele pediu contas de sua gestão, verificou que o mesmo havia chamado os devedores, pedido que deduzissem parte do débito, que assim foi pago. O senhor o elogiou pela esperteza.
“Afinal, como pode um administrador corrupto e desonesto ser elogiado e exaltado ?” pergunta-nos o autor. E esclarece que é necessário entender a legislação da época, que proibia cobrança de juros em empréstimos entre judeus, mas, na prática, os mesmos eram embutidosno valor do principal. Assim, o administrador nada mais fez do que não cobrar os juros acordados, deduzindo-os do valor da dívida.
Seu comentário para a parábola dos talentos é o seguinte: “Esta parábola, semelhante em Lucas ( 19:11-27 ) pode ser considerada um claro recado para a sociedade contemporânea. Ensina sobre a responsabilidade de usar os bens que Deus nos empresta para multiplica-los e gerar mais recursos em favor do próximo. Os recursos não foram emprestados para guardarmos ou acumularmos, mas para gerar trabalho e renda”.
Livro de escrita elegante, clara, sem floreios, encanta o leitor pelo seu conteúdo e pelos conceitos emitidos pelo autor.
Vale a leitura.
* Advogado, empresário, Presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, Secretário-Geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

