Observatório, poder público e iniciativa privada: uma união pela inteligência turística de Ribeirão Preto
Aguinaldo Rodrigues da Silva *
Ribeirão Preto vive um momento importante para o fortalecimento do turismo. A cidade reúne gastronomia, cultura, patrimônio histórico, eventos, entretenimento, universidades, serviços e localização estratégica, com conexão a diversos municípios da região. O desafio é transformar esse potencial em uma estratégia permanente, capaz de gerar resultados e acompanhar, por meio de dados, os impactos das ações realizadas.
Nesse cenário, ganha importância a continuidade do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região (OTURP) como estrutura de produção, organização e interpretação de informações sobre o turismo. Para que essa inteligência seja incorporada ao desenvolvimento da cidade, é fundamental uma responsabilidade compartilhada entre poder público e iniciativa privada.
A experiência recente mostra que essa aproximação é possível. Prefeitura, entidades e representantes do setor produtivo já vêm construindo formas de cooperação. O próximo passo é transformar iniciativas pontuais em uma estrutura permanente de trabalho, com objetivos claros e acompanhamento dos resultados.
Também é necessário pensar Ribeirão Preto e a região de maneira integrada. Um evento em Ribeirão pode gerar circulação em cidades próximas, enquanto restaurantes, cervejarias, atrativos culturais e outras experiências regionais podem complementar a viagem. Pensar regionalmente amplia as possibilidades de permanência, consumo e benefícios econômicos.
Uma das possibilidades é a construção de uma marca turística de Ribeirão Preto e Região, reunindo diferentes características do território em uma identidade comum. Outra frente é transformar grandes eventos em produtos turísticos. Ribeirão recebe milhares de pessoas em eventos como a Agrishow, além de feiras, congressos, encontros esportivos, atividades culturais e universitárias. Muitas vezes, porém, a experiência do visitante termina junto com o compromisso que motivou a viagem.
É aí que aparece uma oportunidade concreta: criar roteiros e experiências antes, durante e depois desses eventos. A ideia do “fique mais um dia” pode estimular quem já está na cidade a permanecer por mais uma noite, conhecer restaurantes, visitar espaços culturais, fazer compras ou explorar atrativos da região.
Os meios de hospedagem também têm papel importante. Hotéis podem funcionar como pontos de promoção turística, aproximando o visitante das experiências disponíveis. Roteiros, gastronomia, programação cultural e atrações regionais podem fazer parte da hospedagem.
Nada disso deve ser construído apenas com percepção. É preciso medir. Quantos visitantes vieram? De onde vieram? Quanto tempo permaneceram? Onde se hospedaram? Quanto gastaram? Qual foi a ocupação dos meios de hospedagem? Qual foi o impacto dos eventos? Houve geração de empregos? Quais setores foram beneficiados?
É nesse ponto que a inteligência turística ganha função prática. Dados organizados ajudam a identificar tendências, compreender o comportamento dos visitantes e avaliar se políticas, investimentos e ações estão produzindo os efeitos esperados.
A partir dessa visão, é possível pensar em um “Pacto pelo Turismo de Ribeirão Preto e Região”, reunindo Prefeitura, meios de hospedagem, restaurantes, comércio, entidades empresariais, sindicatos, organizadores de eventos e municípios da região. A proposta não seria criar mais burocracia, mas estabelecer um compromisso de cooperação em torno de objetivos comuns.
Nesse pacto, o Observatório pode exercer papel estratégico como núcleo de inteligência. Sua função não é substituir o poder público nem representar isoladamente a iniciativa privada, mas complementar essas duas forças por meio da informação. O turismo não pertence exclusivamente à Prefeitura, aos hotéis ou a uma entidade. Ele pertence à cidade e à sua população, e seus resultados ultrapassam um único setor econômico.
Quando um visitante permanece mais tempo, utiliza serviços, consome em restaurantes, visita espaços culturais e realiza compras. Por isso, uma cidade turística não se constrói apenas com divulgação. É preciso conhecer o território, compreender quem visita, criar produtos, integrar setores e medir resultados. Ribeirão Preto não precisa apenas de mais visitantes; precisa conhecer melhor quem já chega e transformar esse conhecimento em desenvolvimento.
A união entre Observatório, poder público, iniciativa privada e sociedade pode representar um novo passo nessa direção. O desafio está colocado: transformar informação em planejamento, planejamento em ação e ação em resultados. Com cooperação, continuidade e inteligência, Ribeirão Preto pode fortalecer sua posição como destino e fazer do turismo uma ferramenta relevante para o desenvolvimento econômico e regional.
* Presidente do Sindtur e do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região

