Feres Sabino *
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É despreocupante comentar a fala do Ministro André Mendonça, que confessou sua ida ao alfaiate. Entretanto, ele sonegou convenientemente as circunstâncias do episódio, que poderiam de imediato levar a certeza de que ele merecia também ser investigado, como o será.
Primeiramente, para se compreender exatamente o sentido, profundidade, e efeito negadíssimo de sua pretendida investigação, é preciso que se saiba que ele e Sergio Moro foram preparados pela mesma associação norte-americana de extrema direita, para implodir o sistema jurídico brasileiro. Por favor, não pense que tal hipótese é simplesmente uma leviana teoria da conspiração.
Eles agem como se fossem enviados pelo Messias, para destruir o que podem destruir.
Mas, a pauta é a singela ida do Ministro ao tal alfaiate.
Pois bem. Ele estava acompanhado pelo advogado do criminoso Daniel Vorcaro para quem o advogado telefonou, naquele instante, para dizer que estava trabalhando para ele, ali, junto o Ministro, com quem conversara bastante, e iria levá-lo ao alfaiate, e mais, ele queria encontrar-se com ele, Daniel Vorcaro.
A consequência é que realmente eles se encontraram. E onde, no gabinete do Supremo Tribunal? Não, não, eles se encontraram em São Paulo, na sede do Instituto que o Ministro logo que assumiu sua augusta função ele instituiu, com sua mulher. Esse Instituto, coincidentemente, assinou contratos faraônicos com o Poder Público, geralmente de Prefeituras governadas por bolsonaristas, como a Prefeitura de São Paulo. Precisa de investigação!
No encontro privado de um Ministro do Supremo, ele o disse, que trataram somente, durante duas horas, de precatórios. Ora, ora, Ministro, se fosse só isso, lembrar-se-ia que precatório se tornou matéria constitucional, pela sucessão de adiamento para sua liquidação.
O mais grave, e que a imprensa não esclarece, é a natureza de tal relatório, que serviu de base a acusação de Mendonça. Ele não se constitui matéria de prova, ele na verdade se constitui num roteiro de investigação, integrando os autos do inquérito.
Esse fato de ser simplesmente um roteiro de investigação, que ainda aguardou momento eleitoral, coloca o Ministro numa situação de responder a tal investigação como quem tangenciou o código penal.
O que ficou daquela triste sessão do Supremo Tribunal, provocado por ele, é que Mendonça é terrivelmente despreparado para estar onde ele se encontra.
Aliás, o atual Ministro, quando Ministro da Justiça preparou lista de milhares de nomes de servidores públicos, professores, políticos, que eram antifascistas. Eis como a Google relata esse triste episódio, que deveria ter travado sua chegada ao Supremo Tribunal:
“O ministro da Justiça e da Segurança Pública, André Mendonça, admitiu a parlamentares da Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência a existência de um relatório produzido pela pasta sobre a atuação de 579 professores e policiais identificados como antifascistas” (grifo nosso).
Antifascistas são democratas.
* Procurador-geral do Estado no governo de André Franco Montoro e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras

