A oferta de cruzeiros no litoral brasileiro voltará a crescer depois da retração registrada no último ciclo. Para a temporada 2026/2027, a previsão mais recente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil) é de aproximadamente 817,5 mil leitos, volume apresentado pelo setor como cerca de 24% superior ao da temporada anterior.
A estimativa considera a soma dos leitos disponibilizados em todas as viagens programadas, e não a capacidade simultânea das embarcações. Os números ainda podem sofrer alterações até o início das operações, previsto para o fim de outubro.

Oito navios deverão operar na costa brasileira, um a mais que no ciclo anterior. A programação reúne 187 roteiros e 675 escalas. Os roteiros correspondem aos diferentes itinerários oferecidos pelas companhias, enquanto as escalas representam cada passagem das embarcações pelos portos incluídos nas viagens.
A ampliação ocorre depois de uma temporada marcada pela redução da oferta. No ciclo 2025/2026, sete navios realizaram operações de cabotagem no país e transportaram 602.864 cruzeiristas, quantidade 28% inferior à registrada na temporada precedente.
Embora a expansão da capacidade indique uma recuperação, o número efetivo de passageiros dependerá da ocupação das embarcações. O Ministério do Turismo e a CLIA esperam que o crescimento também eleve a movimentação econômica, mas os resultados somente poderão ser calculados depois do encerramento da temporada.
Impacto econômico
A temporada 2025/2026 movimentou R$ 4,28 bilhões na economia brasileira, segundo estudo produzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA Brasil. O levantamento considera os efeitos diretos, indiretos e induzidos da operação dos navios e dos gastos de passageiros e tripulantes.
O estudo calcula um impacto econômico médio de R$ 800,98 por cruzeirista nas cidades de escala. Nos destinos de embarque e desembarque, onde o visitante tende a permanecer mais tempo e utilizar serviços antes ou depois da viagem, o valor chega a R$ 962,55.
Alimentação, comércio, transporte, passeios turísticos e hospedagem estão entre as atividades beneficiadas. O ciclo anterior também sustentou 64.529 postos de trabalho, dos quais 1.208 estavam ligados às tripulações dos navios e 63.321 correspondiam a empregos diretos, indiretos e induzidos na cadeia produtiva.

A atividade gerou ainda R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.
“O turismo de cruzeiros gera resultados concretos para os destinos das rotas marítimas brasileiras. É um setor que fortalece pequenos negócios e cria oportunidades em várias frentes”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, durante visita ao Porto do Recife, realizada em 3 de setembro.
Portos e destinos
Os embarques e desembarques da temporada estão previstos em sete portos: Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá.
Os itinerários também deverão incluir escalas em destinos como Recife, Búzios, Angra dos Reis, Ilha Grande e Ilhabela, além de cidades da Argentina e do Uruguai, como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.

Uma das novidades será a estreia da Corazul no mercado brasileiro. O navio Buenavista fará uma das primeiras escalas nacionais no Porto do Recife, entre o fim de outubro e o começo de novembro. A embarcação tem capacidade informada para 2.014 passageiros e 751 tripulantes.
Apesar da expectativa de recuperação, o crescimento do setor ainda enfrenta obstáculos. Infraestrutura portuária, custos operacionais, tributação, regras regulatórias e segurança jurídica estão entre os fatores considerados pelas companhias na decisão de enviar e manter navios no Brasil.
Navios previstos para a temporada
- Costa Diadema;
- Costa Serena;
- Corazul Buenavista;
- MSC Virtuosa;
- MSC Splendida;
- MSC Divina;
- MSC Musica;
- MSC Seaview.

