A juíza Bruna Araújo Capelin Matioli, da 1ª Vara da Comarca de Pontal, acatou a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e determinou, nesta terça-feira (29), que Elizabete Eugênio Arrabaça, de 69 anos, seja levada a júri popular pelo feminicídio da filha, a veterinária Nathália Garnica, de 42 anos.
A audiência de instrução e julgamento ocorreu em 31 de agosto, no Fórum Estadual de Justiça de Pontal, na região metropolitana de Ribeirão Preto. A defesa diz que vai recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O advogado Bruno Corrêa Ribeiro não concorda com o teor da sentença e afirma que a acusação não conseguiu produzir provas que demonstrassem que a idosa teria cometido o crime.
Elizabete Arrabaça responde por feminicídio triplamente qualificado — emprego de veneno, meio cruel, mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. A data do julgamento no Tribunal do Júri ainda não foi definida. A idosa está presa desde 6 de maio do ano passado. Atualmente, está na Penitenciária de Tremembé, na região do Vale do Paraíba.
O defensor de Elizabete Arrabaça diz que ela não tinha vício em jogos de azar e não estava endividada. “Ela estava adimplente”, garante, na tentativa de derrubar a tese de crime por dinheiro. Será o segundo julgamento, já que ela também será submetida ao Tribunal do Júri pela morte da nora, Larissa Talle Leôncio Rodrigues, de 37 anos.
O médico ortopedista Luiz Antônio Garnica, de 39 anos, marido da vítima e filho da idosa, também é réu nesse processo. No caso Larissa Rodrigues, mãe e filho respondem por feminicídio triplamente qualificado — emprego de veneno, meio cruel, mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Relembre o caso
A veterinária Nathália Garnica morreu em 9 de fevereiro de 2025, aos 42 anos. Inicialmente, o caso foi tratado como morte natural. Após a repercussão da morte da nora de Elizabete Arrabaça, Larissa Rodrigues, caso em que a idosa e seu filho, Luiz Antônio Garnica, ex-marido da vítima, foram denunciados e pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri, o delegado responsável pelas investigações decidiu solicitar a exumação do corpo da filha da acusada.
Com a exumação, laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou que ela também foi envenenada com a substância popularmente conhecida como “chumbinho”, assim como ocorreu com Larissa Rodrigues. O inquérito concluiu que Elizabete Arrabaça seria a única responsável pelo crime e encaminhou o caso à Justiça. O Ministério Público ofereceu denúncia.
Ela e o filho já passaram por audiência de instrução no processo que apura a morte da professora Larissa Rodrigues. O juiz responsável pelo caso, José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto, já decidiu pela pronúncia de mãe e filho, e o caso será julgado pelo Tribunal do Júri. A data ainda não foi marcada, pois o processo está em fase de recurso.
Em abril deste ano, a juíza de Pontal recebeu a denúncia apresentada pelo promotor Vinicius Pascueto Amaral contra Elizabete Arrabaça, que passou a responder também por tentativa de homicídio qualificado — por motivo torpe, emprego de veneno, meio insidioso e cruel, mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima —, além da agravante de o crime ter sido cometido contra pessoa com mais de 60 anos. A vítima seria a amiga Neusa Maria Costa de Andrade Ghioto, de 78 anos.
A defesa alega inocência nos três casos em que ela foi denunciada. Outro caso em que Elizabete Arrabaça chegou a ser investigada foi a morte da prima Élede Guide, de 80 anos, ocorrida em dezembro de 2016. O inquérito foi arquivado.
Elizabete está presa desde 6 de maio do ano passado e, desde 20 de agosto, está na Penitenciária de Tremembé (SP). Ela já passou pela Cadeia Pública de São Joaquim da Barra, pela Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu e pela Penitenciária Feminina de Votorantim.

