A poeta e ensaísta canadense Anne Carson venceu nesta quinta-feira, 8 de outubro, o Prêmio Nobel de Literatura “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, anunciou a Academia Sueca.
Ingrid Carlberg, secretária permanente da academia, disse que a autora estava na Islândia “ouvindo o vento” quando foi localizada para receber a notícia. “Ela ficou muito surpresa”, afirmou Carlberg.
Nascida em Toronto, Carson, de 76 anos, recorre a temas e narrativas da literatura grega e romana antigas em obras que frequentemente misturam poesia, ensaio e ficção.
Entre seus livros estão “Eros the Bittersweet”, sobre o prazer e a dor do desejo na literatura grega antiga; o romance em versos “Autobiography of Red”; “Men in the Off Hours”, coletânea de poesia e prosa que venceu o Griffin Prize, do Canadá, em 2001; e “Norma Jeane Baker of Troy”, que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Troia.
Carson também traduziu obras da literatura grega clássica que, segundo a Academia Sueca, “podem ser consideradas obras independentes por si mesmas”. Entre elas estão “If Not, Winter”, baseado em fragmentos de poemas de Safo; as tragédias de Sófocles “Electra” e “Antigone”; e “Bakkhai”, de Eurípides.
“Quase toda a sua produção literária se concentrou na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados”, disse Anders Olsson, presidente do comitê de literatura.
Carson lecionou estudos clássicos em várias universidades da América do Norte e viveu na Islândia, onde ela e o marido, Robert Currie, receberam cidadania em 2022.
No ano passado, o Nobel de Literatura foi concedido ao húngaro László Krasznahorkai, autor de romances surreais e anárquicos que combinam uma visão de mundo sombria com humor mordaz, por uma obra que, segundo os jurados, reafirma o poder da arte em meio ao “terror apocalíptico”.
Os prêmios científicos do Nobel foram anunciados ao longo desta semana. na bsegunda-feira (5), o de Medicina foi para três cientistas cujo trabalho levou ao desenvolvimento de uma ferramenta que usa luz para ajudar a explicar como o cérebro funciona.
Karl Deisseroth, de 54 anos, Peter Hegemann, de 71, e Georg Nagel, de 73, foram premiados por trabalhos sobre canais iônicos acionados por luz e sobre optogenética.
Na terça-feira (6), o belga radicado nos Estados Unidos Francis Halzen, de 82 anos, venceu o Nobel de Física por contribuições que ajudaram a esclarecer a natureza de um grupo raro de neutrinos, partículas cósmicas minúsculas que, segundo cientistas, podem trazer pistas sobre a evolução do universo.
O francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai ganharam o Nobel de Química na quarta-feira (7) por seus esforços para solucionar o mistério das imagens especulares em moléculas químicas – uma descoberta que transformou a medicina moderna, usada no desenvolvimento de inúmeros medicamentos.
Na sexta-feira (9) será concedido o Nobel da Paz e, na segunda-feira seguinte, dia 12, o Prêmio Nobel Memorial de Ciências Econômicas. O valor do Nobel neste ano é de 12 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,2 milhão), para uma pessoa, um pequeno grupo de laureados ou uma organização.
Os laureados receberão suas medalhas das mãos do rei da Suécia Carlos XVI Gustavo, em cerimônia em Estocolmo marcada para 10 de dezembro, data do aniversário da morte de Alfred Nobel (1833-1896).

