O furto de fiação elétrica prejudicou as operações de voos no Aeroporto Estadual Doutor Leite Lopes, em Ribeirão Preto, três vezes nesta semana. O caso mais grave ocorreu na madrugada desta sexta-feira, 23 de outubro. Um avião aeromédico que saiu de Porto Velho, capital de Rondônia, com destino
ao Hospital das Clínicas (HC Criança) permaneceu mais de uma hora no ar sem pousar por causa das ações de criminosos.
O crime provocou o desligamento temporário do sistema de iluminação que orienta pousos e decolagens, causando transtornos a passageiros e alterações em dois voos da Azul Linhas Aéreas. Há indícios de invasões na área restrita, incluindo danos ao alambrado com cerca elétrica.
A aeronave transportava Olivia, uma bebê de 9 meses doença congênita no coração. A mãe da menina, Vânia de Santana Beche, postou nas redes sociais que a saturação de oxigênio da filha ficou mais baixa durante a espera, com risco de a paciente entrar em crise.
O furto de fiação desligou o balizamento, a sinalização luminosa que orienta os pilotos à noite. O voo que deveria durar sete horas demorou nove horas para terminar. Apesar do transtorno, a criança passou por exames e deve ser submetida a cirurgia em breve. Um voo comercial também atrasou uma hora para decolar.
Em nota, a Rede Voa, concessionária responsável pela administração do aeroporto, informou que o pouso do voo aeromédico estava previsto para as 4h30 e só ocorreu às 5h40. Segundo a empresa, o balizamento ficou desligado por cerca de uma hora e meia.
Na noite de quarta-feira (21), outro furto provocou o desligamento temporário do sistema de iluminação que orienta pousos e decolagens, causando transtornos a passageiros e alterações em voos da Azul Linhas Aéreas.
O sistema de balizamento foi desligado por volta das 19 horas e voltou a funcionar cerca de uma hora e meia depois.
A interrupção, porém, afetou dois voos da companhia na quinta-feira (22). O voo AD4825, que saiu de Campinas com destino a Ribeirão Preto, precisou retornar ao aeroporto de origem. Com isso, o voo AD4119, que faria o trajeto inverso, foi cancelado. A Azul informou que os passageiros afetados foram acomodados em outros voos da empresa.
Furtos recorrentes – O episódio ocorreu um dia depois de a concessionária registrar outro boletim de ocorrência, na terça-feira (20), relacionado ao furto de postes luminosos instalados ao longo da pista.
A situação também levanta questionamentos sobre a segurança do perímetro aeroportuário. Há indícios de invasões na área restrita, incluindo danos ao alambrado com cerca elétrica e uma abertura que permite o acesso de pessoas à pista.
Sem o sistema de iluminação, as operações noturnas ficam comprometidas até que o equipamento seja restabelecido. Além dos danos à infraestrutura, os furtos podem provocar cancelamentos e atrasos, prejudicando passageiros que dependem dos voos para se deslocar pela região.
Posicionamento – A Rede Voa informou que registrou boletins de ocorrência sobre os furtos. No caso mais recente, o sistema de balizamento foi religado após a interrupção, permitindo a retomada das operações.
A repetição dos crimes, entretanto, mantém o aeroporto sujeito a novos transtornos. O terminal recebe, em média, 48 mil passageiros por mês, mais de 720 mil por ano, e é um dos principais pontos de ligação aérea do interior paulista.
Os casos são investigados pela Polícia Civil. Até o momento, não houve prisões nem recuperação dos equipamentos furtados, e possíveis receptadores não foram identificados.

