Brasil manteve a liderança do ranking e agora tem o maior juro real do mundo, com 9,49% ao ano
As tensões em torno do câmbio e do fenômeno climático El Niño fizeram o Banco Central (BC) botar o pé no freio após cinco cortes seguidos. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual.
No entanto, uma parte das instituições apostava na manutenção da taxa. Os juros caíram 1,25 ponto percentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cautelosa da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities, a própria inflação e o início do fenômeno El Niño.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros nas três reuniões anteriores, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do comitê.
De junho de 2025 a março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom cortou os juros cinco vezes, num cenário de queda da inflação. No entanto, o agravamento da guerra no Oriente Médio, o início do fenômeno El Niño e a recente instabilidade cambial dificultam o trabalho do órgão.
Juro real – O Brasil manteve a liderança do ranking e tem o maior juro real do mundo, formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída a inflação prevista para os próximos doze meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou em parceria com a Lev Intelligence., os juros reais do país ficaram em 9,49% ao ano, contra 8,45% do levantamento anterior.
Depois do Brasil aparece a Turquia (7,77%), Argentina (6,8%), Rússia (6,57%), Colômbia (4,05%), Indonésia (3,67%) e México (3,26%). Suécia (-4,87%), Suíça (-0,78%) e Japão (-0,76%) têm as menores taxas entre 40 países analisados. Sem descontar a inflação, no ranking nominal, o Brasil tem a quarta maior taxa básica de juros (13,75%). O país fica atrás da Turquia, com 36%, seguida por Argentina, com 29%, e Rússia, com 14,00%.
O levantamento também mostra que, entre 164 países, 85,98% mantiveram os juros inalterados, 9,15% elevaram as taxas e 4,88% promoveram cortes. No grupo dos 40 países que compõem o ranking, 85% mantiveram os juros, 10% elevaram as taxas e 5% realizaram cortes.
Inflação – A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro, o índice ficou em 0,82%, a taxa mais alta desde o 0,88% de março deste ano. No acumulado de doze meses, o índice acelerou de 4,22% em agosto para 4,58%. No ano, passou de 3,11% para 3,95%.

