Tribuna Ribeirão
DestaquePolítica

Daerp tem 30 dias para entregar plano

A diretoria do Departa­mento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp) e os promotores do Grupo de Atua­ção Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) estiveram reunidos nesta segunda-feira, 23 de outubro, em audiência pública. A autarquia se com­prometeu a apresentar ao Judi­ciário, em 30 dias, laudos técni­cos sobre os problemas da rede de abastecimento.

Os dados devem trazer infor­mações como sobre a capacidade de reserva de água e quantidade de poços (são 114 atualmente), que embasarão um estudo de um perito judicial, em paralelo com o que foi apresentado pelo Ministério Público Estadual (MPE) na ação que obrigou o departamento a solucionar a falta d’água nas casas até o fim do mês.

A próxima reunião será em 11 de janeiro de 2018, quando o Daerp terá de apresentar um mapeamento completo do sis­tema de saneamento básico da cidade. Na reunião do ano que vem, serão discutidas as ações, de médio e longo prazo, necessá­rias para sanar os vícios e dificul­dades no abastecimento de água acumulados ao longo do tem­po por falta de investimento.

Segundo o promotor Ra­mon Lopes Neto, a nova data não exime a autarquia de cum­prir a determinação judicial. O Daerp tem que identificar os locais com problemas no abas­tecimento de água para atender a determinação de regularizar o serviço em toda a cidade até o final deste mês – quando vence o prazo de 20 dias úteis determinado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) em despacho emitido em 10 de outubro. A data foi estipu­lada depois que o departamen­to recorreu contra a liminar concedida pela juíza Roberta Steindorff Malheiros Melluso, da 1ª Vara da Fazenda Pública, no dia 2.

Na medida cautelar, a ma­gistrada havia estipulado prazo de 48 horas para o Daerp regu­larizar 100% do abastecimen­to público, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Também proibiu a perfuração de novos poços de captação em caso de descumprimento. O tempo de­terminado em primeira instân­cia, segundo o desembargador relator Antônio Tadeu Oto­boni, seria insuficiente para se cumprir a obrigação imposta.

De acordo com o superin­tendente do Daerp, Afonso Reis Duarte, na reunião de ontem foram apresentados re­latórios detalhados da situação em que se encontrou o depar­tamento, as ações que já foram executadas, além do plano para os próximos anos. Esclareceu-se também que a liminar concedi­da pelo Judiciário que obriga a solução dos problemas neste ano trata-se de uma ação do Ministé­rio Público de 2014 e as questões apresentadas, portanto, não con­dizem com a realidade.

“Passamos por um período de seca prolongado, foram 120 dias com temperaturas altas e consumo elevado de água. Mas com as intervenções que já fizemos na rede em áreas mais críticas, e com a chuva, os problemas já foram resolvidos restando apenas questões pon­tuais”, afirma. Apesar de ganhar prazo para apresentar o mape­amento, o Daerp ainda tenta reverter a decisão judicial.

O Daerp pretende investir R$ 150 milhões para moderni­zar e alterar o sistema e a rede de distribuição e sanar a maior parte do problema de abasteci­mento. Também terá reduzir o desperdício, segundo já foi in­formado pelo Grupo de Atua­ção Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema).

Além de problemas técnicos e estruturais, a estiagem e o calor intenso estimulam o consumo e sobrecarregam o sistema do Daerp, que hoje capta o recurso do Aquífero Guarani por meio de 114 poços artesianos. A mé­dia de consumo per capta reco­mendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 110 litros de água por dia por pessoa. A média nacional é de 167 litros, enquanto em Ribeirão Preto está em 366 litros diários de água por habitante – o número já desconta as perdas físicas do sistema.

A média municipal é 232,7% superior à mundial e está 119,1% acima da brasileira. Em 2016, as perdas reais do sistema foram de 42,10% da produção. Nos oito primeiros meses des­te ano, o desperdício nesta em cerca de 39,38%. O Daerp já foi cobrado pelo Gaema para re­duzir as perdas para 20%, mas a meta apresentada ao Minis­tério Público Estadual (MPE) é de redução para 32% até 2021.

De acordo com a autar­quia, Ribeirão Preto possui atualmente 192.024 ligações de água. Em setembro, o número de reclamações sobre abaste­cimento chegou a 930 (média diária de 31 ocorrências) em setembro, contra 1.100 no mes­mo mês do ano passado (36 por dia), queda de 15,45% e 170 a menos. Um primeiro pedido de liminar, com o mesmo teor, tinha sido feito pelo Ministé­rio Público em 2014, mas foi rejeitado depois que o Daerp culpou a estiagem prolongada quando questionada sobre a falta d’água em Ribeirão Preto.

No entanto, recentes laudos feitos por um engenheiro agrô­nomo, um engenheiro ambiental e um geólogo da Promotoria evi­denciaram que as interrupções no serviço são resultantes de pro­blemas de reservação e captação, já que o volume de água obtido do Aquífero Guarani, reservató­rio subterrâneo que abastece a cidade, é seis vezes maior do que o necessário.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

TSE veta imagem de Bolsonaro em peças

Redação

Brasil indica ‘Feito Pipa’ ao Oscar

Redação

Decreto declara 78 emendas nulas

Redacao 5

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade