Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Na Idade Média, o reino cristão de Navarra, posteriormente chamado de Leão, dominava a parte norte do atual território português. No final do século XI, o rei de Leão e Castela, enfrentando os mouros que dominavam a península, pediu ajuda a cavaleiros franceses, dentre eles o nobre conde D. Henrique de Borgonha, que receberia como prêmio pelas lutas o Condado Portucalense. Seria pai de D. Afonso Henrique, já nascido em futuras terras portuguesas, que seria o primeiro rei de Portugal e que deu início à dinastia de Borgonha, no ano de 1139.
Em 1383, morreu o último rei Borgonha, sem descendentes homens. Havia o perigo de o reino passar ao domínio dos espanhóis.
D. João, Mestre de Aviz, meio irmão bastardo do rei falecido, liderou a luta contra os espanhóis, que foram derrotados na batalha de Aljubarrota. Por decisão das Cortes, foi escolhido rei de Portugal, com o nome de D. João I, dando início à segunda dinastia portuguesa, a de Aviz, que durou até 1580.
Em 1578, o jovem rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, perdida pelos portugueses. Sem descendentes diretos, foi sucedido pelo tio,o idoso cardeal D. Henrique, que faleceu dois anos depois, também sem descendentes.
Segue-se intensa disputa pelo trono, ganha pelo rei da Espanha, na batalha de Alcântara. Felipe II torna-se rei de Portugal e Espanha, trazendo a dinastia dos Habsburgos para o reino português, onde reinou por sessenta anos.
Mas, os portugueses nunca toleraram o domínio espanhol, surgiram vários focos de revoltas e, em 1640 tomam Lisboa, prendem as autoridades espanholas e é escolhido rei o poderoso Duque de Bragança, de tradicional família portuguesa. Inicia-se assim a dinastia dos Bragança, que duraria até 1910, quando é proclamada a República.
Esta dinastia começa a se extinguir em 1908, quando o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro são assassinados num atentado. Sobe ao trono o jovem rei D. Manuel II, que é deposto em 1910 pela revolução republicana.
Nosso primeiro Imperador, D. Pedro I, que se tornaria D.Pedro IV de Portugal com a morte de seu pai, D. João VI, manteve a dinastia dos Bragança em terras americanas. Abdicou dos tronos brasileiro e português,sendo sucedido em Portugal por sua filha D. Maria da Glória e, no Brasil, pelo seu filho D.Pedro II.
Quando no ano de 1864, a princesa Isabel casou-se com o nobre francês, D. Gastão de Orléans , Conde d’Eu, neto do rei da França, a porção brasileira da família passou a adotar a denominação de dinastia de Orléans e Bragança.
Com a proclamação da república, em 1889, a família imperial brasileira foi exilada para a Europa, sendo autorizada a voltar ao Brasil somente em 1922, no Centenário da Independência.
Como todas as famílias reais, os Orleans e Bragança mantém viva a tradição imperial, sendo que o chefe da atual Casa Imperial é D. Bertrand de Orléans e Bragança, meu amigo e colega da turma de 1964, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
* Advogado, empresário, presidente do Conselho do Grupo Santa Emília, secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras.

